Certas Palavras

Línguas, livros e outras viagens

O último dia de Agosto e a felicidade (com livros)

beach-677785_640

Este último dia de Agosto tem sempre um sabor um pouco amargo. É como as tardes de domingo: ainda não é segunda-feira, mas o peso da dita já se sente nos ombros. Pois é: ainda não é Setembro, mas as férias acabam, as praias esvaziam-se, a rotina volta. Pois hoje, para comemorar o fim do mês, deu-me para falar de felicidade. Coisa aborrecida, não?

Li há uns tempos no El País que a felicidade são quatro coisas: conversas, música, actividade física — e sexo. Nada contra, mas faltava o óbvio quinto elemento: livros. Enfim, a felicidade é que uma pessoa quiser — mas lá que esses cinco elementos têm a sua importância, têm sim senhor (alguns deles até se podem misturar com muito proveito: a música, então, vai bem com tudo).

Bem, concorde ou não com o psicólogo citado pelo El País, a verdade é que as férias sabem tão bem porque podemos fazer tudo aquilo de que gostamos sem grandes interrupções (sim, eu sei bem, quem tem filhos deixa de poder fazer tudo o que quer a todo o momento — mas os filhos trazem um outro tipo de felicidade que não é chamada para este post).

Durante as férias, podemos aproveitar os dias à procura dessa felicidade concreta — nadar, correr, conversar, ouvir, amar. E ler, ler mesmo muito, sem intervalos. Pronto: convém comer. E dormir. Mas o tempo é imenso e as páginas dos livros passam quase sem darmos por elas, enquanto o nosso filho descobre como é bom nadar e estar ao sol.

Custa quando chega ao fim? Claro que sim. Mas reparem numa coisa: tudo o que disse acima não precisa de acabar no dia 31 de Agosto. Sim, teremos menos tempo. Mas a felicidade do quotidiano também implica arranjar tempo para ouvir música, beijar, correr ao fim da tarde, conversar com aqueles de quem gostamos. E ler.

Nesta guerra, o tempo será sempre uma espécie de inimigo — e é desesperante quando temos dias em que quase não conseguimos respirar, quanto mais ler & amar & conversar & correr. Mas desistir não vale a pena: com alguma sorte e muita arte, lá encontramos pequenas ilhas nos nossos dias para estas felicidades bem concretas.

É isso que vos desejo no regresso ao dia-a-dia. E, confessem lá, Setembro também tem os seus encantos. Lembro-me bem, quando era mais novo, de sentir o cheiro dos livros novos da escola e sorrir (os meus pais, a olhar para a conta, é que sorriam menos). Em Setembro, era o tempo de me reencontrar com os amigos. E continua a ser bom voltar com força e recomeçar. Pois, assim seja: um bom regresso a casa, ao trabalho e, se for o caso, às aulas — com boas conversas, uma corrida à beira-rio, algum amor, muita música e muitos livros.

Amanhã vou-vos contar um segredo das minhas férias: confundi a Grécia com Portugal! Amanhã, quer dizer: se tiver tempo. Bom fim de Agosto!

Anterior

Curso de Gestão de Projectos de Tradução na FCSH

Próximo

O dia em que confundi a Grécia com Portugal

1 Comentário

  1. Matilde Teixeira

    Inteiramente de acordo. Aliás Portugal inteiro ainda é um cantinho do Paraíso…

Deixar uma resposta

Powered by WordPress & Autor do grafismo: Anders Norén

By continuing to use the site, you agree to the use of cookies. more information

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close