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Afinal, diz-se “espanhol” ou “castelhano”?

Já me aconteceu usar o termo “espanhol” e ter alguém a corrigir-me, como se tivesse dito um grande disparate: afinal, devia saber que o nome correcto da língua oficial de Espanha é “castelhano”. Também já ouvi um espanhol a declarar alto e bom som que a sua língua é a espanhola e nunca por nunca diria que fala “castelhano” — esse espanhol parecia, aliás, bastante indignado com o uso da palavra “castelhano”.

A questão, na realidade, até é simples: a língua oficial em Espanha (e em vários outros países) tem dois nomes: “espanhol” e “castelhano”. Ambos se referem à mesma língua e são sinónimos. Ponto final.

Enfim, os pontos finais raramente são completamente finais… Os termos “espanhol” e “castelhano” são usados em situações diferentes, embora continuem sempre a referir-se à mesma língua. Espanha usa preferencialmente o termo “espanhol” nas suas relações com o exterior (por exemplo, através da acção do Instituto Cervantes). No território espanhol, o termo “castelhano” é usado, muitas vezes, como forma de contrapor o espanhol às outras línguas de Espanha. A própria Constituição Espanhola chama “castelhano” à língua oficial em toda a Espanha (co-oficial com outras línguas nalgumas regiões).

Nos outros países “hispanohablantes”, as várias constituições escolhem, de forma aparentemente aleatória, uma ou outra denominação da língua. O uso real do nome pela população varia de país para país:

 

[Fonte]

Como podemos ver no mapa acima, nas regiões espanholas onde também existe outra língua oficial, usa-se preferencialmente o termo “castelhano” — isto se exceptuarmos os independentistas, que dirão “espanhol” com prazer, pois é a língua de Espanha, que não é o país com o qual se identificam. Os outros habitantes das nacionalidades históricas preferem “castelhano” porque sabem que é apenas uma das várias línguas espanholas.

Já conheci catalães que nunca diriam “espanhol” para se referirem à língua de Espanha — mas também conheci uma mexicana que nem conhecia o termo “castelhano” para se referir à língua que falava. Também nos E.U.A., onde o espanhol é a segunda língua, com uma tradição de séculos, praticamente ninguém usa o termo “castelhano”.

Já a Real Academia Espanhola, assumindo que ambos os termos são correctos e sinónimos, recomenda o uso do termo “espanhol”.

Para resumir: em Portugal, podemos usar ambos os termos. Se querem um conselho, prefiram “espanhol”, que sempre é mais comum e mais claro… Mas nem por sombras se lembrem de corrigir alguém porque prefere dizer “castelhano”.

Instituto Cervantes

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19 Comentários

  1. Bem pensado ahah Tenho uma publicação sobre Barcelona. Dá uma espreitadela!

  2. A língua castelhana na Espanha oficialmente chama-se “castelhano”, isto é “castellano”. De maneira não oficial (e sobretudo nos países hispanofalantes da América) admite-se o termo “espanhol” para o “castelhano”, mas não tem o mesmo significado e mesmo pode ser ofensivo, sim, porque na Espanha há mais línguas oficiais do que o castelhano, e chamar uma delas de “espanhol” significa esquecer as outras, tomar a parte pelo tudo e quase fazer desaparecer a existência das outras línguas oficiais. Uma dessas outras línguas oficiais da Espanha é o chamado “galego” que é português (escrito com uma ortografia diferente por causa de problemas políticos entre a Espanha e Portugal que aguardamos ver superados algum dia para bem da língua portuguesa e dos galegos todos).

    • Obrigado pelo comentário! Em Espanha, a constituição usa o termo “castellano”, mas o Estado espanhol usa também o termo “español” de forma oficial em muitos casos. Mas é um uso que pode ferir algumas sensibilidades, de facto. Seja como for, tendo em conta que até o Instituto Cervantes usa o termo “español”, o uso do termo “espanhol” em Portugal é correctíssimo (e “castelhano” também).

    • Já agora, obrigado pela referência ao galego, a que voltaremos neste site. Se quiser propor um artigo para publicação sobre a sua perspectiva sobre o galego, seria óptimo!

    • Carlos

      O galego neste momento só é falado nas populações rurais da Galiza. Está em total desuso nas zonas urbanas e as comunidades mais jovens não o utilizam.

  3. Como sempre, “siempre la lengua fue compañera del imperio” (Lebrixa, 1492). A CE 1978 no art. 3.1. denomina a “lengua oficial del estado” “castellano”; não lhe diz também “español”,
    O ÚNICO NOME OFICIAL e CONSTITUCIONAL da “lengua oficial del estado” bourbónico é CASTELLANO.
    Outra cousa é que a RAE, por exemplo, seja ANTICONSTITUCIONAL ESPAÑOLA e utilize em exclusivo “espaÑol”.
    É habitual no reino bourbónico que as instituições sejam e procedam ANTICONSTITUCIONALMENTE, a começar pelo artigo da CE 1978 referente à “persona del rey”, a quem declara “inviolable”, contra o estabelecido nos arts. 14. e 10.2 dessa CE 1978.

  4. Joaquim Narciso

    Espanha é uma simples modernização de Hispânia que sempre se referiu ao conjunto da Península Ibérica. Sempre que o reino de Castela adotou o termo Espanha foi para reivindicar o direito ao conjunto da península – projeto, aliás, realizado durante 60 anos. O próprio D. Manuel terá protestado contra a adoção de tal título (que, na verdade, ele próprio desejava). Desta forma, qualquer português que se orgulhe do seu patriotismo não deveria usar não só o termo “espanhol”, mas também o termo “Espanha” para designar o reino de Castela, uma constante ameaça para Portugal, como se mostra pelo projeto ainda acarinhado por Franco de anexação de Portugal.

    • Marco Neves

      Sim, até à Restauração o termo Espanha (ou “Hespanha”) servia para o conjunto da Península, mas a partir daí passou a designar o Estado que ocupa toda a Península menos Portugal, Andorra e Gibraltar. Não há qualquer falha patriótica em usar o termo “Espanha” e “espanhol” para o Estado vizinho e para a língua. Havia, é certo, esse projecto de unificação (também alimentado, por vezes, pela monarquia portuguesa), mas o uso destas palavras por parte de portugueses está longe de significar qualquer apoio a essa unificação.

  5. Filipe Ventura

    Devo referir que essa era a primeira coisa que nos perguntavam na faculdade em História da Língua Espanhola, ao que respondíamos quase unanimemente que era castelhano. Linguisticamente o castelhano não existe e a língua falada em Espanha é o espanhol que, quanto muito, é uma língua castelhana. O castelhano foi a língua oficializada por Afonso X que sofreu tantas transformações já que os linguistas insistem que será mais correto designar esse idioma como espanhol. Este é o argumento linguístico, os restantes argumentos aqui apresentados prendem-se com suscetibilidades regionais ou questões legais.
    Cumprimentos

  6. José Jorge Custódio de Arruda Jorge Custódio

    \m/

  7. orxeira

    A língua oficial do reino de españa é o espanhol, portanto, a do reino unido da grã bretanha e irlanda do norte, junto com os outros países por eles colonizados é…. o británico….

    • Marco Neves

      A língua falada no Reino Unido é o inglês e não se usa outro nome. No caso do espanhol, há dois nomes em circulação: «espanhol» e «castelhano».

  8. E “castelão”?

  9. A língua chamasse-lhe castelão porque nasceu em Castela. E tamém se lhe chama espanhol, porque este foi o país que a espalhou polo mundo (Espanha).
    Na nossa língua sucede o mesmo. Pode-se usar galego, porque a língua nasceu na Galiza (na antiga Gallaecia). E tamém se lhe pode denominar português, porque este foi o país que a espalhou polo mundo (Portugal).
    Castelão/espanhol, galego/português… som diferentes denominações que recebe a mesma língua, som sinónimos e cada um pode usalo nome que lhe pete. Incluso, até pode alternar de nomenclaturas num mesmo texto; pra ter mais variedade léxica.

  10. Nom entendo a teima que tédelos portugueses n´usar “castelhano”. Esse o castelanismo mais descarado que existe. Castellano vêm de Castilla. Castelão vêm de Castela. Por que nom usádela forma enxebre “castelão”?

  11. Diogo Angélico

    Muito Esclarecedor! Muito Bom!

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