Façamos uma viagem de Lisboa até Moscovo, usando não um avião, mas a palavra “palavra”, por um dos muitos percursos possíveis.

Começamos no português palavra, para termos, logo a seguir, o castelhano, com a pequena troca dum “v” por um “b”: palabra.

Passamos ao catalão paraula, já a soar a além-Pirenéus, depois fazemos um desvio exótico pelo basco hitza, que interrompe as suaves transições latinas e não lembra a ninguém. Ainda nem saímos da península.

Depois dum peculiar mot francês (sabendo nós que há uma “parole” com outros significados – os terríveis falsos amigos), continuamos pelo italiano  parola, que lembra o catalão (ou será o contrário?).

Saltamos para o lado dos eslavos, começando pela beseda eslovena e a riječ croata.

Interrompemos a viagem eslava na ilha magiar, com szó, depois voltamos às línguas latinas, com o romeno cuvânt.

Deixamos o nosso alfabeto para chegarmos ao ucraniano слово [slovo], seguindo pelo слова [slova] bielorrusso.

A seguir, voltamos às letras latinas, com o lituano žodis, o letão vārds e o estónio sõna.

Saltamos o báltico para chegar ao finlandês sana e damos uma volta final para chegar a Moscovo, com o russo слово [slovo].

Há pequenas curiosidades: o estónio e o finlandês aproximam-se (compreensivelmente), o primeiro deles usando o nosso conhecido til. As línguas bálticas não parecem vizinhas – e, por fim, para quem ache o ucraniano, bielorrusso e russo demasiado parecidos, não nos esqueçamos que, para eles, as formas portuguesa e espanhola são quase iguais.

Só para acabar, outras paragens, que ficam como desafio: kelime, từ e o lindíssimo orð. Tudo outras formas de dizer “palavra”.