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A acreditar pelo que se diz por aí, ninguém sabe ler nem escrever neste país.

Mas, para lá desses delírios, a verdade é que há cada vez menos portugueses analfabetos — mas ainda há demasiados.

Por isso, para lá de todos os catastrofismos, temos de resolver os problemas reais — e o analfabetismo que ainda existe é um problema bem real e com consequências para a vida de imensos milhares de portugueses.

Por isso, só posso ver com bons olhos que alguém tente resolver o problema. Veja-se esta notícia:

O analfabetismo atinge cerca de 550 mil pessoas em Portugal e não é exclusivo dos mais velhos: «Mais ou menos 40% estão na faixa etária ativa, não se trata apenas de pessoas com mais de 65 anos», contou à Lusa Armando Loureiro, da Associação Portuguesa de Educação e Formação de Adultos (APEFA), sublinhando que este é um problema que atualmente não tem resposta.

A APEFA defende por isso um projeto, «sem custos financeiros muito acrescidos», que consiste em oferecer formação convidando quem já está no terreno.

Não sei se os números estão correctos, mas não me custa acreditar. Agora, uma nota para alguns espíritos apressados. Que 40% dos analfabetos sejam cidadãos na idade activa significa que 60% são cidadãos mais velhos. Tendo em conta que os cidadãos mais velhos são em menor número, isto é um sintoma da melhoria tremenda dos números do analfabetismo nas últimas décadas.

Mas, seja como for, o analfabetismo que resiste é imenso e resolvê-lo é bem mais importante do que andar a carpir mágoas sobre uma língua que «está cada vez pior». Não, não está pior do que já esteve: está, isso sim, pior do que gostaríamos.

Por isso, sim: lutemos com todas as forças contra o analfabetismo — e, já agora, contra o inumerismo, outro problema de que poucos falam e que me parece estar bem mais espalhado do que o analfabetismo (mas sobre esse problema vamos falar um dia destes).

O meu livro mais recente é A Baleia Que Engoliu Um Espanhol (Guerra & Paz, 2017). Sou ainda autor de A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e Doze Segredos da Língua Portuguesa. Saiba mais nesta página.