Certas Palavras

Blogue de Marco Neves

Porque é que os ingleses têm frio em Portugal?

Os ingleses que tenho em mente não são bem ingleses: falo do meu irmão e da minha cunhada, que foram lá para as terras britânicas há uns anos e agora dizem que, por cá, o que sentem é frio. Ah, mas não são só os meus «ingleses»: ainda há anos andei às voltas a mostrar Lisboa a uma holandesa que garantia sentir um briol dos antigos quando vinha a Portugal.

Mas como é possível? Bem, convém explicar que estamos a falar do interior das casas… As casas do Norte da Europa estão feitas para o frio e são, por isso, quentes. Por cá, temos a mania que vivemos num Verão eterno e temos paredes que deixam passar qualquer frieza.

Estarei a delirar? Mas então por que razão há tanta gente lá de cima (da Europa) que treme de frio quando se mete entre quatro paredes lusitanas? E por que razão me sinto tão quentinho quando vou visitar o meu irmão?

Enfim, são preocupações de Inverno: o que vale é que amanhã os dias lá começam a crescer e em breve já ninguém acredita que também faz frio em Portugal — aqui a sul o Inverno é coisa que bate forte e passa depressa. Espero eu.

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8 Comentários

  1. Confirmo a 100%.
    A irmã da minha esposa reside há 11 anos em Newcastle (norte de Inglaterra) e casou com um inglês. Quando vêm cá, ele passa-se com o frio. Na zona oeste (perto da Lourinhã), foi um dos locais onde ele comparou o frio português como algo que se entranha e que quase chega aos ossos, de tão violento que é.
    Pessoalmente suponho que o problema no exterior seja causado pela humidade atlântica, mas no interior das casas, o segredo até nem é “ciência espacial”
    As casas dispõem de aquecimento central e não sei se já repararam que a maioria das paredes são revestidas a tijolo “burro”, que são conhecidos pelas capacidades de acumulação térmica, o que auxilia a manter a temperatura amena no interior.

    E eu quase me atreveria a criticar a construção civil portuguesa, mas acho que deixarei a para depois minha crítica aos lucros astronómicos que gera, sabendo que a implementação de sistemas de aquecimento central até nem seria um grande investimento se feito logo no momento da construção dos imóveis… Mas isso já são outras palavras… 😉

  2. Joaquim Jordão

    « (…) uma holandesa que garantia sentir um briol dos antigos quando vinha a Portugal.»
    “Briol” ?!! – Ó Marco, você está a gozar, ou quê?! Isso é coisa que se diga em bom português?!
    Ou está a arranjar mais um dos seus truques para, criando uma nova polémica, tentar convencer-nos que essa palavra existe oficialmente na nossa estimada língua e deriva da língua holandesa?
    Pois está muito enganado.
    Cá para mim, ela derivou do islandês para o holandês, porque lá na Islândia é que o briol faz verdadeiro sentido — no sentido de que se faz sentir com’ó caraças — e na Holanda, vamos lá, também faz algum sentido.
    É por isso que os holandeses, vindo cá a visitar o nosso querido Portugal, quando estão à mesa nos nossos restaurantes comentam entre si, e com o empregado de mesa, que, a acreditar na nossa propaganda turística, mesmo no Verão estavam à espera de menos “briol”.
    E o empregado de mesa vai tentando entender o que é isso de “briol”, e eles, com o auxílio de gestos, e tal, lá vão esclarecendo o que aquilo quer dizer.
    Até que, graças ao esforço poli-linguístico dos nossos empregados de mesa, a palavra “briol” – que os empregados de mesa proferem acompanhada de gestos esfregando os braços e os ombros – começou a ser informalmente utilizada nos restaurantes turísticos, embora apenas quando estão presentes cidadãos holandeses.
    E depois, aos pouquitos… está a ver, não é?… também estão ali alguns clientes portugueses a fazerem-se simpáticos para os holandeses, e tal…
    Mas atenção: aquilo é por causa do turismo, não é da língua portuguesa!!
    Prontos; agora, se me dá licença, vou beber um tintol, a ver se aqueço, que está um frio do caraças.

  3. Matilde Teixeira

    É normal sentir frio em Portugal quando nos habituámos a viver em países do norte em que a regra é o aquecimento central. Nesses países até a forma de nos vestirmos é diferente. Andamos com um casaco muito quente e bem apertado na rua mas com roupa mais fina por dentro. Nao se aguentariam nos interiores aquecidos grandes camisolas …. e, mal se chega a casa de alguém ou a um restaurante, por exemplo, a primeira coisa a fazer é despir o agasalho… Estranho sempre ver gente, na nossa terra, de casaco vestido em interiores assim como acho esquisito não se fecharem os casacos quando se anda na rua ao vento e ao frio.
    Aqui tem-se mais frio em casa do que na rua….e verdade, mas às vezes também faz bem frio!
    Ainda hoje, em Coimbra, a dona de uma loja me pediu desculpa por ter a porta de entrada ligeiramente fechada. Estava adoentada e tinha frio mas não ousava fechar a porta ( de vidro! ) com receio de afugentar a clientela! Não é, de facto, hábito nosso protegermo-nos do frio. Até quase parece mal! Em Portugal nada está previsto para o frio, noutros países, menos bafejados por clima ameno, nada está previsto para o calor! E quando aí dá para aquecer faz-nos bem falta a nossa brisa refrescante, a aragem que sempre corre mesmo no verão !

  4. José Júlio da Costa-Pereira

    Este problema de frios,quanto a mim,relaciona-se muito com a humidade ,no meu caso,que passo muitas temporadas por ano,quer em Lisboa,quer em Bruxelas,onde hoje,por acaso me encontro,sinto muito tanto o frio dos 6 graus de hoje aqui,como sinto muito mais os 13 ou 14 de Lisboa.Mas é isso mesmo, o frio de Bruxelas é seco e o de Lisboa húmido.Também o tipo de construções nem sempre é o mais adequado.
    Mas.por exemplo.o calor de Moçambique,eu suporto melhor porque é húmido em relação ao de Lisboa ,este extremamente seco.
    Não tomo mais o seu tempo e aproveito o ensejo para lhe desejar um Feliz Natal e um magnifico Novo Ano,repleto de vivências positivas.Obrigado também,por tudo o que nos ensina ou recorda.Abraço fraterno.
    COSTA-PEREIRA,

  5. Daniel Martineschen

    Caro Marco,

    morando no Brasil percebo que há o mesmo pensamento, de que “vivemos um verão eterno” e que portanto as casas não precisam de qualquer preparo maior para o inverno. Passo muitíssimo mais frio aqui no outono do sul do Brasil do que quando estive no sul da Alemanha no alto inverno, a temperaturas de -10°C diárias. Aqui qualquer geadinha faz congelar tudo, e dá-lhe cobertas para tentar se proteger. Está certo, neve aqui só em cidades serranas de maior altitude, mas que temos frio, temos! O eterno verão pode ser no Rio de Janeiro ou na Bahia, mas pra sul do Trópico de Capricórnio o verão é curtinho…. Por isso casas do sul se enchem de fogões a lenha, para tentar combater um pouco a friaca daqui…

    abraços natalinos e silvestrinos!

  6. Paulo

    Lê o livro “Como não morrer de fome em Portugal” da Lucy Pepper.
    Ela concorda contigo (ou tu com ela), relativamente à nossa noção de pensar que ‘vivermos’ num eterno verão.

    Em termos da minha opinião e referindo um anterior comentário de que seria relativamente barato incluir um sistema de aquecimento central aquando da construção, refiro que sim.
    Seria “barato” essa inclusão (eu construi uma vivenda e tem tudo preparado para isso -tubagens-), mas os custos da sua utilização são (para os nossos ordenados) extremamente elevados.
    Sai muito mais barato os normais aquecedores eléctricos a oleo, colocados judiciosamente quarto a quarto e ignorando as partes comuns.

    • Marco Neves

      Ofereci esse livro no Natal, mas ainda não comprei para mim. Vou ver se não passa desta semana! 🙂

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