Certas Palavras

Blogue de Marco Neves

Antes de te fazeres explodir, fica a saber…

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Sim, é verdade: somos todos muito impuros. Dizemos o que queremos, zangamo-nos uns com os outros, até nos insultamos. Gostamos de blasfemar (paciência). Vivemos entre gente que faz sexo como não deve, também: antes do casamento (ui), entre gente do mesmo sexo (ui, ui) e tudo isso. Há quem não goste, mas não anda a matar por causa disso. Sim, somos gente que peca a torto e a direito e se arrepende (ou faz pior no dia seguinte). Que horror, não é? Sim, vivemos em decadência, se quiseres. Acreditamos numas coisas num dia, noutras no dia seguinte. É uma tristeza. Misturamo-nos uns com os outros. Viajamos. Ouvimos música. Tentamos divertir-nos e ser um pouco felizes.

Agora, a novidade: não somos os Outros. Não se trata duma guerra entre muçulmanos e ocidentais: isso querias tu, mas tu não percebes nada de nada. Na verdade, nós estamos em todo o lado. Somos a gente normal que vive em todo o mundo, na Europa, nos países muçulmanos, nos países de outras religiões, nos países sem religião nenhuma: crianças e adultos que tentam viver o melhor possível.

Sim, ouviste bem. Somos os teus inimigos e estamos em todo o lado: seres humanos normais, cheios de defeitos, que duvidam e hesitam e não se explodem entre pessoas que não fizeram mal nenhum.

Tu és do restrito clube dos doidos varridos, dos iluminados, dos tarados da pureza, daqueles que dão mais valor a Deus do que à fraca carne humana, que vivem infectados com uma ideia muito pura, muito linda e tão, mas tão errada. Tu queres o mundo perfeito agora e já, nem que seja à força da bomba. Estás cheio de raiva e não tens cabeça para pensar melhor. Estás todo confundido. Infelizmente, a tua doença mata muita gente. Ao contrário de ti, sabemos que, no fundo, és tão humano como nós. Só que és fraco e uma besta, embora não saibas. Paciência. Tudo será perdoado, mas se o teu Deus de facto existir, fica a saber que te vai mandar direitinho para o inferno.

Chega-te para lá, se faz favor. Vai-te lá explodir para o meio do campo. Manda cumprimentos lá em baixo.

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8 Comentários

  1. Guarda

    Ao lado da placa. O Islão não têm nada a ver com o assunto. Os terroristas europeus , criados aqui, que frequentaram as nossas escolas são «nossos» , mesmo se foram os piores das turmas que frequentaram e não fizeram o mínímo esforço exigido para alcançar a tal «empregabilidade», se quiseram «ter» sem reparar aos «meios» lícitos para poder «comprar». A sua iliteracia abrange todas as línguas, incluída a árabe. Nunca praticaram o Islão que pretendem ir impor aos muçulmanos. Bebem alcool, fumam, consomem e vendem drogas , gostam de dançar e de ouvir música. São pequenos delinquentes, uma ínfima percentagem entre os muitos marginalizados das nossas sociedades , que tapam as suas frustrações com uma bandeira negra de importação. E quando finalmente a violencia que os habita não encontra outro forma de exteriorização suicidam-se matando, para terem a ilusão de um momento de glória . Não acreditam no paraíso e o vosso inferno não os assusta. Como os niilistas dos séculos passados são rebeldes sem causa

  2. Persis

    A paixão cega enlouquece os mais sensatos,
    torna grosseiros e maus os mais delicados e bondosos.
    (Valentim Magalhães)
    Marco Neves.
    Parabéns pela veemência de seu texto.
    Comovente.
    Estamos de luto por Bruxelas.

  3. maria correia

    Bravo!

  4. José Fernando S. M. Vieira

    Parabéns Marco Neves!!! Este texto está soberbo.

  5. Fantástico.
    Mas permitam-me opinar que infelizmente (não todo mas) uma pequena (embora importante) parte do Islão é utilizado como motivação para levar estes jovens a aceitarem o suicídio em vez de decidirem continuar a viver.
    São os textos ditos sagrados do Alcorão que são utilizados para o efeito e não os textos das constituições das nações atacadas ou até outros textos também ditos sagrados de outras religiões que são utilizados para o efeito.
    O debate interno no seio do Islão sobre esta temática é mais do que urgente.

    Se dúvidas existirem, citem-me as nações em que as leis islâmicas se encontram em vigor que tenham condenado de forma pública estas ocorrências ou quantos filmes sobre a vida de Maomé é que já se fizeram.

    Termino concordando: eles somos nós.
    (por isso é também nosso direito criticar essa corrente religiosa).

  6. Céu Rodrigues

    Excelente!

  7. Como sempre a leitura de um texto seu,representa algo de retemperador para o espirito conturbado e amedrontado de muitas pessoas.
    Este, especificamente diz tudo o que é menessário para que a “atormentação” seja debelada e racionalizada.
    Sinceramente, não será o meu caso,mas, sinceramente, obrigado por um texto inteligente e positivo, o que não é nada normal nos tempos que correm.

  8. Excelente ! …

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