Não é a única razão para ler O Que Fazem Mulheres: também temos um capítulo solto para ser enfiado onde quisermos (salvo seja) e cinco páginas que não são para ler — e lá estão bem fechadas, à espera que algum leitor mais curioso se dê ao trabalho de as destapar. Depois, temos choro e ranho e bacamartes, num romance cómico que brinca sem pudor com os livros que se levam demasiado a sério. Mas, sim, ao acabar de ler o livrinho, o que fica a zoar aos ouvidos é mesmo o génio de Camilo quando descreve, em duas páginas cruéis, um homem de estatura «essencialmente pançuda», pálpebras «túmidas e pilosas como a casca da fava», «bochechas gordurentas», «beiços bicolores», «refegos relaxados», dentes com «uma crusta de cárie» e dois cepos como pernas — estas são apenas algumas das entradas nesse catálogo estupendo da feiura do homem. Rimo-nos e depois paramos de rir, com medo que nos apareça tal figura à nossa frente. E João José Dias nem merecia tal sorte, mas ninguém escolhe o corpo com que nasce. Vá, vão lá conhecer o homem mais feio da literatura nacional. Agradeçam ao Camilo.