Certas Palavras

Línguas, livros e outras viagens

Mês: Março 2016 (Página 1 de 3)

Brasil e Portugal: o tamanho importa?

Há uns meses encontrei esta foto no Twitter, com a legenda “o Brasil é enorme”:

BRASIL-TAMANHO

Ora, um português, perante isto, lembra-se logo disto, um cartaz de propaganda do Estado Novo:

PORTUGAL-TAMANHO

A diferença, claro, é que o Brasil é de facto enorme e Portugal estava apenas a fingir (até porque uma boa comparação teria de pôr as colónias dos outros países europeus ali ao lado).

Mas há algo que me intriga: Portugal fazia isto (ou melhor, o Estado Novo fazia isto) para se arrogar uma grandeza territorial que só tinha na imaginação colonialista da altura. Havia uma certa provocação e um certo sentimento de inferioridade. E também uma certa pena de não sermos realmente maiores.

Já o Brasil é, de facto, grande. Enorme. É um dos maiores países do mundo em território. É, como diz o hino, um colosso.

Mas por que razão é preciso afirmá-lo como se fosse algo desconhecido? Como se fosse uma afirmação política, que partilhamos no Twitter? Se virmos bem, no caso do Brasil, é quase tão estranho como Portugal fazer um cartaz a dizer “Portugal é maior do que Andorra!”

Quando olho para a imagem do Brasil com os outros países dentro, vejo medo que alguém não perceba que o país é mesmo muito grande. Por via das dúvidas, convém até pôr no hino que são um colosso. Que ninguém se engane, por favor.

Não vejo os norte-americanos ou os canadianos com necessidade de afirmar a grandeza do território através de comparações com países europeus. Talvez haja também aqui alguma da insegurança de país pequeno que o Brasil herdou de Portugal. Um pouco como um filho gigante de pais pequenos que gosta de sublinhar que é muito grande.

Ou talvez seja outra coisa qualquer — talvez seja apenas uma forma de afirmação, necessidade que todos os países sentem. Se temos um grande território, sublinhemos o grande território…

Afinal, nós por cá também andamos com tendência para isto:

PORTUGAL-MAR

(Esta última imagem encontrei-a num post do Malomil sobre este mesmo assunto.)

Por fim, a teoria que julgo mais acertada, neste tema tão difícil e fugidio: no fundo, temos (portugueses e brasileiros) alguma inveja da suposta importância alheia, do tamanho simbólico dos outros países. Precisamos, assim, de mostrar o tamanho do corpo, para compensar a pouca importância que julgamos ter, o nosso diminuto tamanho simbólico.

Será isso?

O prazer dos livros à sorte (ou como viajar sem livros não presta)

LIVROS NA BAGAGEM. CAPÍTULO 1.

Não sei se tem perdão, mas quando viajo de avião tento fazê-lo de forma não muito cara. Calha assim voar na Ryanair, o que põe em polvorosa quem percebe de aviões, mas nada posso fazer: é barato e leva-nos onde queremos. E o certo é que a viagem para Londres é rápida e indolor, pelo menos se o avião não cair. Para quê pagar mais 200 euros só para comer um mau almoço? Sim, eu sei, há outras considerações nisto tudo. Mas pronto, repito isto: espero que me possam perdoar.

Pois tudo para dizer que a tal companhia do Ryan tem umas regras muito apertadinhas quanto às bagagens. E, sim, uns gramas a mais podiam deixar-nos com uma multa tão cara como o próprio bilhete. Assim, nada de abusar da roupa e muito menos desse pesadelo que são os livros (pesadelo no sentido de peso).

Vim então visitar o meu irmão a Cambridge. E vim na Ryanair. E trouxe um só mísero livro. Que horror, não é? Uma semana, um livro?

Ora, claro que não. Porque se o livro veio sozinho para Inglaterra, há-de ir bem acompanhado para Portugal. Calculámos tudo (eu e a Zélia) para ter espaço para os livros no regresso.

E ainda a semana vai a meio e já tenho uma pilha de livros na estante do meu irmão prontos para transporte para Portugal na bagagem dum singela família que reza aos deuses para que os gramas não ultrapassem os caprichos das balanças do aeroporto.

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E o bom é que ficaram baratíssimos. Alguns destes custaram 2 libras… O mais caro terá sido 9 libras. No total terei gastado umas 25 libras para sete livros. Não é mau!

A minha cunhada Sofia pergunta-me se os vou ler todos: não faço ideia. Mas já vão todos com uma ou duas dentadas — e um deles até já vai bem comido.


Ah, e que prazer foi entrar numa livraria com seis andares… Numa cidade como Cambridge há muitas outras, todas apetitosas, mas esta enche-me as medidas de leitor de tão completa que é. Há mesas tão específicas que fico com a cabeça a andar à roda: a mesa dos romances policiais de Cambridge; a mesa dos livros para ajudar a decidir se o Reino Unido há-de ficar ou sair da União Europeia; a mesa dos livros para perceber melhor a economia dos últimos 10 anos; estão a ver a ideia.

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Ora, em viagem, os livros vou escolhendo-os ao sabor das capas, do dinheiro que acho que devo gastar, do interesse do título, do folhear das páginas. Os livros que quero mesmo comprar vêm pela Amazon ou encontro-os nas livrarias lá da terra. Por exemplo, dos livros ingleses, ando há algum tempo a querer The Buried Giant, de Kazuo Ishiguro, e The Noise of Time, de Julian Barnes. Ora, já peguei neles uma ou duas vezes nestes dias, mas não os trouxe. Isto porque quando viajo, gosto de ir pelos meus dedos, rezando à deusa chamada Serendipity.

E foi assim que, entre livrarias antigas, outras de desconto, acabei com a pilha que vos mostrei acima. Prometi a mim mesmo que ficava por aqui, mas ainda tenho aqueles dois debaixo de olho. Mas esses talvez fiquem para comprar em Lisboa, que a Ryanair não perdoa — e ainda tenho de levar três livros que uma amiga me pediu para um amigo dela (a malta dos livros é uma máfia, ah pois é).

84 Charing Cross Road, de Helene Hanff

Uma americana compra livros à distância a uma livraria inglesa nos anos 50 e 60. Por carta. Torna-se amiga do livreiro. E nada disto é ficção, neste livro que recolhe essas mesmas cartas. Veio a ser uma peça de teatro e um filme de 1987 com Anne Bancroft e Anthony Hopkins. Se o ler e se a vontade assim o ditar, dir-vos-ei o que achei. Para já, encontro muitos nomes de livros no meio daquelas páginas. Água na boca, água na boca…

Accidence Will Happen, de Oliver Kamm

Deste já aqui vos falei e parei de ler porque estava a concordar demasiado com o autor. Tenho de me acalmar e lê-lo com mais vagar e mais espírito crítico. É um livro cruel para todos os puristas da língua. Saem com as orelhas a arder. (Foi escrito por um antigo purista, entretanto curado de tal mal.)

Já que o elogiei tanto, fica aqui um pequeno reparo: o título baseia-se num trocadilho muito rebuscado. O autor explica-o no texto, mas por ser tão difícil de apanhar, muitos tenderão a achar que é apenas um erro intencional («accidence» em vez de «accidents»), dando munições aos tolos que acham que os linguistas e todos os que se tentam afastar da visão purista e simplista da língua são, de alguma maneira, a favor dos erros (tanto que até os põem na capa só para irritar). Nada de mais errado, claro. Mas tendo em conta a forma simplista como muitos puristas vêem a língua, não me admiro que pensem isso deste livro. Ou talvez já seja eu a pensar demasiado…

Matilda, de Roald Dahl

Já conhecia contos de Roald Dahl para adultos e já vi, claro, o filme. Mas nunca tinha lido a Matilda em livro. Encontrei-a enquanto estava com o Simão no andar dos brinquedos e livros infantis da Waterstone’s. É um livro deliciosamente incorrecto (começa com o autor a imaginar-se professor e a arranjar formas de insultar os alunos nas avaliações) e malandro como só as crianças sabem ser (e Roald Dahl, claro está). É possivelmente a defesa da leitura mais implacável que conheço. Não consigo parar de ler. A Matilda é a heroína de todos os que vivem entre livros num mundo que não gosta de ler. E dá para rir sem parar.

Millennium, de Tom Holland

Um livro de divulgação histórica sobre a Europa por volta do ano 1000. Entre reis, cavaleiros e muita guerra e aventura, esta é uma História a sério, escrita de forma empolgante, pelo menos a julgar pela pequena dentada que lhe dei. Mais veremos lá para frente.

Junk Mail, de Will Self

Nada tenho a declarar. Talvez um dia, se me apanharem.

Falling Upwards, de Richard Holmes

Este é um livro sobre balonismo (!). Sim, eu sei, é um tema incrivelmente específico. Mas, às vezes, os temas específicos levam-nos a descobrir perspectivas sobre o mundo e sobre a História que nos seriam invisíveis se nos mantivéssemos no geral e naquilo que nos interessa à partida. O folhear do livro levou-me a apostar nele, no espírito de sorte e azar que estas coisas implicam. Veremos.

The Canterbury Tales, de Geoffrey Chaucer, recontados por Peter Ackroyd

Há muitos muitos anos, li estes contos por imposição universitária. Agora, apeteceu-me lê-los numa outra versão, em prosa e em inglês actual, reescritos por Peter Ackroyd. «When the soft sweet showers of April reach the roots of all things…» Sim, as traduções também servem para isto: manter os clássicos de há muitos séculos bem próximos dos leitores de hoje em dia.


Agora, uma confissão: ao contrário do que vos disse no início, trouxe mais do que um livro para cá. Trouxe várias dezenas.

Mas não menti: só trouxe um livro em papel. Tenho as tais dezenas de outros livros no telemóvel. Aliás, um dos dois livros que estou a ler de fio a pavio por estes dias está em formato electrónico.

Para quê andar com volumes atrás, se não me importo de ler no telemóvel? Acho sinceramente que o livro em papel tem vantagens que compensam as dores de costas de os transportar, o pó que temos de limpar e tudo o mais. O livro é também um delicioso objecto, que apetece folhear e mordiscar. Não vai desaparecer. Só que não temos de nos impedir o melhor de dois mundos: papel nuns casos, pixeis noutros. Nada nos obriga a ter de escolher.

Agora que é um prazer ler e falar do que lemos, lá isso é. E não acham que um dos maiores prazeres de viajar é ler, misturando de forma imprevisível as memórias dos sítios por onde passamos com as memórias dos livros que lemos?

A síndroma OOSP («Os Outros São Parvos»)

Episódio 1: em resposta ao meu artigo anterior, alguém diz, no Facebook, que a expressão «espaço de tempo» (como em «num curto espaço de tempo») é parvoíce, porque qualquer pessoa que tenha aprendido alguma coisa de Física sabe que o tempo e o espaço são distintos.

Episódio 2: uma página humorística apresenta a seguinte imagem como mais uma prova da estupidez humana:

PISSE

O que se passa aqui? Ambas as pessoas (o comentador do episódio n.º 1 e o autor da página no episódio n.º 2) presumem sem duvidar que há quem confunda o tempo com o espaço ou que não saiba que «peace» não se escreve «pisse».

Tanto num caso, como no outro, estão a subestimar os outros. As expressões espaciais para falar do tempo não implicam que a pessoa que as usa seja tão estúpida que não saiba que o tempo e o espaço são diferentes. São apenas uma forma de falar do tempo usando metáforas visuais, facilitando a sua compreensão. Fazemos isto com muitas expressões e em muitos campos do saber. A linguagem seria impossível sem esta capacidade de expansão através da metáfora.

No caso da imagem, esquece-se o humorista que pode haver trocadilhos muito belgas. E mais não digo quanto a isso.

Ou seja, no primeiro caso, não é impossível que alguém seja tão estúpido que não perceba que espaço e tempo são diferentes. Não é impossível, mas é extraordinariamente improvável! No segundo caso, talvez não seja tão improvável assim que haja quem não saiba escrever bem «peace», mas quem conhecer Bruxelas saberá que «pisse» remete para um certo e determinado menino e, por isso, a probabilidade de estarmos perante um disparate diminui de forma muito marcada.

Numa frase: é boa ideia dar o benefício da dúvida antes de chegar a conclusões tão definitivas sobre a estupidez dos outros.

Afinal, quem subestima os outros arrisca muito. Todos nós, naturalmente, sobrestimamos as nossas capacidades e subestimamos as capacidades dos outros. Por exemplo, na estrada, quase todos os condutores julgam ser melhores do que os outros. Muitos acidentes terão origem nesse excesso de confiança. Noutros casos, achamos que os outros são parvos e acabamos por ser injustos sem necessidade.

Por tudo isto, mais vale apostar nisto: nem sempre os outros são tão parvos como nós os pintamos na cabeça. O mundo é surpreendente, vão por mim. Em caso de dúvida, mais vale sobrestimar os outros. É mais seguro.


 

E agora um final feliz: para provar que nem sempre as coisas correm mal no Facebook, tenho a dizer que a discussão relatada no episódio n.º 1 acabou em bem. Apesar de não concordar com o comentador, o diálogo foi muito civilizado e houve até um aproximar de posições. Incrível, não é?

As superstições da língua

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Este gato não faz mal a ninguém — e o «espaço de tempo» também não!

Há esperança! Há esperança! Para todos os que andam perdidos no pântano do pedantismo linguístico, não desespereis! É possível sair do pântano!

Encontrei um livro nas minhas andanças dos últimos dias — depois conto-vos quais foram — que é uma maravilha.

Um antigo «stickler» do inglês (uma expressão para «pedante» ou «paniqueiro»), que passava o tempo a dar conselhos linguísticos com pouco fundamento num jornal, percebeu que estava errado e passou a olhar para a língua com outros olhos, depois de a estudar melhor e deixar de lado as superstições infantis.

Descobriu que a língua não está em decadência, que há regras e «regras», que podemos e devemos discutir o uso da língua, mas com base nos factos e não das superstições e — o que é verdade — as ideias erradas dos pedantes são prejudiciais para quem quer escrever bem.

Deixou de dar conselhos? Não, mas passou a dá-los com mais exigência e conhecimento, clareza e tolerância — com um pouco de civismo linguístico!

Agora, digo-vos isto porque gostei dessa palavra que ele utilizou: de facto, muitas das proibições que por aí se espalham são superstições. O medo do «espaço de tempo», do «copo de água», do «não há nada» e de tantos outros supostos erros que não são erros coisa nenhuma são superstições dos inseguros da língua: são pessoas que acham que se conseguirem proibir tais construções vão obrigar os outros a pensar melhor e a escrever melhor.

Não: vão apenas amputar a nossa língua e mostrar falta de respeito pelos falantes da língua.

Claro que os supersticiosos contrapõem logo: lá vêm estes dizer que vale tudo!

Não, amigos: dizer a um supersticioso que pode entrar em casa com o pé esquerdo não é o mesmo que dizer que pode entrar com os sapatos todos sujos. Percebem a diferença? Mais (só para ficar claro, já que os pedantes gostam de exagerar): dizer a uma criança que pode pisar as pedras brancas e azuis da calçada sem problemas não é o mesmo que dizer que pode atravessar a estrada sem olhar.

Que se limitem a eles próprios, enfim, ainda se aceita. Mas o problema é que os tais supersticiosos da língua querem obrigar toda a gente a andar só pelas pedras azuis e a entrar em casa sempre com o pé direito — só para se sentirem bem, provavelmente. E se não concordarmos, ainda nos insultam, dizendo que não sabemos andar (neste caso, falar). É tão normal ouvi-los acusar toda a gente e mais alguma de não saber falar como deve ser…

É curiosíssimo como estas superstições surgem em várias línguas e em várias épocas. Não é um problema só nosso. Valha-nos isso.

Ora, amigos que tremem de medo ao usar a língua: vá, não sejam supersticiosos. Todos podemos escrever e falar cada vez melhor sem andarmos a atirar uns aos outros superstições infantis e inúteis.

Para quem estiver interessado em saber de que livro estava eu a falar, aqui fica:

Antes de te fazeres explodir, fica a saber…

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Sim, é verdade: somos todos muito impuros. Dizemos o que queremos, zangamo-nos uns com os outros, até nos insultamos. Gostamos de blasfemar (paciência). Vivemos entre gente que faz sexo como não deve, também: antes do casamento (ui), entre gente do mesmo sexo (ui, ui) e tudo isso. Há quem não goste, mas não anda a matar por causa disso. Sim, somos gente que peca a torto e a direito e se arrepende (ou faz pior no dia seguinte). Que horror, não é? Sim, vivemos em decadência, se quiseres. Acreditamos numas coisas num dia, noutras no dia seguinte. É uma tristeza. Misturamo-nos uns com os outros. Viajamos. Ouvimos música. Tentamos divertir-nos e ser um pouco felizes.

Agora, a novidade: não somos os Outros. Não se trata duma guerra entre muçulmanos e ocidentais: isso querias tu, mas tu não percebes nada de nada. Na verdade, nós estamos em todo o lado. Somos a gente normal que vive em todo o mundo, na Europa, nos países muçulmanos, nos países de outras religiões, nos países sem religião nenhuma: crianças e adultos que tentam viver o melhor possível.

Sim, ouviste bem. Somos os teus inimigos e estamos em todo o lado: seres humanos normais, cheios de defeitos, que duvidam e hesitam e não se explodem entre pessoas que não fizeram mal nenhum.

Tu és do restrito clube dos doidos varridos, dos iluminados, dos tarados da pureza, daqueles que dão mais valor a Deus do que à fraca carne humana, que vivem infectados com uma ideia muito pura, muito linda e tão, mas tão errada. Tu queres o mundo perfeito agora e já, nem que seja à força da bomba. Estás cheio de raiva e não tens cabeça para pensar melhor. Estás todo confundido. Infelizmente, a tua doença mata muita gente. Ao contrário de ti, sabemos que, no fundo, és tão humano como nós. Só que és fraco e uma besta, embora não saibas. Paciência. Tudo será perdoado, mas se o teu Deus de facto existir, fica a saber que te vai mandar direitinho para o inferno.

Chega-te para lá, se faz favor. Vai-te lá explodir para o meio do campo. Manda cumprimentos lá em baixo.

Portugueses em Paris, um livro de espantar e ainda a primeira fotografia dum ser humano

Ora, vamos lá ver uma coisa: somos um país de emigrantes e sempre fomos, pelo menos se considerarmos «sempre» uma palavra que abarca as últimas cinco décadas. Mas há diferenças, não só entre as gerações de emigrantes, como também entre as famílias que emigram e os interesses das famílias que emigram e as maluqueiras das famílias que emigram.

Pois, se há uns quarenta anos tive primos e tios que foram para as franças e canadás desta vida, tenho agora um irmão que foi para as inglaterras de agora há uns oito anos. O que se passa agora é que o pobre do emigrante nem sempre se consegue escapar a que às duas por três apareça a família toda à porta. Os meus pais já chegaram a fazer surpresa ao meu irmão, aparecendo por lá sem dizer nada. Isto já não é mesmo como antigamente.

Numa dessas viagens em família a visitar o emigra privativo cá de casa e sua esposa, que já foram muitas, fomos de carrinha de nove lugares por essa Europa acima, para os visitar em Cambridge e para, depois, irmos com eles a Paris. Há coisas piores na vida do que viagens destas — embora a gente duvide um pouco quando, já cansados, depois duma longa viagem até à fronteira entre Espanha e França, ali mesmo no meio do País Basco, aparece uma placa a dizer «Paris — 800 km», e sabemos que depois de Paris ainda temos muito que andar até Cambridge, incluindo um canal da Mancha inteirinho. O entusiasmo da viagem, nesse momento, é um aperto e um aconchegar do rabo ao banco, que isto ainda vai demorar. Muitos livros, muitos livros, e muito olhar pela paisagem fora.

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Adiante, portanto, que se faz tarde.

PARISIANSFomos a Cambridge, lá estivemos algum tempo, dei as minhas voltas pelas livrarias da cidade (ah, bliss) e, sabendo que ia a Paris, chamou-me a atenção este livrinho, cujo autor não conhecia, mas que me aparecia recomendando com grande destaque na Waterstone’s lá do sítio. Pego nele e compro.

Parisians, de Graham Robb. Garanto-vos que o livro é muito melhor do que possam imaginar antes de o ter lido. Garanto que vale a pena, mesmo para quem não gosta de livros sobre cidades e mesmo para quem não gosta de Paris.

Ainda antes de chegar a casa do meu irmão, estava agarrado ao raio do livro. Continuei agarrado enquanto púnhamos as malas no carro, continuei agarrado enquanto íamos pelas estradas inglesas fora e só não terminei o livro ainda antes de chegar à Mancha porque entretanto fez-se noite.

Foi nessa viagem de Cambridge para Paris que ficámos cinco horas à espera de lugar nos comboios do túnel da Mancha. Não nos lembrámos que, nas férias da Páscoa os ingleses invadem o Continente, e lá ficámos entretidos na carrinha, a amassar o tempo até podermos entrar no comboio.

Pois, com o atraso, só chegámos a França aí por volta das quatro da manhã e acertámos a chegada a Paris mesmo com a hora de ponta, com o sono a escorrer-nos nos olhos, o que me custou especialmente a mim, que me calhou a sorte de atravessar Paris a conduzir até chegar ao hotel marcado no dia anterior — que, digamos, não era exactamente no centro de Paris, mas numa estação de serviço numa auto-estrada lá por perto (não tínhamos reparado). É o que dá marcar coisas à última hora — bem, quem conhecer as estações de serviço francesas há-de saber que a coisa não é tão escabrosa como possa parecer; poucos hotéis haverá em Portugal tão bem integrados num jardim maravilhoso como aquele hotelito de estação de serviço.

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Bem, depois de dormir uns minutos, lá fomos nós passear por Paris, e eu com o livro. Fomos encontrar-nos com um amigo do meu irmão para jantar em Montmartre, num restaurante de comida típica do sul de França, onde comi a melhor salada da minha vida, e eu com o livro (que tentei não sujar de azeite). Subimos até lá acima e eu de livro na mão — e vi-me a intercalar a leitura desta comédia humana parisiense com as vistas da própria cidade, ao entardecer.

Passeámos por Paris, de noite, de dia, por metro, durante uns dois dias inesquecíveis. E foram inesquecíveis também porque fomos à Eurodisney e eu tinha aquele livro na mão…

Ora bem. Eu sei que o Louvre e tudo o resto é um milhão de vezes mais significativo do que a Eurodisney. Mas isto merece ser contado. Fomos a primeira vez a Paris quando eu tinha 16 anos. Fomos, também nessa altura, à Eurodisney. Foi um espanto. Fiquei maravilhado com aquilo. Mas entre 1996 e 2011 muita coisa aconteceu, incluindo a passagem do século e metade da minha vida até então (em 1996, não sabia para que faculdade iria estudar; pensava que ia estudar história, quando terminei noutras lides; havia bairros de Lisboa que ainda não existiam).

Ora, o que em 1996 foi um espanto, algo que nunca víramos, era agora uma série de filas intermináveis (férias da Páscoa, meus senhores!) para ver uma espécie de carrinhos de choque da Disney ou algo do género. Em 1996, achei os Piratas das Caraíbas uma coisa do outro mundo. Parecia mesmo que estávamos nas Caraíbas, à noite, quando lá fora ainda era dia. Agora, achei a coisa fraquinha, principalmente depois de passar duas horas numa bicha. Outro exemplo: a Casa Assombrada fez-me medo em 1996 e fez-me rir em 2011.

Estão a ver a ideia…

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Mas pronto, deu para estarmos todos, a falar como qualquer português, a discutir como qualquer família em viagem, e a ler, como qualquer família que tem de aturar um viciado em livros.

No meio de milhares e milhares de turistas em filas absurdas, fui lendo o livro inglês sobre Paris, uma coisa magnífica como nunca pensei encontrar num livro sobre uma cidade.

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A primeira foto dum ser humano, por Louis Daguerre, numa rua de Paris («Boulevard du Temple»). A foto foi tirada em 1838. O livro de que estou a falar conta a história desta foto. Conseguem encontrar as pessoas? Pensem bem: esta foto tem quase 180 anos.

O livro começa com um jovem que descobre algumas verdades sobre a vida no Palais-Royal, às mãos duma prostituta, que nunca adivinharia que estava a mostrar o mundo ao futuro imperador dos franceses. Continua com a história da rua que se afundou nas profundezas de Paris e do homem que salvou a cidade de implodir. Há rainhas perdidas pelas ruas em tempos de revolução, pedras da calçada que são parte da história, as primeiras fotografias da cidade, que nos transportam para um amanhecer do século XIX, grandes engarrafamentos de dois ou três carros num boulevard, e muito mais.

Temos ainda Marcel Proust no metro, Sarkozy nos subúrbios, de Gaulle a escapar a assassinos, o TGV e muito mais que não cabe num resumo perdido num humilde blogue de línguas em Portugal — é um livro de história, ou de viagens, ou sobre pessoas, um livro de não ficção que usa todos os recursos da ficção, para nos prender a uma cidade sem percebermos bem como.

Este livro surpreendeu-me e deixou-me apaixonado por uma Paris que encontrei numa livraria de Cambridge, lida em inglês. Isto das purezas culturo-linguísticas nunca foi para mim…

Portanto, em comparação à viagem de há quase vinte anos, nesta outra viagem, Paris teve outro sabor, não só porque tinham passado tantos anos, mas porque nós éramos outras pessoas, e, no meu caso, porque tinha aquele livro na mão — e também, já agora, porque levava a minha mulher comigo, e Paris em casal (mesmo com a família em redor) é muito diferente de Paris vista por um adolescente solitário (mesmo com a família em redor). Ou seja, nesta Eurodisney do século XXI, já com sabor de coisa velha, enquanto famílias e famílias continuavam parados numa fila interminável, eu passeava por Paris, entre várias épocas, visitando a cidade como nunca o poderia fazer passeando pelas próprias ruas.

Meus amigos que dizem que gostam mais de viver do que de ler — vejam lá se compreendem isto duma vez por todas: quem anda sempre com um livro atrás vive mais, porque preenche esses vazios que encontramos todos os dias com mais vida, mais ruas, mais histórias, mais pessoas. Não sei se os livros nos fazem viver melhor; mas fazem-nos, certamente, viver mais.

O meu irmão e a minha cunhada voltaram para Cambridge e nós seguimos para sul. Esse foi o momento mais complicado. Muitas pessoas choram essas separações regulares nos aeroportos. Nesse dia, foi num bairro indistinto das franjas de Paris, perto do metro (o metro mais perto do hotel), onde os deixámos, para seguirem até à estação de comboio e partir para Inglaterra. Talvez aquela rua nunca tenha visto uma cena dessas: uma família portuguesa a despedir-se num “até à próxima” que cada vez mais portugueses sabem quanto custa. Mas, pronto, Paris sempre foi muito portuguesa e também sempre foi um pouco da nossa família. Limpas as lágrimas, lá seguimos, para os nossos respectivos países, uma família portuguesa, com certeza.

O que fazer quando um país tem várias línguas?

https://www.flickr.com/photos/mpd01605/3809855101

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Pensem em países com várias línguas: por exemplo, a Espanha e o Canadá.

O que se faz nestes casos?

Bem, em Espanha, uma das línguas é considerada a principal. As outras são brincadeiras lá das regiões. Os bascos, catalães e galegos podem falar as suas línguas, mas têm o dever (constitucional) de aprender a língua nacional. Nada contra esse dever, mas o contrário não acontece: os que falam castelhano estão safos de aprender outra língua de Espanha que não seja a sua.

No Canadá, as duas línguas são ensinadas a todos e usadas a nível federal. São consideradas ambas línguas nacionais e a ambas é dada a dignidade de Estado que leva a que o primeiro-ministro canadiano fale também em francês quando vai aos E.U.A. (vejam o seguinte vídeo, a partir do minuto 9:40).

Repare-se que até Obama diz «Bonjour» logo no início.

Agora imaginem Mariano Rajoy a falar em galego numa visita de Estado ao México (seria uma situação comparável, se virem bem). Imaginem ainda o presidente do México a dizer umas palavras em galego (ou em catalão) por entender ser essa uma das línguas do país do visitante…

Sim, é muito difícil imaginar tal cena. Cairia o Carmo e a Trindade (ou a Gran Vía e Cibeles).

Sim: é difícil, mas por algum motivo acho a solução canadiana mais justa e mais estável…

Pode ser que um dia a Espanha se lembre de dar a todas as suas línguas a mesma dignidade, por mais absurdo que isso possa parecer aos falantes monolingues de espanhol. Mas seria um passo de gigante para criar uma Espanha onde os sentimentos dos seus cidadãos pudessem conviver de forma mais confortável.

Respondem alguns: ora, o espanhol é muito mais útil do que o catalão! Por que razão haveríamos de lhe dar a mesma dignidade e ensiná-la a outros espanhóis?

Ora, porque nisto das línguas nacionais a utilidade de cada uma não é o mais importante. Afinal, o francês é falado por 20% dos canadianos e é, por isso, menos útil do que o inglês. Mas que importa isso? É a língua de parte dos canadianos e isso é reflectido no valor igual que lhe é dado a nível federal.

É verdade que em Espanha há mais línguas do que no Canadá e que o caso canadiano está longe da perfeição (e que o francês tem um prestígio internacional que ajuda muito). Mas todo este problema linguístico de Espanha tem também a ver com uma certa atitude do Estado — e alguns pequenos passos seriam importantíssimos. Por exemplo: Espanha podia não proibir o uso das línguas de muitos espanhóis no parlamento que os representa… Nem estou a falar de incentivar. Estou a falar de não proibir.

ADENDA

Duas notas, na sequência de comentários que recebi ao artigo:

  • José Negro e Enrique Granados lembraram-me, no Facebook, que é possível falar noutras línguas no Senado espanhol e já foi permitido (como excepção…) usá-las no Congresso. Até Espanha se move, o que é bom. Mesmo assim, tendo em conta os milhões de cidadãos que falam outras línguas em Espanha, estamos longe da situação canadiana.
  • Várias pessoas lembraram duas coisas: que o Canadá tem outras línguas a que não dá a mesma dignidade e que mesmo Portugal tem outra língua. Hei-de falar do assunto de novo, em relação a Portugal (e talvez ao Canadá). Fica o assunto em suspenso, até muito em breve, espero. Digo apenas (não consigo resistir) que devemos olhar para a vontade política das comunidades que falam as línguas.

«Os Maias são uma seca!»

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Ai, Os Maias!

Tudo começou no ano anterior ao ano em que tinha mesmo de os ler na escola.

Precavido ou armado aos cágados (uma coisa ou outra), achei que era melhor ler antes que me obrigassem, porque podia dar-se o caso de nunca vir a gostar da obra só porque a tinha lido por obrigação.

Pois, li. E confesso que li maravilhado com aquele século XIX, com aquelas conversas entre amigos, com toda aquela história que me parecia muito concreta e palpável. Isto ou outra coisa qualquer, porque entretanto já li o livro mais umas vezes e não sei assim tão bem o que li dessa primeira vez.

Mas lembro-me disto: o final d’Os Maias foi uma chapada na cara. Aquilo era lindo! E achei que esse final era ironicamente optimista: aqueles gajos achavam-se muito blasé, diziam que não valia a pena correr por nada — e, no entanto, corriam!

Sim, eu sei: é mais complicado do que isso. Mas eu tinha uns 14 anos. Perdoem-me, senhores, que eu não sabia o que lia.

Anos depois, voltei a ler a obra e ri-me muito, coisa que não tinha acontecido da primeira vez. O final já me pareceu menos assombroso — também, já estava à espera — e andava na fase de ficar horrorizado com certas passagens machistas e racistas por onde, anos antes, tinha passado sem pestanejar.

Mais anos depois, li de novo, agora em formato electrónico (só para experimentar). Ri-me ainda mais e li ainda mais depressa. Percebi o óbvio: estava a ler um livro diferente: de cada vez que reli Os Maias, o romance era outro.

Por esses dias, começou a ser-me difícil compreender como alguém pode considerar Os Maias um livro secante. E, no entanto, ele é mesmo uma seca para um adolescente que tem um calhamaço daqueles à frente, com uma casa oitocentista logo à partida, de fachada imponente — e ao lado tem todas as histórias entre amigos e amores da sua própria vida. É preciso dar um salto difícil para perceber que, por acaso, aquele livro em particular até tem muito a ver com essa fúria de deixar escrita a vida entre amigos, por entre amores e os anos que passam.

O que fazer com esta sensação inabalável que este grande clássico é uma seca — sensação partilhada por tantos?

Podemos desistir, podemos armar-nos em missionários duma religião literária, podemos desprezar quem pensa assim — e estaremos a errar, quanto a mim.

O melhor é aprender com os livros a perceber que os seres humanos são mais complicados do que pensamos e que há várias formas de viver bem, algumas delas até sem livros — por mais que tal ideia arrepie quem gosta muito de ler e não concebe uma boa vida sem livros à volta.

Quer isto dizer que não devia ser leitura obrigatória? Não: acho que deve ser obrigatório, sim senhora. É bom haver obras partilhadas por muitos, como se fossem o café central da literatura portuguesa, um espaço de que uns gostam e outros nem tanto, mas que todos conhecemos e faz parte da memória colectiva. Mas mais do que isso: a verdade é que, se não infecta muitos, o bicho da literatura lá entra por uma ou outra alma, das milhares que todos os anos passam pelas escolas portuguesas. E, depois, não há melhor forma de aprender a escrever em bom português do que ler muita e boa literatura.

As Manhãs da Comercial e a pontuação de Saramago

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Ontem fui ouvir Miguel Araújo e António Zambujo. Sobre o concerto direi pouco, porque gostos não se discutem e eu gostei muito.

No início do concerto, quando ainda todos nos estávamos a arrumar nas cadeiras, senti uma certa comoção à minha volta — todos olhavam para algumas cadeiras à minha direita. Antes de virar a cabeça, percebi que só podia ser uma grande estrela a chegar, tal era o nível de excitação. Pensei: ou bem que é a pop-star do momento, ou seja, o Prof. Marcelo — ou o Nuno Markl.

Era o Nuno Markl. É curioso ver como, com o mundo da televisão dividido em milhentos canais, gravações, netflixes e piratarias avulsas, a rádio abriga agora as estrelas mais consensuais — poucos vêem os mesmos programas de televisão, mas uma grande percentagem dos portugueses tem de ir para o trabalho de manhã e, por isso, Nuno Markl e seus companheiros são estrelas como poucas neste nosso apertado país. E ainda bem.

Bem, dei uma grande volta só para vos dizer que costumo ouvir o Homem Que Mordeu o Cão. Acho que eles, aquela equipa (haverá outras, mas são os que oiço), fazem algo importantíssimo: alegram aquelas horas de semáforos, fumos e irritações. Atrevo-me a pensar que já evitaram muitos desaguisados matinais (o que vale muito, mesmo descontando os acidentes provocados por risos incontroláveis).

Isto para enquadrar uma pequena irritação minha: acho intrigante como tanta gente diz sem pestanejar que José Saramago não usava pontos ou vírgulas. Claro que usava! Abram um livro dele. Um qualquer. Lá estão os pontos. Lá estão as vírgulas. Chiça!

Pois, hoje, Nuno Markl contou o caso de uma ouvinte que lhe mandou uma mensagem sem pontos nem vírgulas. Logo que ele acabou de contar o episódio, um dos colegas das Manhãs disse algo do género: «Ah, escreve à Saramago!» E todos se riram e disseram que sim. Ri-me na mesma (não resisto). Mas franzi os olhos enquanto me ria (que bonita cara devia eu ter naquele momento…).

Ora, todos eles que fazem parte das Manhãs da Comercial já devem ter lido um ou mais livros do Saramago. Tenho a certeza que sim. Então, porque repetem a ideia falsa?

Não sei. Imagino que estas ideias ganhem uma força própria, que cilindra a memória e o que sabemos. Repete-se porque sim, porque todos dizem, e pronto.

Não é que seja importante. É uma ideia falsa inócua. Mas mostra-nos como todos — mesmos os mais informados — andamos por aí com frases-feitas na ponta da língua que, no fundo, sabemos não serem verdadeiras.

Bem, mas isto agora não interessa nada. Deixem-me lá ir ouvir um podcast do Homem Que Mordeu o Cão para começar bem o fim-de-semana — ou até uma música do Zambujo e do Araújo, que fizerem um espectáculo de chorar por mais.

Os jovens lêem cada vez menos?

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Pensem no país de há 50 anos. Estávamos em 1966, o 25 de Abril ainda não estava no horizonte.

Pensem mesmo a sério no país dessa altura. Um país em plena guerra, um país que ainda não tinha tombado para as cidades, um país que estava a começar a aquecer em termos económicos mas que dificilmente conseguiríamos comparar com o Portugal de hoje em dia.

Agora, escolham 100 jovens de 20 anos aleatoriamente nesse país rural de 1964.

Agora imaginem o país de há 100 anos. Estávamos em 1916. A república tinha sido implantada havia seis anos. Falta a Primeira República quase toda, o Estado Novo… Estávamos na Primeira Guerra Mundial. O país de então é praticamente inimaginável para um português de hoje. Escolham, também aleatoriamente, 100 jovens de 20 anos desse país ruralíssimo de 1916 (um ano antes das aparições de Fátima). Pensem nas aldeias, no país de Norte a Sul. Vá, dá algum trabalho, mas imaginem.

Agora imaginem o país de hoje, no meio da crise e de tudo o que sabemos. Mas imaginem mesmo. E escolham (a fingir) 100 jovens aleatoriamente.

Destes três grupos aleatórios (insisto no aleatório e insisto que estamos a falar do país por inteiro, não as suas cidades ribeirinhas), em que grupo teremos mais pessoas a ler livros?

  1. Os 100 jovens de 1916?
  2. Os 100 jovens de 1966?
  3. Os 100 jovens de 2016?

Se quisermos pensar de forma mais precisa, podemos imaginar 2006, 1996, 1986, 1976, 1966… Terá havido recuos? Quando? Porquê?

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