Reparem nesta notícia: um americano decidiu criticar uma mãe em público porque estava a falar com a filha em espanhol.

Esta pessoa pode ser acusada de muita coisa, mas na realidade não sabemos se é inteligente ou não. Mas podemos afirmar com muita segurança que é um preguiçoso mental.

Ou seja, não quer saber de subtilezas, pega nas ideias como lhe aparecem, não as analisa, mistura tudo e acusa os outros de não caberem na sua visão muito estreita do mundo.

Neste caso, a preguiça dá nisto: “Na América, falamos inglês. As pessoas que falam espanhol vêm de Espanha. Estás na América? Fala inglês! Se não falares, és uma espécie de russo ou nazi, que como todos sabem, é a mesma coisa.”

Anda por aí muita preguiça mental, claro. Não digo que haja mais do que antigamente — essa maneira de pensar em que o passado é sempre melhor do que o presente também é muito preguiçosa… Mas, lá está, o que muitos acham ser falta de inteligência é apenas e só preguiça. Às vezes, é preciso pensar, é preciso não aceitar à primeira as ideias que nos aparecem à frente, por mais agradáveis e verossímeis que nos pareçam.

Para dizer a verdade, todos nós somos preguiçosos mentais em certos dias e certas horas. Sei que custa admitir, mas é verdade.

Querem mais um exemplo de preguiça mental? Muitos europeus ouvem esta história e disparam logo: “ah, estes americanos…” No fundo, também estão a ser preguiçosos mentais, é o que é.

O meu livro mais recente é A Baleia Que Engoliu Um Espanhol (Guerra & Paz, 2017). Sou ainda autor de A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e Doze Segredos da Língua Portuguesa. Saiba mais nesta página.