Certas Palavras

Livros, línguas e outras viagens

Mês: Abril 2016 (Página 1 de 3)

Camões falava como um brasileiro?

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Alguns livros são como barras de chocolate: apetece comê-los duma vez, mas com alguma força de vontade conseguimos ir deixando uns pedaços para depois. Há um livro que é uma tentação para os meus olhos: A Mouthful of Air, de Anthony Burgess.

Burgess é um dos meus autores favoritos. O livro é sobre línguas. Junta-se o agradável ao apetitoso, e fico maravilhado a ler sobre línguas, sobre literatura e tudo com aquela voz inconfundível de quem faz o que quer com a coitada da língua inglesa, que no fim nem sabe de que terra é.

Assim, com muita força de vontade, vou lendo o livro devagarinho, ao longo de muito tempo. Sim, às vezes consigo fazer isso mesmo. Ora, há pouco apeteceu-me ler mais um pouco. Foi assim que, enquanto ao meu lado o meu filho seguia uma história de lobos e tigres, li sobre aquilo que se sabe da pronúncia de Shakespeare.

Burgess lá explicava, divertido, que se os nossos ouvidos de hoje em dia aterrassem na Londres isabelina e ouvissem o próprio do Shakespeare a declamar os seus sonetos ou a representar alguma das suas peças, ficariam admiradíssimos com o sotaque que hoje diríamos bem provinciano. Só como exemplo, «lust» seria lido com um «u» à portuguesa, «shame» seria algo como «shéme», «so» seria «sô», tal como «to go» («to gô»), «to know» («to nô»), etc.

Ora, o mesmo aconteceria se nós, portugueses de agora, nos víssemos transportados para a Lisboa quinhentista e encontrássemos Camões na rua. A sua pronúncia estaria cheia de características que hoje diríamos ser nortenhas, ou talvez agalegadas ou — caia então o Carmo e a Trindade — brasileiras!

Não estou a dizer que Camões falava como um brasileiro de agora. Estou apenas a dizer que a pronúncia seria tão diferente da nossa que teríamos dificuldade em localizá-la — e algumas das suas características (as vogais bem mais abertas, por exemplo) são hoje típicas do português do Brasil e não do nosso português de Portugal.

Para quem tem da língua a visão de qualquer coisa de imutável que alguns safados andam a mutilar, isto fará muita confusão. Mas, não: a língua muda mesmo muito ao longo dos séculos: as vogais mudam, as consoantes também, as palavras perdem e ganham sentidos de forma imprevisível, a sintaxe também tem as suas danças. (A ortografia, se formos a ver bem, até acaba por ser dos aspectos da língua que menos muda…)

Algumas das características do português-padrão que damos por adquiridas e que fazem parte integrante do «falar bem» de hoje em dia começaram como modas ou como maneiras de falar que os bem-falantes da época desprezavam activamente. Tudo isto tem muito de aleatório — e pouco de consciente.

Podemos analisar as mudanças e até combater algumas delas. Agora, o que não é verdade é que a língua exista imutável e pura, fora da boca dos seus falantes. E, sim, temos mesmo de admitir: a língua portuguesa, como qualquer outra, é um bicho difícil de apanhar e de compreender — mas, como um tigre, é um bicho perigoso, mas muito belo.

Sim, Camões falava um português diferente do nosso: e eu, por mim, gostava de poder ouvi-lo — não sendo possível, podemos tentar reconstruir a sua pronúncia através dum estudo aprofundado da sua escrita: olhando, por exemplo, para certas características ortográficas, para os erros que denunciam determinada forma de falar ou para as rimas, que mostram como o final das palavras soava na época (são algumas das técnicas dos linguistas históricos).

Enfim, é assim que sabemos que, provavelmente, Camões soaria, aos nossos ouvidos, um pouco a nortenho com travos de brasileiro. Tudo isso faz parte da nossa língua — tal como a estranha pronúncia de Shakespeare também faz parte do inglês.

Ora, longe de me horrorizar, pensar nisto põe-me um sorriso na boca…

Às voltas com a língua portuguesa

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Por estes dias, tenho tido menos tempo para o blogue. Ah, os dias são sempre curtos, mas costumo arranjar tempo para umas escapadelas.

Ora, o problema é que, para escrever, é preciso tempo, mas também cabeça, e a minha cabeça, nesta última semana, tem andado mais virada para o papel, muito por causa do livro que escrevi sobre a nossa língua, que me tem feito dar umas quantas voltas.

Mas não pensem que não ando com ideias: tenho deixado muitos rascunhos na caixa do blogue. Quando a cabeça assentar, lá voltarei à rotina de vos deixar por aqui uns textos sobre línguas, livros e outras manias.

Deixem-me só contar-vos algumas das voltas do livro. Hoje de manhã, passei por uma experiência nova: fui à TVI falar sobre os segredos da língua. Na semana passada, andei pela Bertrand do Picoas Plaza, onde a editora organizou o lançamento, que me deixou muito feliz. Quanto aos agradecimentos, fi-los ao vivo — e tenho a sorte de os poder mostrar aqui, neste vídeo, que inclui a generosa apresentação de Fernando Venâncio. Agradeço agora a todos os leitores do blogue, que foram muitíssimo importantes neste projecto.

Não querendo abusar da vossa paciência, deixem-me só dizer-vos mais umas palavras sobre o livro (convém fazer alguma divulgação…):

  • Na primeira parte («A língua e a tribo»), descrevo a forma como a língua também serve para marcar a tribo a que pertencemos. Falo de sotaques (de Lisboa e do Porto, por exemplo), do mito da palavra «saudade» e até damos uma volta pela Ucrânia. Não deixo de contar uns segredos sobre os tempos de faculdade…
  • Na segunda parte,  («A família da língua»), falamos do parente no sótão (o galego), do irmão emigrado (o português do Brasil) e dos vizinhos: as outras línguas de Portugal (e também de Espanha, aqui ao lado). Falamos ainda do inglês e do chinês (e até do persa). Desconfio que será o primeiro livro sobre o português com uma citação do Beowulf
  • Há, depois, um intervalo, onde converso um pouco sobre as crianças e a língua portuguesa. É a parte mais pessoal de todo o livro, pois por lá andam a brincar o meu filho, os meus sobrinhos e o filho duma amiga minha. É um intervalo, afinal de contas.
  • Na terceira parte («O vício do pânico), podem encontrar textos sobre os famosos falsos erros de português («famosos» para quem costuma vir aqui ao blogue).
  • Na quarta parte («O que fazer com esta língua?»), fica o leitor com algumas pistas sobre como escrever um pouco melhor, que o livro não são só histórias, também diz alguma coisa de útil…

Há ainda segredos sobre palavrões, sobre linguistas, sobre a Internet — e mais umas quantas coisas

dozeDiga-se que muitos textos incluídos no livro começaram aqui, neste blogue. Todos foram revistos e alterados e há umas quantas novidades: só como exemplo, incluí um texto em que falo de erros verdadeiros — sim, porque existem mesmo erros de português, claro está… (O texto está na página 163: «E agora, algo completamente diferente: erros verdadeiros!»)

A língua é uma paixão que partilho com muitas outras pessoas. Espero ter criado um livro que sirva para aprender, mas também para passar umas boas horas de leitura, com alguns sorrisos.

Com este livro, quis celebrar a nossa língua, as línguas de todo o mundo e ainda as nossas vidas, as vidas dos falantes da língua, que — como muito bem diz Fernando Venâncio no prefácio — merecem sempre o nosso respeito. O livro é uma homenagem a esses mesmos falantes.

Espero que gostem — e espero que se divirtam, que também para isso escrevi o livro.


Doze Segredos da Língua Portuguesa. Edição da Guerra & Paz. Já nas livrarias. Encomendas: Guerra & PazWook |Bertrand | Fnac

O italiano não vem do latim, sabiam?

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Limitei-me a dizer isto: no Brasil, o nome correcto do planeta que vem logo a seguir a Urano é «Netuno». Sim, em Portugal é «Neptuno», mas no Brasil é «Netuno». A palavra «Netuno» é usada por professores universitários, por linguistas, por astrónomos, por todos os brasileiros; está nos dicionários, é ensinada pelos professores de português e de ciências. Não está errada. Não há qualquer argumento cientificamente válido que leve a considerar que, no Brasil, «Netuno» é um erro. Vou ser explícito: em Portugal, seria um grande erro escrever «Netuno». No Brasil, é a forma correcta.

Sim, o português de Portugal e o português do Brasil são diferentes. Mas alguém tinha dúvidas?

Desta minha afirmação, surgiu o mais surreal diálogo que alguma vez teve lugar neste blogue. Por favor, leiam o diálogo todo, para perceberem os argumentos dos dois lados.

Nesse diálogo, alguém me tentou convencer do seguinte (preparem-se):

  • «Netuno» é um erro, fruto da ignorância dos brasileiros.
  • As palavras, em Portugal, ao longo dos séculos, mudam «cientificamente». No Brasil, mudam porque os brasileiros são ignorantes.
  • «Netuno» não quer dizer nada e é uma palavra desenraizada porque, como o português vem do latim, temos mesmo de usar o «p», sob pena de a palavra perder o sentido. Se os romanos usavam «p», a palavra tem de ter um «p» para toda a eternidade.
  • Sim, «luna» também perdeu uma letra ao longo da evolução da língua, ficando «lua», mas essa perda é científica, porque portuguesa. As perdas de letras brasileiras são só burrice.
  • Sim, os italianos dizem «Nettuno» sem «p», mas isso é porque o italiano não vem do latim. (Sim, depois deste argumento, caí no erro de continuar a conversa. Mas é essa a minha forma de respeitar o outro lado, mesmo quando está profundamente errado.)
  • «Fato» vem do gótico e por isso é erro. Que os brasileiros usem essa palavra em vez de «facto» só mostra que os brasileiros são burros.
  • Se os brasileiros usam «Netuno», se calhar estão a italianizar a sua língua. Grande erro, claro está.
  • Os brasileiros, depois de destruírem a língua, querem agora impô-la assim, estragada, aos portugueses, exigindo que passemos a usar «Netuno».
  • Se eu digo que «Netuno» está correcto no Brasil, não posso ser um verdadeiro português.

Perante estes argumentos, fico pasmado e chego à conclusão que não devia ter levado a conversa tão longe. É como estar a bater com a cabeça numa parede: não serve para nada a não ser aleijar a cabeça. A parede fica igual.

Mas, enfim, são daquelas experiências que ajudam a perceber que, nas discussões sobre a língua, há também muito de irracional e há quem, infelizmente, esteja refém duma nuvem de ideias erradas, mas muito elaboradas, um pouco à semelhança dos teóricos da conspiração noutros âmbitos. O mecanismo mental deve ser o mesmo.

Teria ficado tudo por ali, naquele diálogo, não fora dar-se o caso de receber um comentário em que alguém dava força aos argumentos absurdos. Ou seja, isto não é um caso isolado e talvez seja boa ideia abrir as janelas e deixar entrar um pouco de ar fresco na tal discussão absurda:

  • Em português do Brasil, a palavra «Netuno» está correcta. Sim, é uma das muitas diferenças entre o português de Portugal e o português do Brasil, que se foram acumulando nos últimos séculos, como acontece sempre que uma língua se divide em dois âmbitos sociais distintos. A razão deste afastamento é a mesma que levou ao afastamento das várias línguas latinas depois da fase comum a que chamamos «latim». (Já agora, que os brasileiros chamem à sua língua «português» e não «brasileiro» é irrelevante para determinar se uma palavra ou construção está certa ou errada no Brasil; o que conta para saber o que está correcto no Brasil é o funcionamento real da língua no Brasil, não uma qualquer elucubração sobre o que devia ser — mas não é — a língua dos brasileiros só porque tem o nome de «português».)
  • Sim, o italiano vem do latim, tendo sofrido algumas influências externas, como acontece em todas as línguas (o português, por exemplo). Teve fases intermédias (a que podemos chamar «toscano», por exemplo, já que foi a zona cujo falar serviu de base ao italiano literário), tal como acontece com o português (que teve séculos imensos entre o latim e a língua tal como falada no Portugal independente, séculos que podemos chamar os séculos galegos da língua). Não há uma única língua latina que tenha nascido inteira e pura do latim, sem qualquer fase intermédia. (Aliás, todas as línguas estão, ainda hoje, numa fase intermédia entre o que vinha antes e o que virá depois…)
  • As palavras, ao longo dos séculos, vão sofrendo alterações com o seu uso diário pela população. O mecanismo que levou à queda do «p» de «Neptuno» no Brasil é exactamente o mesmo que levou à queda de muitos outros sons em várias palavras, desde o latim popular (a origem remota da língua portuguesa) até à sua forma actual. Dizemos «cor» e não «color», «lua» e não «luna», «vitória» e não «victória», etc. O que leva à diferenciação entre línguas é o facto de estes mecanismos actuarem sobre palavras diferentes em locais diferentes. Sim, o «p» de «Neptuno» caiu no Brasil e não em Portugal. Houve outras palavras em que o «p» (falado) caiu em Portugal, mas não caiu no Brasil. A língua, nos dois países, está a afastar-se. Não há nada a fazer quanto a isso.
  • Por fim, nada justifica trazer para estas discussões argumentos como «quem não pensa como eu não é português» ou algo do género. É essa visão da língua misturada de tribalismo que leva a visões tão distorcidas do que é a linguagem humana e tão perniciosas para os falantes do português.

Sim, a visão que andei a combater naquele diálogo de surdos é esta: as línguas verdadeiras são imutáveis e o português tem uma versão perfeita, descoberta pelos portugueses a certa altura e que tem de ser preservada a todo o custo. Errado. As línguas mudam constantemente, ao longo dos séculos, e não há forma de dizer o que está certo e o que está errado sem olhar com atenção para a língua tal como ela existe, na realidade, em cada sociedade. É difícil, mas não há outra opção.

Hoje é o Dia do Livro

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Bem, se anda tudo assustado com o ano de 2016, que parece estar a ser mortífero para os artistas, o que dizer do dia 23 de Abril de 1616, que levou William Shakespeare e Miguel de Cervantes? Ou seja, no mesmo dia morreram os dois nomes mais importantes da literatura europeia (estarei a exagerar?).

Faz hoje 400 anos…

william-shakespeare-62936_640Ah, mas há uma reviravolta na história: Shakespeare, na realidade, morreu 10 dias depois de Cervantes (segundo o calendário actual, morreu a 3 de Maio de 1616). Mas a Inglaterra ainda não seguia o calendário gregoriano e, por isso, o dia em que Shakespeare morreu era o dia 23 de Abril no seu país, tal como o dia em que Cervantes morreu era o dia 23 de Abril aqui para estes lados da Península.

cervantes-539396_640Shakespeare e Cervantes conseguiram morrer e não morrer no mesmo dia: os grandes escritores são piores do que os gatos quânticos.

Pois, anos depois, já no século XX, os livreiros catalães lembraram-se de fazer a ligação do dia 23 de Abril ao livro, começando aí a tradição de considerar o Dia de São Jorge também o Dia do Livro. A UNESCO, em 1995, pega na tradição catalã, repara na coincidência das datas da morte de Shakespeare e Cervantes e declara o dia de hoje como o Dia Internacional do Livro.

Pormenor interessante: segundo a tradição catalã, o Dia de São Jorge (Sant Jordi por aqueles lados) é dia de oferecer um livro e uma rosa a quem gostamos. Há tradições bem piores.

Feliz Dia do Livro!

Chegou às livrarias: Doze Segredos da Língua Portuguesa

Um livro essencial para quem se preocupa com o português e, ao mesmo tempo, não quer ficar preso a mitos e ideias-feitas sobre a nossa língua.

Encomendas: Guerra & PazWookBertrand | Fnac


«Marco Neves explica-nos, em linguagem muito directa, muito confrontadora, e por isso muito estimulante, como o idioma funciona, como os mitos à volta dele se desenvolveram, como há, nestas matérias, sempre uma surpresa onde julgávamos já tudo dito.» — Fernando Venâncio, no Prefácio.

«E a escrita… a escrita é um encanto, fluida, ágil, com aquele tom certo entre o pessoal e o formativo, com humor q.b. e uma ponta de indignação quando é necessário.» — Ana C. B., Gene de Traça.

«E depois, claro, há a escrita em si, que, muito longe do tom mortalmente sério de alguns livros mais académicos, torna a leitura mais leve e a assimilação das ideias mais fácil e divertida. Aliás, há exemplos ao longo do texto que, além de facilmente arrancarem uma gargalhada, tornam mais fácil, pelas suas peculiaridades, assimilar a ideia que lhes está associada. Com uma perspectiva mais aberta, um conjunto de ideias e de exemplos muitíssimo interessantes e um olhar cativante sobre a história (e os hábitos) da língua portuguesa, a impressão que fica é, pois, a de um livro diferente e com o qual se pode aprender muito. Vale, por isso, muito a pena conhecer estes Doze Segredos da Língua Portuguesa— Carla Ribeiro, As Leituras do Corvo

«Um livro que constitui uma novidade no contexto das muitas publicações respeitantes ao uso da língua portuguesa. Na verdade, Marco Neves afasta-se do tradicional discurso censório e até inquisitorial sobre gramática e norma, para, em contacto com a história e com a atualidade, apresentar uma língua portuguesa dinâmica, falada por indivíduos e comunidades capazes de descobrir criticamente a sua identidade e viver sem medo de inovações nem influências exteriores.» — Carlos Rocha, Ciberdúvidas


dozeTítulo: Doze Segredos da Língua Portuguesa
Autor: Marco Neves
N.º de Páginas: 240
PVP: €15,50
Género: Não Ficção/Língua Portuguesa
Nas livrarias a 20 de Abril
Guerra e Paz Editores

Sinopse:
Um livro essencial para quem se preocupa com o português e, ao mesmo tempo, não quer ficar preso a mitos e ideias-feitas sobre a nossa língua.

Sabia que andam a circular por aí erros que não são erros?
Sabia que as crianças precisam de muitas pa­lavras para crescer bem?
Sabia que há uma relação entre o acordo orto­gráfico e a guerra na Ucrânia?
Sabia que a palavra «saudade» não é impossí­vel de traduzir?
Sabia que todos os portugueses têm sotaque?
Sabia que o português e o galego estão tão próximos que, às vezes, se confundem?
Sabia que os palavrões fazem bem (mas não convém abusar)?

Num estilo claro e bem-disposto, o autor desmonta mitos e revela segredos da língua, com algumas his­tórias curiosas à mistura — e sem esquecer uma ou outra dica para escrever cada vez melhor.

Sobre o autor:
Marco Neves. Tem sete ofícios, todos virados para as línguas: tradutor, revisor, professor, lei­tor, conversador e, agora, autor. Não são sete? Falta este: há três anos que é tam­bém pai, com o ofício de contar histó­rias. Para lá das profissões, os amigos sempre lhe reconheceram a pancada das línguas.

Nasceu em Peniche e vive em Lisboa. Tem licenciatura em línguas (quem di­ria?) e mestrado na área da literatura. É director do escritório de Lisboa da em­presa de tradução Eurologos e docente de várias disciplinas de prática da tradu­ção na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.

Escreve no blogue Certas Palavras sobre línguas, livros e outras manias.

Encomendas: Guerra & PazWook | Almedina | Bertrand | Fnac

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Histórias de reis, escritores e ilhas nas Caraíbas

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LIVROS NA BAGAGEM. CAPÍTULO 7.
De como um escritor espanhol escreve um romance, encontra as personagens, escreve outro livro sobre toda essa confusão e acaba coroado rei duma ilha das Caraíbas.

Sei perfeitamente onde foi o nosso primeiro encontro — não estou a falar da minha mulher nem de nenhum antigo amor (foram poucos, mas não me queixo). Estou a falar, isso sim, dum autor muito especial, que poucos conhecem porque tem aquele defeito que poucos leitores portugueses perdoam: é espanhol.

O autor é Javier Marías e a primeira vez que o vi foi na Fnac do Chiado, já lá vão muitos anos, e tinha este aspecto:

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Estes anos todos depois, reparem bem nas manchas na pele, que a idade não perdoa:

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Pois bem, mal sabia eu em que labirinto ia entrar… Este romance (?) não é exactamente um romance, nem uma crónica, ou talvez seja antes um post dum blogue sobre livros um pouco sobre-dimensionado. Aliás, é um livro sobre livros do próprio autor. <suspiro intelectual>Ai, a auto-referencialidade dos autores pós-modernistas!</suspiro intelectual>

Pois bem (e já vamos no segundo “pois bem”), o que este livro conta são as peripécias do autor na sequência da publicação dum outro livro seu, anos antes, que relata a vida dum professor espanhol em Oxford, com uma série de personagens curiosas e um pouco ridículas, livro esse de que falei há dois capítulos:

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Sim, Todas las almas passa-se em All Souls. O professor espanhol é professor de tradução, como se vê.

Adiante.

O certo é que vários professores e ex-colegas de Javier Marías — que como já devem ter percebido foi professor (e espanhol) em Oxford — e professor de tradução… — acharam que aquelas personagens eram, vejam só a desfaçatez, eles próprios.

Vêem-se enfiados num romance — e nada é mais literário do que ter personagens de carne e osso a pedir contas ao autor (e ex-colega).

E, assim, Javier Marías, quando volta a Oxford, vê-se envolvido num enredo curioso, enredo esse que, to cut a long story short (em português: “para despachar que isto já são horas”)…

(preparem-se, que desta não estão à espera…)

… termina com a sua coroação como Rei de Redonda, uma ilha nas Caraíbas.

Exacto. E não pensem que é mentira (vejam o artigo wikipédico).

Pronto, é verdade: Javier Marías é apenas um dos pretendentes ao trono, mas é um pretendente com pergaminhos literários impecáveis. E é um rei que aproveita para oferecer condados e títulos de nobreza em geral a pessoas insuspeitas como António Lobo Antunes, Ian McEwan… Desta monarquia, todos nós gostamos.

O livro — Negra espalda del tiempo — é muito bom. Não julguem que vão encontrar literatura levezita, que o Javier Marías é uma espécie de Lobo Antunes. Mas um Lobo Antunes muito brincalhão e com a mania que é rei.

Nesta misturada toda, claro que a ficção e a realidade ficam um pouco confundidas, e por isso não espanta que o início de Negra espalda del tiempo seja este:

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Já não leio este livro há muito tempo. De repente, apetece-me pegar nele outra vez…

Se passarem pelas Caraíbas, mandem cumprimentos ao rei Marías.

Para se orientarem, fica um mapa. Redonda está no canto inferior esquerdo.

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Diz-se «atravessar a Mancha» ou «atravessar o Mancha»? (Sim, há quem erre nisto…)

O que se vê para lá da Mancha.

O que se vê para lá da Mancha.

Claro que todos dizemos «a Mancha». Dizemos «túnel da Mancha», «canal da Mancha», mas também, às vezes, apenas «a Mancha», como na frase «o homem atravessou a Mancha a nado».

Pois, acreditam que consegui encontrar alguém que está convencido que devemos dizer «atravessar o Mancha»? Justificação: estamos a falar do canal e, por isso, o nome próprio do canal tem de ser usado no masculino. Seguindo a mesma lógica, devíamos dizer «a Porto» por estarmos a falar duma cidade, «a Faial» por estarmos a falar duma ilha e por aí fora.

E acreditam que, mesmo depois de tudo bem explicado, com paciência que não sei onde fui encontrar para uma questão tão absurda, ainda fui insultado? Sim, o Facebook é um pântano. Tenho de aprender a conter-me.

Sim, este é daqueles disparates que nos deixam de boca aberta. Servirá de pouco descrever um incidente tão estranho. Mas trago-o para aqui porque é mais um bom exemplo de como é possível pegar numa lógica qualquer externa à língua, absolutamente aleatória, e começar a encontrar erros onde eles não existem. É o mesmo mecanismo que leva tanta gente a condenar a grande lista de erros falsos de que tenho falado por aqui: «fazer a barba», «queria um copo de água», «espaço de tempo», «saudades tuas», «pelos vistos», «o comer», etc.

E, claro, como é apanágio de muitas discussões linguísticas, quanto mais a posição de alguém se baseia em ignorância sobre como funciona a língua, mais arrogante e insultuosa é a forma como expressa a sua posição.

Neste caso, a pessoa que acredita piamente na correcção de «o Mancha» diz coisas como:

  • «E já agora, a notícia na parte de baixo está errada, é “o Mancha” e não “a Mancha”, pois refere-se ao canal. É cada jornalista mais burro…»
  • «Há gente que calada fazia melhor figura». (Isto depois de alguém dizer, educadamente, que «a Mancha» está correcto).
  • «ACORDA PARA A VIDA, atravessou o canal, canal é masculino e por isso é o Mancha.»

Depois de explicar tudo de forma demorada e responder a todos os argumentos, digo a quem acha que «a Mancha» está errado que percebo que não o consiga convencer (sei quando estou perante um muro) e que lamento que ele persista no erro de dizer «o Mancha». Resposta? «Tem a certeza que sou eu quem persiste no erro????» Apeteceu-me responder: tem toda a razão, vou passar a dizer que gosto muito da Porto, já atravessei o Mancha e gostava de visitar a Faial. Mas calei-me. Um muro é um muro.

Enfim, amanhã o meu interlocutor de ocasião continuará a dizer «atravessar o Mancha» e a insultar os outros. Como disse há uns dias, pior do que não saber (todos nós não sabemos muitas coisas) é insultar quem afinal até sabe (os falantes da língua, no seu conjunto, sabem bastante de português).

Há aqui uma irracionalidade linguística estranha, que não consigo explicar. Será tribalismo? («Este está contra mim, vou ignorar todos os seus argumentos.») Será uma ligação emocional a uma regra de português que é só dele? Será insegurança linguística? Será arrogância pura e dura? Não sei o que será. Mas sei que é qualquer coisa que, infelizmente, é mais comum do que parece e estraga muitas discussões sobre a língua.

Sim, os inventores de erros falsos andam por aí. Inventam uma regra qualquer e desatam a insultar os falantes de português, armados em defensores duma língua que despedaçam com regras erradas.


E, como estamos mesmo em cima do acontecimento, lembro que a partir de amanhã de manhã podem comprar o livro Doze Segredos da Língua Portuguesa nas livrarias de todo o país. No livro, falo muito destes erros falsos de português. Espero que gostem. (Na quinta-feira, teremos o lançamento do livro, na Bertrand Picoas, aberto a todos os interessados.)

Os tarados dos erros de português

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Sim, a língua é importantíssima. Pelo menos para aqueles de entre nós que tentam expressar-se cada vez melhor, ler cada vez mais, saber explicar e saber ouvir o melhor possível.

Somos o clube daqueles que gostam de conhecer as várias roupagens da língua e se deliciam com a forma sempre inacreditável como esta muda e se estica para acompanhar as vidas dos seus falantes. Sim, somos o clube de quem sabe haver uma norma-padrão, que convém conhecer e estimar. Mas somos também o clube de quem fica com pele de galinha quando a língua nos aparece trabalhada de forma criativa ou, pelo menos, surpreendente — ou então é usada para explicar uma ideia difícil de maneira simples e certeira.

E, sim, aos membros deste clube de que faço parte entristece haver tanta gente que não quer saber de nada disso. São as pessoas que dizem o que tem a dizer às três pancadas (os outros que se esforcem por entender) ou — o que é pior — ouvem os outros também às três pancadas, percebendo não o que os outros querem dizer, mas o que dá mais jeito ou é mais fácil, sem qualquer esforço por compreender as ideias que estão por trás das palavras.

Mas depois temos aqueles a que chamo os tarados dos erros, que na lista dos inimigos da língua estão cá em cima, num orgulhoso primeiro lugar.

São aqueles que gritam que a língua é importante, mas dela querem saber apenas aquilo que é trivial. Estão mais preocupados com as gralhas dos outros do que com a língua em si.

São aqueles que estão de tal forma obcecados com os erros, que nunca reconhecem o esforço honesto de quem tenta escrever e falar melhor, com mais ou menos tropeções.

São aqueles que encontram erros em todo o lado — e inventam erros se preciso for (que mania a destes senhores).

São aqueles que não querem saber dos falantes da língua, apenas dum ou outro pormenor das regras dessa língua, pormenores esses que escolhem aleatoriamente e passam a propalar como se fosse o mais importante detalhe da linguagem humana.

São aqueles que confundem umas quantas convenções com a língua toda, aquela que anda nos nossos lábios e nos livros e que é tão apetitosa.

É apetitosa, sim — mas esses tarados dos erros não sabem: estão mais preocupados em policiá-la, em limitá-la, em inventar regras com que chatear os outros, ignorando olimpicamente as verdadeiras regras da língua, aquelas regras que os falantes têm no seu cérebro e que demoram a descobrir e a respeitar (os linguistas andam nisso há décadas).

Querem um exemplo extremo desta doença? Há pessoas — isto é real, isto existe! — que alteram imagens com o Paint ou com o Photoshop para lhes inserir erros de português propositadamente. Depois, o que fazem? Partilham essas mesmas imagens pelo Facebook fora, muito indignadas com o erro que encontraram — ou então com comentários jocosos, como se um erro propositado tivesse alguma graça…

E ainda têm a lata de se queixar do estado da língua.


Curiosamente, na sequência deste artigo, recebi um comentário muito agressivo por parte de uma pessoa que, anteriormente, tinha comentado outros artigos meus de forma muito simpática. Diz o comentário (enviado por email, sem mais nada): «Que nojo de comentário tendencioso, sem exemplos nem nada.»

Para lá da tendência infeliz para o exagero evidente, não consigo perceber em que sentido o artigo era tendencioso, mas acredito que o seja. Paciência. Se houver argumentos contra o mesmo, estou cá para os ouvir.

Quanto aos exemplos em falta… Não sei que exemplos o comentador queria. Dos inventores de erros, tenho dado exemplos à exaustão: basta procurar neste blogue (nem é preciso ir longe). Se os exemplos em falta são das imagens alteradas para inserir erros, aqui fica um exemplo, que ontem andou a rodar pelas redes sociais:

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O caso Netuno (ou como o pânico linguístico faz mal)

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Sim, «Netuno» é uma palavra correctíssima em português do Brasil. Nós escrevemos (e lemos) «Neptuno» e os brasileiros escrevem (e lêem) «Netuno» e isto nada tem a ver com o acordo ortográfico.

Só tenho pena que em várias páginas de Facebook de gente muito preocupada com o português se ande a dizer, por estes dias, que o «Netuno» brasileiro é um grande erro e uma demonstração de analfabetismo.

Não: é apenas uma palavra especificamente brasileira, tal como «ônibus» e tantas outras. E, para sair da nossa língua, tal como «apartment» é uma palavra americana e «lift» uma palavra inglesa.

É um facto básico e inocente da língua portuguesa: existem palavras diferentes em Portugal e no Brasil. Que isto sirva para insultos e desconsiderações mostra bem o mal que faz o pânico linguístico: tolda-nos o pensamento e deixa-nos a ferver de raiva inútil.

Acalmem-se lá, ó gente!

(Voltei ao assunto porque fiquei pasmado com o número de partilhas do post original do Observatório da Asneira. Tanta gente sempre pronta a mandar pedras perante a ignorância dos outros não consegue parar cinco segundos para pensar antes de insultar um povo inteiro por usar palavras correctíssimas. Incrível.)

Corrigir erros de português à bruta

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Às vezes, lá caio no erro de entrar em discussões absurdas no Facebook. Há dias, foi a tal questão do «Netuno/Neptuno». No debate, que começou porque alguém chamou os brasileiros de analfabetos por usarem a palavra «Netuno», havia quem insistisse que os brasileiros têm de usar uma língua igualzinha à nossa ou, então, não lhe podem chamar português.

Tentei argumentar que, para a discussão que estávamos a ter («será que dizer “Netuno” no Brasil está errado?»), o nome até nem é assim tão importante: «Netuno» é o nome do planeta no Brasil, chame-se à língua dos brasileiros o que se quiser. Usar «Netuno», no Brasil, não é sinal de analfabetismo: é sinal de que se sabe escrever.

Mas nem é preciso dizer isso. Uma das participantes bem informadas deu o exemplo do inglês: o inglês americano e o inglês britânico têm muitas diferenças e não passa pela cabeça dos ingleses exigir aos americanos que mudem o nome à língua que falam.

Resposta?

ohhh pá o inglês escreve-se igual em toda a parte do mundo

Ora, perante um argumento tão mal informado, o que dizer?

Enfim, dizer a verdade: o inglês de Inglaterra e o inglês dos EUA têm muitas diferenças. Há palavras diferentes, ortografia diferente e até a gramática tem algumas particularidades dum lado e doutro.

Aprende-se isto logo no primeiro ano em que se dá inglês na escola.

Mas como, naquela discussão, esse facto conhecidíssimo não dava jeito ao campo anti-brasileiros-que-escrevem-como-brasileiros, aqueles que defendiam que «Netuno» é um disparate passaram a defender com unhas e dentes que o inglês americano é igualzinho ao britânico.

A certa altura, a senhora que estava a afirmar, muito sobranceira, que o inglês é igual em todo o lado publica uma ligação para uma página que diz o contrário, com listas de diferenças e tudo. Reparem na frase assassina logo de início, a chamar ignorantes os pobres coitados que sabem que o inglês tem uma versão inglesa e outra americana:

para aqueles que sabem inglês

http://grammarist.com/spelling/center-centre/

Porquê publicar uma ligação que estava contra a sua própria posição? Não sei bem, mas diria que a senhora estava, em bom inglês, muito «clueless».

Depois de ler a tal página apresentada pela senhora, presumo que tudo teria a ver com isto: há por lá uma frase que diz que algumas pessoas no Reino Unido, Canadá e noutros países usavam «centre» e «center» com dois significados diferentes. Uma nota muito secundária e pouco relevante, diga-se. Ora, a senhora, cheia de indignação cega, achou que essa frase era suficiente para provar que o inglês é, agora, igual em todo o lado.

Alguém que me acompanhava no debate, afirmando o que é óbvio (o inglês não é igual é todo o lado) disse a seguinte frase: «Então, mas essa ligação vai de encontro ao que eu estava a dizer!»

Pois, um dos participantes que estava contra nós naquela inusitada discussão argumentou com a seguinte frase assassina: «”De encontro” quer dizer “em oposição”. Está a dar-nos razão?»

Suspirei com tristeza.

A discussão, claro, morreu ali. Quem levou com aquela correcção despropositada achou por bem não se meter mais naquela contenda com pessoas claramente mal-informadas e que não se importavam de usar golpes baixos — foi-se embora e fez muito bem.

Quem corrigiu o erro «de encontro a» pegou num possível lapso momentâneo (confundir «de encontro» com «ao encontro») para chamar a outra pessoa de estúpida, sem que o erro tivesse qualquer relação com o assunto em discussão.

A pessoa em questão não parecia nada estúpida. Diga-se de passagem que todos os seus comentários estavam muito bem escritos. Apontar o dedo àquele «de encontro a» foi mesmo uma mesquinhice: uma forma de tentar ganhar o debate depois de ver que os seus argumentos estavam errados. Foi, muito simplesmente, batota.

Já por aqui discuti quando e como devemos corrigir o português dos outros: nem sempre é claro nem fácil perceber quais as regras de etiqueta dessas correcções.

Pois aqui temos uma situação claríssima em que não devemos corrigir os erros dos outros: quando estamos a discutir um assunto qualquer e os outros que dão os erros são os nossos adversários de ocasião.

Chamar a atenção para as falhas de português dos nossos adversários é a definição mesma de golpe baixo. Se alguém está genuinamente preocupado com o erro, faça a correcção por mensagem privada e concentre-se, no debate público, naquilo que está em discussão.


Ora, alguns dirão: para quê perder tanto tempo com estas discussões sem futuro? Pois, também penso o mesmo. Mas, enfim, às vezes a tentação é forte. E, de qualquer forma, o diálogo que descrevi acima serve de exemplo concreto de dois grandes erros de quem anda a navegar pela internet:

  • Primeiro erro: quando estamos em modo de discussão no Facebook, tendemos a procurar o que confirma aquilo que estamos a defender e não nos damos ao trabalho de investigar de forma minimamente isenta. Este caso que relatei é um caso extremo: bastava cinco minutos de investigação (ou até uma simples pergunta a um aluno de 5.º ano de inglês) para saber que o inglês não é igual em todo o mundo. Pois, aquilo a que a pessoa se agarrou foi a uma interpretação errada duma frase vaga e muito secundária num texto que, todo ele, dizia o contrário daquilo que essa pessoa estava a defender. É um caso extremo, mas vemos a mesma técnica em muitas outras discussões no Facebook (e fora dele): é a técnica que consiste em procurar qualquer coisa que confirme o que dizemos e ignorar tudo o resto. O que interessa não é chegar a conclusões sólidas, mas antes ganhar a discussão, por mais banal que seja. É assim que se perpetuam erros por anos e anos… Chama-se a este erro «tendência de confirmação».
  • Segundo erro: por vezes, não resistimos à tentação de usar os erros de português dos outros para ganhar uma discussão que nada tem a ver com esses erros específicos. É exactamente o mesmo de estar a debater um assunto sério e, de repente, apontar para uma nódoa da camisa do adversário em tom de gozo. É apontar erros à bruta. Chama-se a este erro «falta de educação».

 

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