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Imaginem que uma grande empresa portuguesa trocava de CEO com outra grande empresa. Algum português deixaria de dormir por causa de tal desfeita? Não me parece.

Agora vemos um treinador que vai para o rival do outro lado da rua. O que acontece? Ódios e tremores de raiva — ou sorrisos de vitória.

Porquê? Porque os clubes não são empresas, por mais que tentem disfarçar-se de SAD e outras que tais. Aliás, quem dera às empresas despertar as mesmas paixões (e muitas tentam-no desesperadamente).

Os clubes são tribos. São formas de afirmar identidades criadas à pressão (“eu sou verde, tu és encarnado”), para nos podermos libertar esse demónio tribal, que gosta de divisões e de saber quem são os nossos e quem são os outros. É assim a natureza humana — e não vale a pena lamentar-nos, somos bichos estranhos. O que podemos fazer é respirar fundo e gerir essa mesma natureza humana…

Encontrar um escape desportivo para este tribalismo não é uma má ideia. Se virmos bem, seria bem pior que aqueles que ali estão aos gritos nas claques odiassem da mesma forma a nação vizinha ou aqueles que têm outra religião — sim, se juntarmos tribalismo e nação ou tribalismo e religião temos chatice à certa. Mais vale ficar a ver a bola e a dizer mal do Jorge Jesus (ou a dizer bem, dependendo do lado da Segunda Circular em que estamos).