Certas Palavras

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O meu sobrinho Martim e as palavras difíceis

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O meu sobrinho Martim é um rapaz cheio de genica e pouco interessado em discussões filosóficas. Quer é brincar, o que se aconselha aos sete anos.

Pois, hoje, quando o fui buscar à escola, decidiu presentear-me com as seguintes perguntas:

«Tio, “incisivo” tem três “ii”?»

A minha resposta, depois de rever mentalmente a palavra: «sim».

Fiquei com a pulga atrás da orelha. Donde viria a pergunta?

Segunda pergunta:

«Tio, “otorrinolaringologista” tem três “ii”?»

Aqui, ia-me engasgando. Primeiro, porque ele disse a palavra sem pestanejar nem hesitar. Depois, porque na idade dele eu ainda nem sabia dizer bem os «rr», quanto mais «otorrinolaringologista». Por fim, engasguei-me porque precisei de algum tempo para contar os «ii» à palavra.

Fiz-lhe uma pergunta:

«Como é que sabes dizer isso tão bem?»

«Ora, tio, é tão fácil como dizer “pipapapígrafo”.»

Ah, bom. Sendo assim, está bem.

Continuo com a pulga atrás da orelha, porque entretanto ele foi para o futebol e não me explicou donde vem esta repentina obsessão com o número de «ii» das palavras difíceis.

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1 Comentário

  1. José Júlio Costa-Pereira

    Não tenho sobrinhos, mas tivesse gostaria que fossem como o Martim.

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