Certas Palavras

Línguas, livros e outras viagens

Convite: A Baleia Que Engoliu Um Espanhol

No próximo dia 5, chega às livrarias o meu novo livro: A Baleia Que Engoliu Um Espanhol. É um romance de aventuras que nos leva em busca dum tesouro escondido numa antiga ilha portuguesa e reconta, pelo caminho, algumas histórias da nossa História.

«Nos primeiros segundos de 2017, com o fogo-de-artifício ainda a explodir no céu e a namorada ao seu lado, Duarte recebe um telefonema e fica a saber que tem uma herança à sua espera: um velho envelope com uma chave e um mapa. O nosso herói não resiste e parte à aventura — no entanto, quando, horas depois, abre o baú que o seu avô escondera numa gruta, não consegue evitar um grito de terror.

É o ponto de partida para um remoinho de aventuras, entre aviões da II Guerra Mundial, tesouros da Antiguidade e histórias de piratas, reis e princesas à nora nas praias portuguesas.

Deixe-se levar por este enredo de beijos, espadas, morangos e perseguições e parta em busca do tesouro que um romano escondeu, há muitos séculos, na Ilha de Peniche. São histórias inesquecíveis — e, no meio de mouros,espanhóis, ingleses e portugueses, lá aparece uma baleia a dar uma ajudinha à Padeira de Aljubarrota.»

Os leitores deste blogue podem reservar um exemplar com um desconto de pré-lançamento de 30% através deste formulário. Os portes de envio são gratuitos e o livro fica pelo preço total de 10,43 euros.


O lançamento será no dia 5 de Julho, às 18h, na Fnac Vasco da Gama. A apresentação ficará a cargo de Fernando Alvim. Terei todo o gosto em conversar um pouco com os leitores deste blogue que lá possam aparecer.

E que tal irmos à Feira do Livro de Lisboa?

Hoje, domingo, pelas 15h, estarei na Feira do Livro de Lisboa para conversar com quem por lá quiser aparecer — e, claro, para assinar uns livros. Talvez seja também uma oportunidade para conhecer mais alguns leitores deste blogue… É sempre um prazer!

Fica o convite. Será no espaço da Guerra e Paz, no Pavilhão B29.

Até logo!

«Slash solou» é erro de português? E «míster», no futebol?

Confesso já aqui: não estou habituado a ler o verbo «solar» com o significado de «fazer um solo». Mas a verdade é que, lendo este título do Público, percebo o que tal palavra significa: «Axl cantou, Slash solou, os Guns N’Roses voltaram a sério».

Pois, claro, um leitor mais alarmado com as malucas das palavras que saltam categorias foi-se queixar para o Facebook (onde haveria de ser?): não, não! A palavra não existe! Só podemos dizer «executar um solo»! Porquê? Porque é uma palavra brasileira, porque não se usa no Conservatório de Lisboa, porque isto e porque aquilo.

Ora, não sei se é palavra brasileira. Como informaram alguns comentadores em resposta à tal queixa publicada no Observatório da Asneira, a palavra já se usa há muito tempo na imprensa musical — e, enfim, segue as regras do português no que toca à sua formação.

Teresa Coutinho, com infinita paciência, chegou a colar uma fotografia do Dicionário Morais com a palavra lá escarrapachada. Sim, é usada (também) no Brasil — o que não é de espantar. Talvez tenha sido inventada no Brasil e em Portugal de forma independente. Afinal, na nossa língua, se temos um substantivo e queremos transformá-lo em verbo, o que fazemos é integrá-lo na primeira conjugação. «Solo» > «solar». «Telefone» > «telefonar», etc.

Se, por outro lado, os portugueses se lembraram desta palavra por a ouvirem da boca dum brasileiro há umas quantas décadas — enfim, não vem mal ao mundo. Tanto quanto sei, até pode ter sido ao contrário. (Diga-se que isto não permite tudo: há muitos verbos que seriam possíveis, mas que não se usam. Ninguém diz «microfonar» para «falar ao microfone». Porquê? Mistérios insondáveis da língua — ou melhor, resultado inevitável da imprevisibilidade dos sistemas complexos.)

Portanto, muitos usam «solar» como verbo em contexto musical. Depois, temos o jornalista do Público que o faz num artigo que parece isento de erros graves. Logo, devíamos dar o benefício da dúvida: se eu não conheço a palavra, se calhar é porque eu não conheço a palavra — afinal, quando nascemos, não conhecemos nenhuma palavra. Como se diz por aí, estamos sempre a aprender. Só não aprende quem acha que uma palavra desconhecida é sempre erro…

Mas nada disto convenceu o queixoso. Afinal, se já temos «executar um solo», não podemos aceitar esse verbo estranho: «solar». Até porque, como acrescentou outro alarmista, o verbo solar já quer dizer «pôr solas em sapatos». Logo, o jornalista devia ter evitado a palavra para não criar confusões.

Exacto, há mesmo pessoas que, perante a notícia acima, ficam com medo que alguém acredite que Slash foi arranjar sapatos para cima do palco.

Já sei: há maluqueiras para todos os gostos no Facebook. Nem vale a pena perder tempo com estas ideias tontas. Mas este episódio em particular ajuda a perceber dois princípios fundamentais do discurso simplista sobre a língua:

  • Princípio n.º 1: «Vivo rodeado de estúpidos. Eu não sou estúpido. Se alguém diz uma palavra que eu não conheço, tendo em conta que eu não sou estúpido, mas os outros tendem a sê-lo, a palavra só pode estar errada.»
  • Princípio n.º 2: «Ouvi a palavra Y que quer dizer X. Ora, eu já conhecia outra palavra com o mesmo significado. Logo, a palavra Y só pode estar errada. Além disso, se a palavra Y tem um significado, nunca pode ter outro. A cada palavra, um só significado, se faz favor, que eu não tenho tempo para estas confusões.»

Estes dois princípios norteiam muitas das acusações desabridas e simplistas sobre o português dos outros. Mas, para dizer a verdade, o debate sobre o Slash que solou até foi muito cortês. Todos nós nos enganamos e todos nós podemos tentar corrigir os erros dos outros com respeito e sensatez.

O problema é que os dois princípios acima são salpicados, o mais das vezes, pelo chamado «descontrolo verbal». Se vejo um erro de português — falso ou verdadeiro —, posso dizer o que me apetecer porque estou defender a Santa Madre Língua. Só assim se explica que, numa outra posta de Facebook sobre o uso da palavra «míster» para designar informalmente um treinador, alguém tenha dito que aqueles que tal dizem «são uns cretinos ignorantes!!!». Ah, o peso daqueles três pontos de exclamação. O cretino ignorante até fica calado, não vá dar-se o caso de o justiceiro lhe atirar com um quarto — quiçá um quinto! — ponto de exclamação.

Repare o leitor, já agora: quem usa «míster» são jogadores e miúdos que praticam desporto. É um hábito linguístico com várias décadas. Talvez tenha vindo do inglês, talvez não. É uma palavra do registo informal, uma gíria desportiva — tão inócua que nem vale a pena pensarmos muito no caso. Ah, mas não, um miúdo a dar chutos na bola para ver se o mister fica contente é um «cretino ignorante».

Na verdade, este descontrolo verbal tão típico de muitas conversas de Facebook transmite uma imagem de pensamento descuidado e prejudica o falante — é um gravíssimo erro de português, este sim muito verdadeiro.

Qual é a pátria dos bons escritores?

Hoje é dia de entregar a mítica declaração de IRS.

Reparo na cara de susto do leitor mais desprevenido. Vem a um blogue de línguas e livros e aparece-lhe o IRS à frente. O horror!

Antes de fugir a sete pés, deixe-me lá explicar porque trago os impostos à liça. Quero falar dum certo livro e a melhor maneira que encontrei foi falar de impostos.

Sim, a literatura e o IRS parecem viver em universos paralelos — mas, por vezes, lá se encontram à esquina…

Ler no hospital

Há muitos, muitos anos, num desses dias em que os jacarandás também andavam por aí a rebentar na beleza desvairada desta cidade, tive de esperar pacientemente numa bicha do Hospital Santa Maria.

Lembro-me bem desse dia porque andava aflito com o pólen — a Primavera é apetitosa, mas muito perigosa — e ainda porque tinha na mão um daqueles objectos que ajudam a recordar os sítios por onde passamos: um livro.

Estava a ler o segundo volume das memórias de Anthony Burgess: You’ve Had Your Time. Como fui parar a este livro? Não faço ideia. Nunca tinha lido o primeiro volume e, do autor, só conhecia o inevitável Clockwork Orange, que uma amiga tinha recomendado enquanto estávamos a jogar bowling — digo isto só para provar que o mundo é muito pouco arrumado e até o bowling se mistura com o prazer dos livros.

Enfim, lá andava eu no hospital de Santa Maria, à espera. E muito esperei eu nesse dia — o que foi óptimo, pois assim tive tempo para ler. Ah, o livro é demasiado bom para caber num apertado artigo de blogue.

Fiquei a saber que Anthony Burgess foi diagnosticado com uma doença fatal ali por volta de 1960 e ficou com um ano para viver — viver e escrever. Precisava de deixar algum dinheiro para Lynne, a futura viúva. O autor fez da necessidade força, desatou as mãos e escreveu livros como se não houvesse amanhã. E, de facto, não havia amanhã — diziam-lhe os médicos.

O que fazer com esta vida?

O mundo é imprevisível — e a verdade é que Burgess não morreu em 1961, mas sim em 1993, o que foi óptimo para ele e muito bom para nós, seus leitores. Só não foi assim tão extraordinário para Lynne, pois o homem, com uma nova vida entre mãos, esqueceu a mulher e arranjou uma amante italiana — Liana — com quem viveu durante muitos e (diz-me o autor) bons anos.

Pois a verdade é que o sucesso foi-lhe madrasto: os inspectores dos impostos começaram a cheirar a nova fortuna e caíram-lhe em cima. À época, as taxas de impostos britânicas para os rendimentos mais elevados eram assim coisa para chegar aos 90%.

Bedford Dormobile. Numa carrinha deste tipo se escreveram algumas das melhores obras da literatura europeia.

O que fez Anthony Burgess? Fugiu. Sim, tornou-se um exilado fiscal, um nómada, a viver numa Bedford Dormobile pela Europa fora, com a sua nova mulher italiana, a bater furiosamente na máquina de escrever instalada na carrinha, cigarro na boca, lá à frente a estrada sem fim deste continente louco à sua espreita.

Não é isto delicioso? O autor ainda viveu uns tempos em Malta, onde teve de aturar a alfândega, que nessa época de bons costumes cortava as páginas menos próprias dos livros que Burgess encomendava. Sim: os livros chegavam-lhe retalhados, sem sexo nem nada.

Leiam o livro que vale a pena. Temos o mundo nas nossas mãos, desde Malta, Mónaco, Rússia, Austrália, as memórias de como escreveu as grandes obras e ainda confissões sobre a adaptação de Clockwork Orange para cinema.

Ainda estou para ler o primeiro volume — mas dá-me a sensação que vou acabar por reler este antes de me aventurar nos primórdios dessa vida de espantar. E, como livro puxa livro, acabei por ler mais uns quantos romances dele, o que só me fez bem.

Fazer o que se quer com a língua

Anthony Burgess foi escritor, mas não só: também foi tradutor, crítico e compositor (mais de 250 obras musicais!). Além disso, era um apaixonado pela linguística e esse interesse bem marcado pelas línguas ajudou-o a lidar com o seu material de trabalho. (Falei dessa sua faceta linguística há muito tempo, num dos primeiros artigos deste blogue.)

Burgess não só gostava muito de línguas — também criava línguas! Ou melhor, criou um novo inglês, aquele registo adolescente cheio de interferências russas que marcava a sociedade distópica de Clockwork Orange. A linguagem, nas suas misturas, mostra o que somos e como somos — e estas misturas são bem mais interessantes do que o manejo traquejado dum registo puro, fora do mundo.

Aqui fica o início desse romance:

‘What’s it going to be then, eh?’
There was me, that is Alex, and my three droogs, that is Pete, Georgie, and Dim, Dim being really dim, and we sat in the Korova Milkbar making up our rassoodocks what to do with the evening, a flip dark chill winter bastard though dry.

Anthony Burgess recusou-se a criar um glossário para ajudar o leitor: aprendemos este novo inglês à medida que lemos o livro. E o certo é que aprendemos! Deste início, ficamos logo a saber como se diz «amigo» entre a juventude dessa época imaginária. «Droog», pois então. Já agora, em russo, o que temos é друг, ou seja,«drug».

Anthony Burgess imaginou o cenário linguístico dum mundo em que a União Soviética era a grande potência. O russo seria a língua da moda, a língua onde os jovens iriam buscar as suas palavras próprias, talvez para horror dos pais. Para lá desse realismo linguístico, essa língua alterada também permitiu ao autor criar novas palavras e obriga o leitor a aprendê-las — e, o que não será o menos importante, ajudou a elevar esteticamente a violência descrita no romance.

Mas para lá de todas as razões e análises, Anthony Burgess brinca com a língua — e brinca com prazer, como se estivesse a dirigir uma orquestra enquanto compõe uma sinfonia naquele preciso momento, a sorrir.


Antes de avançar, deixo ao leitor — como exemplo da imaginação verbal de Burgess nestas memórias — a descrição da Sagrada Família de Barcelona que aparece lá pelo meio:

Gaudí had worked on the structure like a novelist, letting new ideas effloresce as he built. The towers of the Sagrada Familia were more than an unfinished novel; they were a meal — foraminated like waffles, crunchy, with pinnacles of crisp sugar. […] I was desperate to be done with the film scrip and at work on a Gaudiesque novel.

A imaginação do artista junta o que nunca ninguém juntou. Gaudí faz isso e Burgess também. E a vida, a vida: sem querer, por motivos fiscais, enfia um escritor numa carrinha por essa Europa fora e quem ganha somos nós.

Como explodir com as fronteiras das línguas

Hoje escrevo sobre misturas e a passagem por Barcelona trouxe-me à memória outro escritor: Juan Marsé.

No seu romance El amante bilingüe, Marsé imagina um burguês bem catalão que descobre, de repente, que a sua mulher — também catalã dos sete costados e funcionária do departamento linguístico da Generalitat — tem um fraquinho por andaluzes de bigode e cheiro de castanholas.

O marido começa então a transformar-se nesse andaluz dos sonhos da mulher, telefonando-lhe para o trabalho sem dizer quem é.

Numa sátira aos purismos linguísticos da sua cidade, o autor imagina a linguagem desse catalão de identidade desfeita. O protagonista tem de falar em espanhol andaluz quando telefona para a mulher.

Com o andar do romance, começa a esquecer-se de quem é e as duas línguas vão-se fundindo. O livro acaba assim:

Pué mirizté, en pimé ugá me’n fotu e menda yaluego de to y de toos i així finson vostè vulgui poque nozotro lo mataore catalane volem toro catalane, digo, que menda s’integra en la Gran Encisera hata onde le dejan y hago con mi jeta lo que buenamente puedo, ora con la barretina ora con la montera, o zea que a mí me guta el mestizaje, zeñó, la barreja y el combinao, en fin, s’acabat l’explicació i el bròquil, echusté una moneíta, joé, no sigui tan garrapo ni tan roñica, una pezetita, cony, azí me guta, rumbozo, vaya uzté con Dió i passiu-ho bé, senyor…

Esta é uma mistura explosiva, um espanhol andaluz eivado de catalão ou um catalão eivado de andaluzismos — ou qualquer outra coisa que não consigo definir. Não interessa. O livro é cruel e muito divertido. E, pronto, confesso, pode irritar muita gente, mas «me guta el mestizaje».

A pátria dos bons escritores

Juan Marsé, há uns anos, numa entrevista em Portugal, disse esta frase magnífica: «Creio que a pátria de um escritor não é sequer a língua, é a linguagem.» (Visão, 10 de Maio de 2012).

É normal que isto seja dito por um escritor que se sente puxado pelos braços por duas línguas em tensão contínua. Mas a verdade é que esta frase é adequada a todos os escritores, em todas as épocas e lugares. Um escritor usa a língua em que cresceu — mas raramente está limitado a um registo, a um lugar, a uma língua nacional. A literatura — e em especial o romance, esse género que engole a humanidade inteira — faz-se do confronto de várias linguagens, de várias línguas.

Se alguém imagina que um bom escritor é o paladino da língua pura e certinha, vai perder quase tudo o que vale a pena na literatura. Os grandes escritores têm sempre de trair essa primeira pátria. Sim, lêem muito na sua língua (mas não só), inscrevem-se numa tradição literária (mas também gostam de lhe dar com os pés) — e depois misturam, transgridem, brincam, abusam.

Repito: um bom escritor não é animal duma só língua. Habita a linguagem humana, tal como a encontra nas ruas que percorre — e lembremo-nos que, muito pouco pura, a linguagem humana é um bicho selvagem feito de gestos obscenos, carinhosos, aflitivos — um bicho que faz um esforço para se comportar nos salões da sociedade, mas que está sempre à coca para, à primeira oportunidade, fugir para a sua inconfessável vida das ruas. É dessas vidas todas — à mesa da sociedade, pés entrelaçados debaixo da mesa, e ainda na rua, ao beijo, ao soco e em corrida — que se faz a literatura.

Sim, a literatura, em boas mãos, faz-se de tudo: de línguas à mistura, catedrais que parecem refeições, gente fugida aos impostos em carrinhas perdidas pelas estradas da Europa. E tudo isto é delicioso e tudo isto está à distância dum bom livro.

Convite: uma festa galega no centro de Lisboa

Jardim do Torel (Foto: CM Lisboa)

Volto à Galiza, mas sem sair de Lisboa. Esta sexta-feira, pelas 19h30, irei participar na Festa das Letras Galegas com uma apresentação do livro A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa. A festa não fica por aí: há um recital, um concerto e uma foliada.

O programa oficial é este:

+ Apresentação do livro A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa.

+ Foliada com o grupo de gaitas de foles ANAQUINHOS DA TERRA.

+ Recital poético-performance com as galegas DUAS GAMBERRAS E UM MICRO.

+ Concerto do cantautor punk galego O LEO DE MATAMÁ.

Haverá queimada e tapas (petiscos) no Álvaro Cunqueiro (bar do Centro Galego).

Deixo o convite, não só por causa da festa, mas também pelo edifício do Centro Galego — que vale a pena conhecer — e do Jardim do Torel, mesmo ali ao lado.



Por curiosidade, deixo-vos a descrição do livro em galego tal como publicada pelo Centro Galego na sua página (a ortografia é a oficial, ou seja, a que mais se distancia do português):

Presentación do Libro de Marco Neves «A incrível história secreta da língua portuguesa». Acompañe unha celta e un romano aos bicos, un amigo de Afonso Henriques procurando mouras encantadas, Gil Vicente a perseguir un home perigoso polas rúas de Lisboa, unha coleccionista de libros fuxindo nun carro para Amsterdam, Camões ao puñazo por causa dunha dama da corte e moitas outras aventuras de que é feita esta historia da lingua portuguesa, chea de deliciosas sorpresas e un toque de humor…

«Fazer a barba» é erro de português?

Anda uma pessoa descansada por aí quando sente o telemóvel a avisar: tem um novo comentário no blogue.

Antes de mais, gostava de agradecer aos meus leitores: recebo por aqui excelentes comentários, que às vezes valem mais do que o próprio artigo. Basta pensar nos comentários à aventura das línguas da Eurovisão

Os comentários críticos são também, quase sempre, muito agradáveis e simpáticos. E foi sem acrimónia que um leitor, há pouco, tentou convencer-me de que «fazer a barba» é mesmo erro de português, apesar do que por aqui escrevi já vai para dois anos.

Ainda dialoguei um pouco com o leitor e, por fim, aceitámos que as nossas visões da língua são irremediavelmente diferentes.

Para o tal leitor, um verbo só pode ter o significado mais óbvio ou aquele que parece mais lógico. Se ao cortarmos a barba não estamos a construir nada, então não podemos usar tal expressão.

Para mim, pelo contrário, os significados das palavras são um pouco mais malandros e dão umas piruetas engraçadas. Não há nada que possamos fazer quanto a isso — e ainda bem.


A minha questão, agora, é esta: qual é o percurso mental que leva algumas pessoas a considerar erro algumas expressões e não outras, onde também podíamos martelar uma qualquer falha lógica?

Julgo que será algo assim:

  1. Imbuído da ideia falsa de que uma palavra só pode ter um significado ou de que os sentidos menos literais de cada expressão estão sempre errados, um falante desprevenido descobre um erro na língua portuguesa. Por exemplo, «fazer a barba». Ah, pois! Nós não fazemos a barba! É erro! É erro! Ah, malandros dos portugueses, que andam há tanto tempo a usar uma expressão tão errada…
  2. O falante fica feliz: apanhou todos os outros em falso. Sabe um pouco mais do que o vizinho. Como um dos problemas cognitivos a que todos estamos sujeitos é a crença de que somos mais espertos do que a maioria das outras pessoas, é fácil acreditar que, se todos dizem «fazer a barba», é porque todos estão errados (eu é que não). (Diga-se que este não parece ser o caso do leitor com quem andei a dialogar, pois ele confessou-me também usar a tal expressão.)
  3. Se sairmos em defesa da dita expressão e dissermos algo como «as expressões da língua não estão erradas só porque nos apetece» —  ou «devemos ter em conta a realidade da língua que sai da boca dos falantes» —  ou «as palavras têm significados claros e legítimos que, no entanto, nem os dicionários conseguem apanhar» — ou «a língua portuguesa deve ser estudada com respeito antes de nos pormos a corrigi-la à tonta» — a pessoa que andava por aí convencida de ter apanhado o resto do mundo em falta fica um pouco desiludida. Se aceitar os argumentos, esfuma-se naquele instante o poderoso perfume a superioridade. Ou então, o que é mais provável, não cede e defende a todo o custo a sua ideia muito particular de erro. Um pouco como aquele condutor que está em contramão convencido que os outros carros é que vão todos mal…

Usar a expressão «fazer a barba» não atrapalha nenhum falante e, na verdade, só irrita quem foi infectado pelo vírus das interpretações literais ou das piadas de barbearia.

A aventura das línguas na Eurovisão

Falar do ucraniano — ou do português! — a propósito da Eurovisão ainda vá. Agora do basco, do catalão e do galego é que não lembra ao diabo. 


Quando eu era novo, pensava que ganhar a Eurovisão era importante. Não é, claro. Mas esta vitória foi como um sonho vindo das profundezas da nossa infância. Como se recebesse aos 36 a prenda que me prometeram aos 10.

Pois vou aproveitar esta loucura toda com o concurso, loucura essa que deve terminar daqui a uns dois ou três dias, para falar de — surpresa! — línguas. E línguas ibéricas, pois então — afinal, a Península Ibérica arrasou no festival: ficámos em primeiro e os nossos vizinhos em último…

O catalão e o galego na Eurovisão

Andorra na Eurovisão, em 2004. [Fonte.]

Há línguas muito antigas e com pergaminhos de fazer inveja e que não aparecem na Eurovisão. Basta andar uns quilómetros na nossa península e temos o basco, a mais isolada das línguas europeias. Que eu saiba, ninguém alguma vez cantou em basco na Eurovisão, o que é uma pena. Já não acontece o mesmo com o catalão, que foi ouvido entre 2004 e 2009 por causa de Andorra, que lá andou metida.

A primeira canção em catalão ouvida por essa Europa foi «Jugarem a estimar-nos» (não fiquem preocupados comigo: é para saber estas coisas que serve a Wikipédia).

O que quer dizer este título? O verbo «jugar» — que se lê à portuguesa, tal e qual o nosso «jogar» — quer dizer «brincar».

No caso, a forma «jugarem» (primeira pessoa do plural do futuro) lê-se com a sílaba tónica na última vogal e o «m» bem marcado. Será algo como a inexistente palavra portuguesa «jugareme». Corresponde ao nosso «brincaremos».

O verbo «estimar» quer dizer «amar». Logo, o título quer dizer algo como «vamos brincar ao amor» ou «vamos lá fingir que nos amamos, mas só durante esta noite». Os andorranos são assim, o que querem?

E o galego? Ah, foi com um sorriso na boca que vi muitos amigos galegos a afirmar que uma canção na sua língua tinha ganho o festival. Andaram a circular memes com uma frase do género: «O galego não serve para nada? Serve para ganhar a Eurovisão!»

Já o espanhol… Enfim, este ano apareceu por lá de raspão e levou cinco pontinhos muito portugueses.

As línguas da Ucrânia — e da Catalunha

Num festival organizado na Ucrânia, lá ouvimos umas palavras, aqui e ali, nessa língua. No final, até Salvador Sobral disse umas palavras em ucraniano.

Ora, já aqui falámos como aquele país, o segundo maior da Europa, tem questões linguísticas complexas. Não só neste artigo que escrevi sobre a questão linguística naquele país, como também no artigo sobre a ligação entre o nosso acordo ortográfico e a Ucrânia — e ainda o artigo de Serge Lunin sobre o bilinguismo na Ucrânia… e em Portugal!

Julgo que a situação da Ucrânia pode ajudar-nos a perceber o que aconteceria se a Catalunha ficasse independente. Diga-se que o catalão é uma língua minoritária muito mais bem protegida do que outras línguas minoritárias por esse mundo fora — e mesmo em Espanha. Está presente no ensino (de forma intensiva), é usada na literatura, na televisão e por uma percentagem muito significativa da população.

No entanto, não está, digamos assim, garantida. Ao contrário do que acontece com outras línguas não castelhanas de Espanha, o catalão tem prestígio e um apoio social de fazer inveja. Mas ainda corre perigo de o seu uso diminuir e de passar a ser uma língua residual, como é hoje, por exemplo, o irlandês na Irlanda, por mais prestígio que tenha nas instituições da ilha.

O catalão tem ainda este problema: não é reconhecido noutros países. Basta olhar à nossa volta: é difícil para muitos portugueses identificar aquela língua — ora, a língua é uma marca de identidade e a dificuldade de ser identificada pelos outros é um problema mais sério do que possa parecer à primeira vista. Pensem no que sentimos nós quando um estrangeiro nos diz «ah, a vossa língua é muito parecida com o espanhol» com um ar de uma certa indiferença. Os catalães nem sequer chegam a ouvir a frase porque os estrangeiros raramente sabem distinguir as duas línguas. E é pena.

Essa necessidade de identificação pelos falantes de outras línguas tem — quanto a mim — um grande peso no sentimento independentista de muitos povos. O independentismo pode ter razões histórias, económicas, sociais, etc. Mas não deixa de ser, lá bem no fundo, uma necessidade de reconhecimento internacional da nação com a qual nos identificamos. Muitos catalães sentem-se um povo e não como um subgrupo dentro doutro povo maior — e este sentimento transporta-se inevitavelmente para a necessidade de reconhecimento da sua língua.

E, depois, há isto: perguntem a uns quantos madrilenos se achariam bem Espanha levar uma música em catalão à Eurovisão — afinal, o catalão é a língua materna de vários milhões de espanhóis, não é verdade?

Se aceitarem o desafio, registem as respostas — talvez assim comecemos todos a perceber porque é difícil para os catalães encaixarem o seu sentimento nacional nesta Espanha tão castelhana.

E a Escócia?

Curiosamente, a Escócia, apesar de politicamente estar numa situação semelhante à catalã (é uma parte dum Estado maior com leis próprias, um grau de autonomia elevado e um sentimento de pertença nacional muito marcado), sente menos a indiferença dos outros povos.

Porquê? Talvez porque ostenta algumas das marcas de país na cabeça de todos nós: o seu nome é reconhecido no mundo inteiro, as suas tradições mais ou menos inventadas são bem visíveis (kilts e outros que tais), o Estado onde está integrada não esconde o facto de ser um Estado com uma identidade complexa (para dizer o mínimo), etc., etc.

Ah, e tem uma selecção de futebol que joga nos campeonatos que interessam. Não é coisa pouca.

É difícil ser bilingue?

Bem, mas já estamos muito longe do tema do texto. Voltemos à língua. Se a Catalunha se tornasse independente, o catalão seria a língua principal do novo Estado — disso não tenho dúvidas. Mas uma grande parte das famílias continuaria a falar espanhol em casa e na rua.

As tensões que iriam surgir — ou melhor, que iriam persistir, porque já lá estão, claramente — têm algumas parecenças com o que se passa na Ucrânia. De repente, a língua de prestígio do Estado (o espanhol em Espanha; o russo na União Soviética) passaria a ser a língua minoritária no novo Estado (o espanhol na Catalunha; o russo na Ucrânia). Em caso algum a Catalunha seria um país monolingue como é hoje Portugal — tal como a Ucrânia também não é.

Tanto num caso como no outro, os que imaginam uma sociedade monolingue em que há uma língua absolutamente predominante (como acontece, por exemplo, em Portugal) têm de se habituar a viver numa sociedade bilingue com o desconforto associado. Têm mesmo de se habituar à situação — não há muito a fazer e talvez até fosse bom aproveitar o que de bom tem o bilinguismo: todos os cidadãos podem aprender as duas línguas, o que não tem mal nenhum e permite aos ucranianos ler a boa literatura russa e aos futuros catalães independentes (se tal vier a acontecer) continuar a saber usar com mestria e talento a língua castelhana.

Já os espanhóis duma Espanha reduzida ficariam na pior situação de todas: saberiam espanhol e ponto final. Apesar de todas as tensões, saber duas línguas é sempre melhor do que saber só uma. O bilinguismo é desconfortável para o sentimento de identidade (que tende para o simplismo), mas faz bem à vida de cada pessoa bilingue em particular.

A que soa o português?

Uma vitória na Eurovisão não serve para nada — nem tinha de servir. A Eurovisão é uma maluqueira muito europeia. Com algum esforço, vislumbro uma vantagem daquela explosão de luzes e fogo de artifício: o festival andou anos a criar memórias comuns aos europeus, o que não é coisa pouca.

Quanto ao nosso vencedor, o que temos agora é uma música em português que de repente está nas rádios de vários países. Uma música que ajuda os ouvidos destreinados dessa Europa de tantos países a reconhecer bem a nossa língua.

Isto não é coisa para mudar o estado da música portuguesa — seja ele qual for. E ainda bem. Mas, como disse lá em cima, a ligação entre língua e identidade leva-nos a querer que os outros nos reconheçam. É também por isso que sabe bem a um português ver gente de tantos países a dizer: «Ora bem, ouvi esta música em português — levem lá doze pontinhos que a coisa soou-me bem.»

(Por outro lado, a vitória não deixou de ser um prazer muito tribal. Portugal ganhou e pronto. Se tivéssemos ganho com uma música em inglês, desde que a vitória fosse nossa, ninguém ficaria assim muito chateado.)


Ah, com esta mania das línguas ibéricas, acabei por não falar daquilo que pensei quando comecei a escrever: do hebraico, a língua ressuscitada — e do húngaro — e do bielorrusso — e das outras línguas que por lá ouvimos. Na verdade, foram poucas. Para um festival europeu, a coisa foi muito monolingue

Não faz mal. Isto da Eurovisão é de modas. Nos anos 70, as canções soavam todas aos ABBA. Nos anos 90, a Irlanda era o farol da Eurovisão. Depois, veio a loucura dos primeiros anos deste século, em que valia tudo, menos cantar numa língua que não fosse o inglês. Portugal chegou sempre a estas modas com algum atraso e também por isso nunca ganhou nada. Desta vez, atravessou-se à frente e apresentou uma coisa diferente da moda dos últimos anos — e ganhou. É por isso que já muitos prevêem a moda do «vamos todos cantar músicas calmas na nossa própria língua». Será esse o mote da Eurovisão em 2018 — numa cidade perto de si…

O que significa que para o ano terei muito mais para falar sobre as línguas da Eurovisão do que este ano. Cá estaremos, pois então.

O inglês vai desaparecer na União Europeia?

Depois do Brexit, apareceram uns zunzuns sobre o fim do domínio do inglês enquanto lingua franca na União Europeia. A revista The Economist desta semana traz um pequeno artigo sobre as razões por que esse fim é muito pouco provável, apesar da recente piada de Juncker.

Na verdade, a força do inglês, na Europa, é uma espécie de bola de neve gigantesca e o Brexit, nesta questão linguística, não será mais do que uma pequena pedra no caminho. Afinal, como refere a revista (o negrito é meu):

Among students at lower secondary level outside Britain, 97% are learning English. Only 34% are studying French and 23% German. In primary school 79% of students are already learning English, against just 4% for French. Some countries, such as Denmark, begin English in the very first year.

Nos corredores da Europa, o inglês continuará a ouvir-se — e mais ainda nas ruas da Europa, sempre que dois europeus de países diferentes se encontram. Mais: continuará a ser uma das línguas de trabalho e nem sequer vai deixar de ser oficial, pois ainda sobram dois países que têm o inglês como língua oficial (Irlanda e Malta).

Para quem fica um pouco aborrecido com este estado de coisas: lembre-se que, sem a União Europeia e a sua insistência em criar legislação em 24 línguas e em promover o ensino das várias línguas, o domínio do inglês talvez fosse ainda mais avassalador. Por outro lado, a verdade é que o inglês que é usado nos corredores da União Europeia e entre europeus de outras nacionalidades não é bem o inglês britânico. É uma língua simplificada — alguns dizem trucidada —, uma espécie de ferramenta em que pegamos para nos irmos entendendo todos. Essa língua não irá substituir todas as outras línguas nos próximos tempos, mas também não vai desaparecer. Como já aqui escrevi há muito tempo, quanto tentei explicar a razão por que muitos galegos insistem em aprender galego:

As pessoas querem comunicar, claro. Aprendem o que for preciso para isso. Mas não aceitam que lhes digam que a língua em que cresceram não serve para nada. Querem viver na sua língua e, depois, aprender também as línguas que lhes sejam úteis a cada momento da vida.

O nosso inglês muito pouco britânico, mal ou bem, vai continuar a ser útil por muito tempo. A bola de neve não vai cair do precipício.

«Voltar atrás» é erro de português?

Já há algum tempo que não me dedico ao meu desporto favorito: defender boas expressões portuguesas dos ataques sem piedade de quem gosta de inventar erros. E porque volto à liça neste dia? Porque ontem ouvi alguém a defender que a expressão «voltar atrás» é erro.

Há mesmo muita gente convencida de que basta arranjar uma lógica apressada para declarar esta ou aquela expressão como erro de português — mesmo que todos os falantes usem tal expressão sem pestanejar. Já ouvi quem considerasse erro a expressão «na senda de» porque «senda» quer dizer «caminho» (pois…); outros chamam estúpido a quem usa a bela construção «não há nada» — e há ainda quem corrija todos os pobres portugueses que dizem «queria um copo de água, por favor».

Ainda há uns dias atrevi-me a perguntar a uma senhora que corrigiu o meu «queria um sumo» se achava mesmo que a expressão era erro. Resposta? «Claro! “Queria” está no passado! Se quer o sumo agora, tem de usar o presente.» Calei-me. Senti-me atropelado por esta lógica impecável. O que vale é que somos todos gente civilizada — e mesmo tendo eu feito o pedido no pretérito imperfeito, o sumo apareceu em cima da mesa no presente do indicativo.

Pois, ontem, aconteceu-me esta: encontrei alguém que considera a expressão «voltar atrás» um exemplo do mau uso da língua portuguesa.

Porquê? Porque, enfim, se estamos a voltar só podemos estar a voltar atrás. Logo, «voltar atrás» é um pleonasmo.

O que dizer perante isto? Podia começar a argumentar. «Ah, olha que não: eu posso voltar atrás, mas também posso voltar para casa dos meus pais, voltar para o país onde nasci…» Mas não vale a pena. A lógica da batata não morre à força de mais batatas.

O que posso antes dizer é isto: a expressão «voltar atrás» faz parte da nossa língua — e é tão portuguesa como:

  • «não há nada»
  • «para além disso»
  • «vou ali e já venho»
  • «da boca para fora»
  • «uma amiga minha»
  • «um sorriso nos lábios»
  • «tomar um café»
  • «um barco à deriva», etc.

Onde fui buscar esta lista? Já vi estas expressões condenadas sem apelo nem agravo por este ou aquele especialista instantâneo. O que estes especialistas fazem é isto: pegam num qualquer capricho de ocasião e alçam-no à categoria de facto da língua (ou então pegam no capricho de alguém que criou uma lista espertalhona e a enviou a todos os contactos).

E isso, meus caros, serve apenas para nos irmos irritando uns aos outros e para umas quantas almas sentirem no seu íntimo quão superiores são aos pobres falantes que dizem «voltar atrás» e «queria um copo de água».

Em conclusão: «voltar atrás» não é um erro de português. Aliás, experimentem lá tirar a palavra «atrás» das seguintes frases:

  • «Agora já não volto atrás.»
  • «Ele não volta atrás com o que prometeu!»
  • «Voltar atrás no tempo é impossível.»

Estas frases sem a palavra «atrás» são uma dor na língua, não são?

Toca a caçar os erros verdadeiros (que são muitos e variados) — mas que ninguém tente eliminar expressões inocentes da nossa língua só porque acordou maldisposto um belo dia. (E, já agora, não basta gritar «redundância» para encontrar erros…)

(Como este blogue teve uma enxurrada de inscrições de há uns tempos para cá, permitam-me lembrar que discuti muitas destas questões — «O que é um erro de português?» «Como escrever melhor?» «O que são erros falsos?», etc. — no livro Doze Segredos da Língua Portuguesa. Espero que gostem!)

Cem Maneiras de Melhorar a Escrita

Chegou esta semana às livrarias um livro que tive o prazer de traduzir e adaptar para português: Cem Maneiras de Melhorar a Escrita, de Gary Provost. A revisão ficou a cargo das mãos seguras de Ana Salgado.

Livros sobre escrita há muitos, como sabemos — mas este vale bem a pena. O autor apresenta-nos 100 ideias sobre como «escrever melhores cartas de amor, histórias, artigos de revista, cartas ao editor, propostas de negócio, sermões, poemas, romances, pedidos de liberdade condicional, boletins da paróquia, canções, memorandos, ensaios, trabalhos escolares, teses, grafitis, ameaças de morte, anúncios e listas de compras».

Por isso, já sabe: antes de escrever uma boa ameaça de morte, leia primeiro este livro — ou arrisca-se a não meter medo a ninguém. E, sim, as tais 100 maneiras de melhorar a escrita ajudam mesmo a desemperrar os dedos e a escrever melhor.


Os leitores deste blogue podem comprar o livro com 10% de desconto e portes de envio gratuitos — basta preencher o formulário abaixo. Boa leitura — e boa escrita!

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