Reparem nas notas do tradutor. Abram um livro traduzido e, em muitos casos (mas não em todos), se folhearem com atenção, encontrarão uma dessas notas (marcada N. do T. ou N. da T.).

Estarão lá para explicar ao leitor qualquer coisa que ele não sabe e é essencial para compreender aquele ponto do texto.

Este será o princípio, mas é fácil encontrar casos em que as notas parecem um pouco excessivas: certamente o tradutor não julgará que o leitor não sabe aquilo…

Pois, assim será, mas dêem o benefício da dúvida ao tradutor, que não só encontra nessas pequenas notas uma das formas de escapar à famosa invisibilidade que assola a nossa profissão, como pensou bem no caso — além disso, será assim tão óbvio o que sabe ou não o leitor?

Perguntemo-nos, antes, se os leitores das traduções não têm, neste caso, alguma sorte em comparação com os leitores das obras originais: têm alguém a explicar aquilo que muitos nem sequer sabem que não sabem.

Enfim, só essas pequenas notas do tradutor têm muito que se lhes diga, como já viram. E há muito mais a dizer sobre a tradução e tudo o que a rodeia.

É isso que encontrarão por aqui — mas não prometo que não fuja para outros assuntos, quando assim me aprouver.

O meu livro mais recente é A Baleia Que Engoliu Um Espanhol (Guerra & Paz, 2017). Sou ainda autor de A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e Doze Segredos da Língua Portuguesa. Saiba mais nesta página.