Certas Palavras

Blogue de Marco Neves

Abri o Facebook e não vão acreditar no que encontrei!

124H

Enfim, o que encontrei foram imensos títulos escritos assim, a chamar cliques como as flores chamam as abelhas. “Nem vão acreditar no que aconteceu!”; “Nem vão imaginar o que encontrei!”

Apetece logo clicar, não é?

Já os jornais, mesmo os mais respeitáveis, aprenderam: o segredo não está em dar a notícia, mas em obrigar o utilizador facebookiano a clicar, porque no clicar é que está o ganho, obviamente.

E toca de encontrar novos iscos de cliques: listas, pele descascada, títulos macabros, adjectivos sem limites, pontos de exclamação e tudo o mais…

Não fiquem já horrorizados com estas técnicas pós-capitalistas (ou serão pós-modernistas?) de agarrar incautos utilizadores. Não se esqueçam que já Camilo tinha afinado o título-chamariz até aos píncaros dum Maria! Não Me Mates, que Sou Tua Mãe! O nosso escritor seria um óptimo jornalista digital, não acham? (“A mãe da Maria chegou a casa e não vão acreditar no que aconteceu!”)

No fundo, o Homo facebookiens não é assim tão diferente do Homo sapiens. Estamos sempre a mudar e sempre a querer as mesmas coisas (tirando e pondo umas novidades).

Quem escreve quer ser lido e assim lá vai descobrindo o que faz clique no cérebro do possível leitor e o leva a querer ler: a comprar o folhetim, a clicar no link, a continuar a ler.

C’est la vie.

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2 Comentários

  1. Josivaldo Galdino

    Marco,acompanho teus artigos há algum tempo e só tenho elogios.Mas acredito que deverias escrever segundo o acordo ortográfico.Se queremos a língua portuguesa forte no mundo,não devemos nos prender a nacionalismos.

  2. Paulo

    O facebook é uma ferramenta. Na maioria dos casos ao serviço do complexo narcisista que todos temos dentro, (em maior ou menor grau), de nos fazer ouvir pelo maior número de pessoas possível.

    Uma questão – os comentários no post seguinte (o dos ‘terroristas’) estão fechados por alguma razão especial?

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