Certas Palavras

Blogue de Marco Neves

Mês: Fevereiro 2015 (Página 1 de 4)

Sabe como se escreve “Portugal” em chinês?

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O nome de Portugal pode ter um aspecto muito estrangeiro.

Talvez o grego Πορτογαλία e o russo Португалия não sejam assim tão estranhos, principalmente se soubermos que, nos alfabetos grego e cirílico, “Π” é “P” e “P” é “R”.

Já se dermos um salto ao Cáucaso, temos o surpreendente e redondíssimo georgiano, em que o nome do nosso país é  პორტუგალია.

Um pouco abaixo, o arménio parece utilizar apenas “u”, “n” e “m” em várias direcções e feitios: Պորտուգալիա .

O árabe البرتغال é um deslizar de arabescos (neste ponto, um adolescente diria “dââh!”).

No oriente, o tailandês ประเทศโปรตุเกส lembra um código inventado por piratas.

O chinês, como sabemos, é outro mundo, opaco e misterioso, que não deixa de nos acicatar a curiosidade. Reparem: todos nós vivemos em 葡萄牙 — e não sabíamos.

E o catalão aqui tão perto…

É uma língua invisível para a maioria dos portugueses: ora porque raramente a ouvem, ora porque a confundem com o espanhol, por causa do efeito binário de que já falei aqui.

Mas, às vezes, lá aparecem umas palavritas de catalão por terras lusitanas, como neste aviso para levantamento de encomenda que recebi há pouco:

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A MRW parece usar documentos trilingues, com o espanhol em negrito (enfim…), o português em terceiro lugar e o catalão ali no meio.

Sim, eu sei, o tal terceiro lugar é um pouco irritante (ainda por cima em itálico, para chatear ainda mais), mas esqueçam lá isso e aprendam umas palavritas nessa língua desconhecida. Reparem no “enviament” (“envío” em espanhol), no “adreça” (“dirección”) e no “lliurament” (“entrega” em espanhol e português).

Não aparece na imagem, mas o nosso “por favor”, em catalão, é “si us plau”. Se acharem demasiado exótico, lembrem-se do “s’il vous plaît” e já faz mais sentido…

 

As vacinas e as infecções narrativas

AS VACINAS SÃO uma das maravilhas do mundo moderno — sim, eu sei que há muita gente que não gosta deste tal mundo moderno, gente que tudo faria para voltar atrás, mas talvez possamos todos concordar que há uma coisa ou outra que tem vindo a melhorar e uma delas é a mortalidade infantil.

Nos velhos tempos do século XIX morriam tantas, mas tantas crianças que poucas pessoas haveria que não tivessem irmãos falecidos durante o primeiro ano de idade. Ora, sendo normal, não era menor o sofrimento de cada uma das crianças vítimas de doenças que hoje já nem conhecemos — juntem a esse sofrimento o dos pais e pensem na importância e no valor de qualquer tecnologia que evite a morte de milhões de crianças.

Ora, durante o século XX, houve alguns desenvolvimentos que ajudaram a diminuir a mortalidade infantil para níveis muito baixos em todo o mundo (embora, como sabemos, com variações geográficas). Como sublinha a The Economist, tirando a água potável e o saneamento básico, nada contribuiu tanto para a melhoria da saúde dos seres humanos como as vacinas.

As vacinas são uma bomba atómica, mas boa: salvam milhões e milhões de crianças. Claro que não sabemos quais as crianças que foram, de facto, salvas, porque esta invenção actua a nível colectivo e não individual. Só quando uma sociedade implementa as vacinas em larga escala podemos notar os efeitos.

E que efeitos! Basta darmos o exemplo do desaparecimento da varíola: durante o século XX, esta doença matou mais de 300 milhões de pessoas — muito mais do que a Segunda Guerra Mundial. Hoje, não mata ninguém. Só por este motivo, as vacinas já deviam ser consideradas a grande invenção do ser humano. Muitas outras doenças diminuiram de forma espantosa, estando algumas a caminho da erradicação.

O mecanismo das vacinas é bem conhecido: introduz-se no corpo uma pequena quantidade dos micróbios que provocam cada doença, mas depois de os desactivar. Em muitos casos, o que entra no corpo são apenas invólucros vazios. O corpo pode, assim, treinar as suas próprias defesas naturais contra o micróbio (ou seja, criar os anti-corpos correctos) e, se vier a encontrar a doença no dia-a-dia, envia soldados muito bem treinados (os anti-corpos), não dando hipóteses aos invasores. No fundo, é a diferença entre termos um exército a combater uma invasão sem qualquer treino (pessoas não vacinadas) ou com anos de prática em cima (pessoas vacinadas).

ORA, A VERDADE é que anda por aí a moda de criticar as vacinas. Esta é uma mania que ainda não chegou em força a Portugal, mas não deverá demorar muito. Pelos vistos, nalguns meios, é “cool” ser anti-vacinação, como se fosse prova de lucidez duvidar duma tecnologia que salva milhões de pessoas e está mais do que testada por cientistas de todo o mundo e de todas as sociedades e sistemas políticos.

Muitas das pessoas que lutam contra as vacinas não o fazem por mal: pensam genuinamente estar a defender os seus filhos ao atacar as vacinas. Algumas argumentam com a liberdade, esquecendo que há coisas em que temos de aceitar alguma redução da liberdade: eu não sou livre de andar a conduzir embriagado. Além disso, a minha liberdade acaba onde começa a liberdade dos nossos filhos de crescer saudáveis. Alguns argumentam com a ideia de que as vacinas são uma espécie de ataque à natureza porque a vacinação é algo artificial e estamos a introduzir químicos nos nossos corpos. Ora, meus amigos, até a cozedura é algo artificial, se pensarem bem. E a natureza está cheia de venenos… O que importa é a realidade, não as palavras vagas que vamos atirando para cima uns dos outros.

Vou parar por aqui. Já estava a cair na tentação de argumentar, quando a discussão não é racional. Não há razões ou argumentos que convençam estes movimentos. Estamos a falar dum problema de infecção narrativa.

Neste caso dos movimentos anti-vacinação, quem neles acredita mistura o discurso anti-ciência a umas ideias muito vagas que associam as vacinas a tudo o que é industrial, artificial e aos lucros das grandes empresas (o facto de haver empresas a lucrar com alguma coisa não significa que essa coisa seja necessariamente má — há quem lucre com a educação…).

Estas pessoas lêem uns quantos artigos num qualquer site da indústria do pânico, conversam com alguns pais à porta da escola, sentem o medo pelos filhos que é o pão nosso de cada dia de qualquer pai — e, claro, desconfiam do que dizem os vários governos, desconfiam desses arrogantes cientistas, acham que enfiar coisas nos corpos dos filhos só pode ser algo muito mau — e ficam infectados com esta narrativa anti-vacinação que podemos chamar de doença narrativa, uma infecção de que os portadores talvez não tenham culpa, mas que tem consequências fatais para algumas crianças. Morrem por causa da ignorância dos pais.

Felizmente, os casos fatais são poucos porque a maioria da sociedade não sucumbiu a esta doença. Mas temos de estar atentos à epidemia que grassa por outros países…

Uma vez infectados, os doentes vai alimentando a própria infecção, conversando apenas com quem com eles concorda, ficando indignados com as opiniões contrárias, fechando-se num pequeno mundo onde estas narrativas fazem sentido e eles próprios são heróis no combate à grande conspiração global que está a tentar enfiar essas malditas vacinas nos corpos dos nossos filhos.

O QUE FAZER? Enfim, com alguma calma, convém explicar a quem ainda não foi infectado o que são as vacinas, para que servem, o que fazem, que riscos têm… — sim, porque, obviamente, as vacinas têm riscos, mas estamos a falar de riscos minúsculos em comparação com o risco quase certo de morte de milhões de pessoas por falta de vacinação.

Temos de ter noção da força do nosso inimigo: esta forte narrativa, uma vez introduzida num qualquer cérebro, sabe defender-se muito bem, acusando quem a combate de fazer parte duma qualquer conspiração. Imagino já algum leitor a abanar a cabeça e a pensar que estou a soldo das grandes farmacêuticas…

Não estou, claro. Estou do lado dos imensos cientistas que, por este mundo fora, tentam encontrar melhores vacinas e curas para as doenças que todos odiamos.

Quem nos dera a nós que os cientistas conseguissem encontrar vacinas para as doenças que ainda restam. Em vez de os andarmos a acusar de conspirações inexistentes, talvez fosse boa ideia apoiá-los nessa luta que é de todos nós.

Sete palavras japonesas de origem portuguesa

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As palavras portuguesas chegaram muito longe, como sabemos. Os japoneses estão do outro lado do mundo, mas usam algumas palavras que surgiram desta nossa fala do sul da Europa…

Convém esclarecer desde já uma coisa: “arigato” não tem origem portuguesa, ao contrário do que se diz por aí. É uma forma japonesa muito antiga, que só por coincidência faz lembrar o nosso “obrigado”.

Por contraste, as seguintes palavras são mesmo roubadas ao português (mas não vale a pena chamar a polícia, que nisto das palavras, ninguém fica a perder com os roubos). A lista completa (ou, pelo menos, mais completa) está nesta página da Wikipédia.

  1. イギリス・英吉利 (igirisu). Quem melhor do que os portugueses para ensinar aos japoneses o nome dos ingleses? Sim, esta palavra quer dizer “inglês” e ainda “Reino Unido“.
  2. ビードロ (biidoro). Também levamos para aquelas paragens o nome do “vidro”.
  3. フラスコ (furasuko). Talvez por ser feito de vidro, também é de origem portuguesa a palavra que significa “frasco“.
  4. ボタン・釦・鈕 (botan). Continuando ainda com objectos, temos o nosso “botão” a transformar-se no botão japonês.
  5. 木瓜 (marumero). Olhando agora para os vegetais, quem diria que o “marmelo” japonês é de origem portuguesa?
  6. パン・麺麭・麪包 (pan). E continuando pela senda dos alimentos, temos o alimento por excelência: o “pão“.
  7. パンドロ (pandoro). Não nos afastando do pão, os japoneses também têm uma palavra para “pão-de-ló” e é portuguesa, com certeza. O som leva-nos quase a pensar que, afinal, dizemos “pão de ouro”, o que até não está mal pensado.

(2/2/2015)


Já conhece o livro DOZE SEGREDOS DA LÍNGUA PORTUGUESA?

LIVRO

Como dizer “palavra” de Lisboa até Moscovo

Façamos uma viagem de Lisboa até Moscovo, usando não um avião, mas a palavra “palavra”, por um dos muitos percursos possíveis.

Começamos no português palavra, para termos, logo a seguir, o castelhano, com a pequena troca dum “v” por um “b”: palabra.

Passamos ao catalão paraula, já a soar a além-Pirenéus, depois fazemos um desvio exótico pelo basco hitza, que interrompe as suaves transições latinas e não lembra a ninguém. Ainda nem saímos da península.

Depois dum peculiar mot francês (sabendo nós que há uma “parole” com outros significados – os terríveis falsos amigos), continuamos pelo italiano  parola, que lembra o catalão (ou será o contrário?).

Saltamos para o lado dos eslavos, começando pela beseda eslovena e a riječ croata.

Interrompemos a viagem eslava na ilha magiar, com szó, depois voltamos às línguas latinas, com o romeno cuvânt.

Deixamos o nosso alfabeto para chegarmos ao ucraniano слово [slovo], seguindo pelo слова [slova] bielorrusso.

A seguir, voltamos às letras latinas, com o lituano žodis, o letão vārds e o estónio sõna.

Saltamos o báltico para chegar ao finlandês sana e damos uma volta final para chegar a Moscovo, com o russo слово [slovo].

Há pequenas curiosidades: o estónio e o finlandês aproximam-se (compreensivelmente), o primeiro deles usando o nosso conhecido til. As línguas bálticas não parecem vizinhas – e, por fim, para quem ache o ucraniano, bielorrusso e russo demasiado parecidos, não nos esqueçamos que, para eles, as formas portuguesa e espanhola são quase iguais.

Só para acabar, outras paragens, que ficam como desafio: kelime, từ e o lindíssimo orð. Tudo outras formas de dizer “palavra”.

 

Uma língua só com verbos irregulares?

Todos sabemos como são os verbos irregulares: umas palavras mal-comportadas, que têm umas regras a cumprir e dão-se ao luxo de as ignorar só porque sim.

O inglês, por exemplo, tem as suas regras de formação do passado, com o “ed”, mas depois lá vêm os verbos irregulares trocar-nos as voltas, rindo-se de nós, pobres aprendizes de línguas estrangeiras: “ah, connosco tens mesmo de decorar”. E ficamos com os “drank”, “sang”, “put” e outros que tais.

Curiosamente (não sei se já repararam), as crianças não têm qualquer problema em aprender os verbos irregulares da sua própria língua: dão um ou outro tropeção inicial e depois nunca mais se lembram do problema.

Tanto assim é que é muito difícil para qualquer um de nós dizer quais são os verbos irregulares da nossa própria língua.

Parece que o cérebro dos bebés aprende qualquer língua, independentemente da complexidade.

E, o certo, é que existe pelo menos uma língua cujos verbos são todos irregulares: o navajo. Esta língua norte-americana (que chegou a ser usada como código de comunicação durante a II Guerra Mundial) tem verbos que odeiam regras. Nenhum deles segue uma qualquer tabela de conjugação.

Então, como é isto possível?

É possível, claro: as crianças que aprendem navajo como língua materna não notam que há qualquer coisa de diferente na sua língua.

Já os adultos que se atrevem a aprender esta velha língua índia vêem-se a braços com uma tarefa digna dum Hérculas das línguas.

Um livro interessante que descreve o fenómeno (e ainda apresenta uma excelente teoria sobre a razão por que línguas como o inglês e o persa são tão regulares) é What Language Is, de John McWhorter.

Bem, quem não quiser leituras deste tipo, fique-se por aprender a dizer os números em navajo (se conseguir):

  1. tʼááłáʼí 
  2. naaki 
  3. tááʼ 
  4. dį́į́ʼ 
  5. ashdlaʼ 
  6. hastą́ą́ 
  7. tsostsʼid 
  8. tseebíí 
  9. náhástʼéí 
  10. neeznáá 

Quem são os reintegracionistas galegos?

Sem que muitos portugueses desconfiem, há um movimento galego que luta pelo reconhecimento público de que o galego e o português são uma só língua. Falo dos reintegracionistas.

Perguntarão algumas pessoas: por que razão não insistir na autonomia da língua galega quer em relação ao espanhol quer em relação ao português?

Muitos reintegracionistas dirão que é simples respeito pela verdade dos factos: o galego e o português funcionam, em muitos aspectos, como um sistema linguístico comum, principalmente se usarmos uma perspectiva histórica.

Pessoalmente, juntaria a este argumento factual (sempre perigoso nestas coisas das línguas e das identidades) um argumento prático: o galego está ameaçado pelo espanhol, não pelo português. Uma perspectiva que junte o galego ao português dá-lhe uma força que não teria sozinho. Como mera língua regional, o galego está ameaçado. Como um dos três ramos principais do português (galego, português de Portugal e português do Brasil) há uma comunidade internacional a dar força à língua.

Ou seja, os galegos vêem-se na posição de poder dizer que a sua língua é falada por 200 milhões de pessoas, ao mesmo tempo que resistem à erosão do seu uso, por substituição pelo espanhol.

Assim se explica que alguns dos mais entusiásticos defensores da lusofonia sejam galegos.

Como complemento, republico aqui (sem qualquer alteração) este comentário de um leitor galego a um post anterior:

“A mim pessoalmente, o galego serve-me para perceber sem dificuldade o que o senhor escreve sem ter estudado nunca a língua de Camões.

Acho que o senhor também não há ter demasiados problemas para perceber o conteúdo destas linhas nem para identificar o código como português , embora seja um português esquisito. E, insisto, eu nunca estudei a língua portuguesa!

Em resumo, o galego serve-me para comunicar-me com mais de 200 milhões de pessoas espalhadas ao longo de quatro continentes.

Se a isso somamos o castelhano, já temos mais de 500 milhões (sem contar os utentes que tenham o espanhol como segunda língua). Isso sem muito esforço. O potencial linguístico da Galiza é enorme. Ou será, o dia que acheguemos o galego um bocadinho do português.”

 

Cinco palavras francesas de origem portuguesa

Já andámos na senda das palavras portuguesas que foram roubadas pelos ingleses, pelos espanhóis, pelos japoneses

Hoje é dia de vermos cinco exemplos (entre muitos outros) de palavras francesas que tiveram origem por estas bandas, os chamados lusitanismes:

  1. Albatros. Curiosamente, tal como em inglês, o nome francês deste pássaro tem origem portuguesa. Lembra-nos as viagens marítimas de antanho, quando os Portugueses descobriram pássaros e plantas… [Nota: ver comentário abaixo de Fernando Venâncio.]
  2. Bambou. Uma dessas plantas foi esta mesma, o bambu. Lá trouxemos o nome da planta e emprestámo-lo aos franceses, que apenas se atreveram a substituir o nosso “u” pelo “ou” deles.
  3. Baroque. Algum tempo depois dessas descobertas que nos trouxeram tantas palavras novas, estávamos já embrenhados em construir igrejas deste estilo cujo nome emprestámos ao povo que, entretanto, começou a ser a luz das elites portuguesas…
  4. Caste. Por falar de extractos sociais, temos as castas. Também essa palavra emprestámos aos franceses, provavelmente por termos andado a descobrir o caminho marítimo para o país onde estas são parte da vida.
  5. Fétiche. E, por fim, este fenómeno curioso: esta palavra francesa que nós importámos tem, por sua vez, origem portuguesa (vem de “feitiço”). As palavras são assim, andam sempre a vadiar…

O meu filho e o lobo mau

Lobo MauTodas as noites conto uma ou duas histórias ao meu filho. Não me parece que tenha grande efeito no que toca a dormir, porque ele está tão acordado no fim da história como no início, mas tudo bem.

Tenho livros de histórias, mas acabei por me habituar a inventar à medida do dia e do que nos apetece (a mim e a ele). Às vezes, lá temos ilhas com tesouros, outras vezes barcos numa praia, histórias numa floresta e, claro, muitos animais e meninos com os nomes dele, dos primos, da prima e dos amigos.

O engraçado é que ele me obriga a enfiar certas personagens nas histórias. Ainda ontem estavam ele e os primos a chegar a uma sala onde se escondia um grande tesouro, quando ele me pergunta: «e o ‘obo mau?»

Lá tive de imaginar o lobo mau a aparecer de algum lado, para os ajudar a descobrir, afinal, onde estava o tesouro que dali tinha desaparecido.

Por algum motivo, ele gosta do lobo mau e fica muito contente quando, nalguma das histórias que vou inventado, os três porquinhos acabam o dia a conversar, animadamente, com o Sr. Lobo.

Imagino que o lobo até agradece ao meu filho, que isto de andar sempre a caçar leitões com a mania que são construtores cansa e não é pouco. Às vezes, mesmo a um lobo mau, o que apetece é conversar.

Já por estas bandas do mundo real, às vezes até apetece ficar a contar histórias, sem que nos venha o sono.

Escreve-se cada vez pior?

Não sei. Mas como muito bem diz Johnson (o pseudónimo do blogger sobre línguas da revista The Economist), a ideia de que a língua está em decadência e os jovens escrevem mal é tão antiga como a própria escrita.

Ou seja, nunca houve um momento na história em que a teoria corrente fosse: “ah, agora sim, estamos todos a falar melhor! Os jovens andam a escrever muito bem, hoje em dia!” Na cabeça de muita gente, a linguagem dos jovens vai sempre de mal a pior.

Porquê? Não sei bem, mas presumo que tenha a ver mais com a psicologia dos queixosos do que com as competências linguísticas dos jovens. Se a língua estivesse em decadência desde o tempo dos sumérios, hoje em dia já ninguém saberia dizer uma só palavra. E elas, as palavras, aí estão, tão vivas como antigamente.

A não ser que seja uma decadência tão vagorosa que quase nem se nota.

Ou então, agora é que é! Agora é que isto vai mesmo de mal a pior!

Será?

Por algum motivo, acho pouco provável.

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