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Ora, parece que, na Internet, é fácil criar notícias falsas que toda a gente partilha no Facebook.

(Sim, eu sei que já falei do assunto. Mas cada um tem as suas pancadas, não é?)

Ainda agora, lá me apareceu uma notícia que dizia isto: «Donald Trump diz que os Portugueses são iguais aos Espanhóis, mas com pior vinho.»

Reparem. A notícia tem dois elementos essenciais para levar à partilha indignada e compulsiva:

  1. Uma personagem de quem a maior parte das pessoas (ou, pelo menos, a maior parte do nosso círculo de amigos) não gosta mesmo nada.
  2. Um ataque à nossa identidade (nacional, política, regional, local…).

Com estes dois elementos, basta inventar um bom título e já está!

Reparem: Donald Trump + ataque aos Portugueses. Bingo!

Mesmo pessoas muito inteligentes, informadas e pouco dadas a teorias da conspiração acabam por cair.

Porquê?

Porque, naqueles segundos em que estamos a navegar e encontramos a notícia tão apetitosa, não partilhar parece quase uma traição (afinal, é um ataque à nossa identidade). Além disso, quem disser que a notícia é mentira arrisca-se a soar a defensor da personagem, mesmo que goste tão pouco dela como os partilhadores implacáveis.

No caso da notícia do Donald Trump, a própria notícia informava que era falsa — bastava esperar uns segundos… (Até informava quem tinha sido o inventor da partida.)

Conclusão?

Se a notícia for sobre alguém de quem não gostamos e incluir um ataque àquilo de que gostamos ou em que acreditamos — chegou a hora de desconfiar! Até pode ser verdadeira, mas mais vale estar prevenido e verificar primeiro…

O meu livro mais recente é A Baleia Que Engoliu Um Espanhol (Guerra & Paz, 2017). Saiba mais nesta página.