Certas Palavras

Livros, línguas e outras viagens

Cinco prazeres de ter um livro na mão

books-985954_1280Há o prazer da leitura, claro. E da literatura, que é outra coisa. Pois hoje trago-vos cinco exemplos de prazer físico que os livros nos dão.

  1. Pegar nos livros. Sentir prazer só ao passar os dedos pelas páginas ainda fechadas. Sentir a lombada na mão. Pegar no livro e perceber o seu peso particular.
  2. Folheá-los. Passar pelas páginas… Lembrar-me do lugar exacto onde estava quando li aquele parágrafo. Recordar as emoções daquela história em particular.
  3. Cheirá-los. Era um maluquinho, eu. Conta-me a minha mãe que me punha a cheirar os livros, passando o nariz pela dobra… Menti-vos ainda agora: eu não era um maluquinho — eu sou um maluquinho.
  4. Encontrar vestígios do que éramos. Olhar para a data e local que deixámos na primeira página e sorrir um pouco. Descobrir as nossas anotações. Olhar para o que deixamos no meio das páginas. Encontrar um recibo dum restaurante onde não vamos há anos. Reler um antigo postal de Natal escrito pelos nossos amigos.
  5. Tirá-los das estantes, encostá-los uns aos outros, desarrumar e voltar a arrumar. Criar pilhas, desfazê-las e pegar num outro livro, ao calhar da sorte.

Os livros que lemos e guardamos são uma espécie de pedrinhas que vamos deixando na floresta, ajudando-nos a voltar atrás no tempo e perceber como éramos e como somos agora. E são, quase todos, objectos bonitos e apetitosos.

E ainda nem falei do maior prazer de todos: lê-los, por fim.

O meu livro mais recente é A Baleia Que Engoliu Um Espanhol (Guerra & Paz, 2017). Sou ainda autor de A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e Doze Segredos da Língua Portuguesa. Saiba mais nesta página.

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2 Comentários

  1. Paulo

    Há já algum tempo que aderi à leitura ebook.

    Mais fácil de manusear e sobretudo, não ocupa espaço em casa.

    É que na verdade, o livro físico, por mais bonito que seja (e obviamente não nego isso), ocupa demasiado espaço.

  2. Ana Neves

    Nada como sentir o livro (de papel) nas mãos, sentir o seu cheiro, folheá-lo e lê-lo até ao fim sem a tentação de ler a última página, antes de tempo. Sou leitora de LIVROS desde que aprendi a ler aos seis anos. Foi o meu primeiro vício e não me quero curar dele.

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