When everything seems to be going against you, remember that the airplane takes off against the wind, not with it.

Não sei muito bem quem teve a ideia de chamar a este 5 de Maio o Dia da Língua Portuguesa. Mas não faz mal. Pode ser hoje e se, entretanto, decidirmos que há mais datas que merecem o título, que fiquem essas também. Não vem mal ao mundo.

Ora, este dia, para ter algum significado, não pode ser o dia duma entidade abstracta que defendemos como um cavaleiro andante defende uma donzela distante.

Tem de ser o dia:

  • dos professores de português, que todos os dias lutam para que os alunos mexam na língua o melhor possível, sem medo e com gosto (e também com esforço, porque escrever não é fácil);
  • dos escritores, que pegam na língua e criam qualquer coisa que nos surpreende;
  • dos tradutores, que trazem tantos textos até à nossa língua;
  • dos revisores, que limpam os textos que escrevemos;
  • dos linguistas, que transformam a curiosidade em estudo sério;
  • de todos os falantes que chamam português à sua língua, sem excepção. Afinal, com mais ou menos tropeções, todos nós usamos a língua e, no fundo, somos a língua portuguesa. A língua não é mais do que as pessoas concretas que a falam e escrevem — e, também, a memória de todos os que a falaram e escreveram ao longo dos séculos.

A todos, um feliz Dia da Língua Portuguesa.

O meu livro mais recente é A Baleia Que Engoliu Um Espanhol (Guerra & Paz, 2017). Sou ainda autor de A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e Doze Segredos da Língua Portuguesa. Saiba mais nesta página.