Certas Palavras

Livros, línguas e outras viagens

Porque é que os ingleses têm frio em Portugal?

Os ingleses que tenho em mente não são bem ingleses: falo do meu irmão e da minha cunhada, que foram lá para as terras britânicas há uns anos e agora dizem que, por cá, o que sentem é frio. Ah, mas não são só os meus «ingleses»: ainda há anos andei às voltas a mostrar Lisboa a uma holandesa que garantia sentir um briol dos antigos quando vinha a Portugal.

Mas como é possível? Bem, convém explicar que estamos a falar do interior das casas… As casas do Norte da Europa estão feitas para o frio e são, por isso, quentes. Por cá, temos a mania que vivemos num Verão eterno e temos paredes que deixam passar qualquer frieza.

Estarei a delirar? Mas então por que razão há tanta gente lá de cima (da Europa) que treme de frio quando se mete entre quatro paredes lusitanas? E por que razão me sinto tão quentinho quando vou visitar o meu irmão?

Enfim, são preocupações de Inverno: o que vale é que amanhã os dias lá começam a crescer e em breve já ninguém acredita que também faz frio em Portugal — aqui a sul o Inverno é coisa que bate forte e passa depressa. Espero eu.

O meu livro mais recente é A Baleia Que Engoliu Um Espanhol (Guerra & Paz, 2017). Sou ainda autor de A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e Doze Segredos da Língua Portuguesa. Saiba mais nesta página.

Anterior

Uma prenda de Natal: um curso sobre o corrector ortográfico do Word

Próximo

Feliz Natal!

8 Comentários

  1. Confirmo a 100%.
    A irmã da minha esposa reside há 11 anos em Newcastle (norte de Inglaterra) e casou com um inglês. Quando vêm cá, ele passa-se com o frio. Na zona oeste (perto da Lourinhã), foi um dos locais onde ele comparou o frio português como algo que se entranha e que quase chega aos ossos, de tão violento que é.
    Pessoalmente suponho que o problema no exterior seja causado pela humidade atlântica, mas no interior das casas, o segredo até nem é “ciência espacial”
    As casas dispõem de aquecimento central e não sei se já repararam que a maioria das paredes são revestidas a tijolo “burro”, que são conhecidos pelas capacidades de acumulação térmica, o que auxilia a manter a temperatura amena no interior.

    E eu quase me atreveria a criticar a construção civil portuguesa, mas acho que deixarei a para depois minha crítica aos lucros astronómicos que gera, sabendo que a implementação de sistemas de aquecimento central até nem seria um grande investimento se feito logo no momento da construção dos imóveis… Mas isso já são outras palavras… 😉

  2. Joaquim Jordão

    « (…) uma holandesa que garantia sentir um briol dos antigos quando vinha a Portugal.»
    “Briol” ?!! – Ó Marco, você está a gozar, ou quê?! Isso é coisa que se diga em bom português?!
    Ou está a arranjar mais um dos seus truques para, criando uma nova polémica, tentar convencer-nos que essa palavra existe oficialmente na nossa estimada língua e deriva da língua holandesa?
    Pois está muito enganado.
    Cá para mim, ela derivou do islandês para o holandês, porque lá na Islândia é que o briol faz verdadeiro sentido — no sentido de que se faz sentir com’ó caraças — e na Holanda, vamos lá, também faz algum sentido.
    É por isso que os holandeses, vindo cá a visitar o nosso querido Portugal, quando estão à mesa nos nossos restaurantes comentam entre si, e com o empregado de mesa, que, a acreditar na nossa propaganda turística, mesmo no Verão estavam à espera de menos “briol”.
    E o empregado de mesa vai tentando entender o que é isso de “briol”, e eles, com o auxílio de gestos, e tal, lá vão esclarecendo o que aquilo quer dizer.
    Até que, graças ao esforço poli-linguístico dos nossos empregados de mesa, a palavra “briol” – que os empregados de mesa proferem acompanhada de gestos esfregando os braços e os ombros – começou a ser informalmente utilizada nos restaurantes turísticos, embora apenas quando estão presentes cidadãos holandeses.
    E depois, aos pouquitos… está a ver, não é?… também estão ali alguns clientes portugueses a fazerem-se simpáticos para os holandeses, e tal…
    Mas atenção: aquilo é por causa do turismo, não é da língua portuguesa!!
    Prontos; agora, se me dá licença, vou beber um tintol, a ver se aqueço, que está um frio do caraças.

  3. Matilde Teixeira

    É normal sentir frio em Portugal quando nos habituámos a viver em países do norte em que a regra é o aquecimento central. Nesses países até a forma de nos vestirmos é diferente. Andamos com um casaco muito quente e bem apertado na rua mas com roupa mais fina por dentro. Nao se aguentariam nos interiores aquecidos grandes camisolas …. e, mal se chega a casa de alguém ou a um restaurante, por exemplo, a primeira coisa a fazer é despir o agasalho… Estranho sempre ver gente, na nossa terra, de casaco vestido em interiores assim como acho esquisito não se fecharem os casacos quando se anda na rua ao vento e ao frio.
    Aqui tem-se mais frio em casa do que na rua….e verdade, mas às vezes também faz bem frio!
    Ainda hoje, em Coimbra, a dona de uma loja me pediu desculpa por ter a porta de entrada ligeiramente fechada. Estava adoentada e tinha frio mas não ousava fechar a porta ( de vidro! ) com receio de afugentar a clientela! Não é, de facto, hábito nosso protegermo-nos do frio. Até quase parece mal! Em Portugal nada está previsto para o frio, noutros países, menos bafejados por clima ameno, nada está previsto para o calor! E quando aí dá para aquecer faz-nos bem falta a nossa brisa refrescante, a aragem que sempre corre mesmo no verão !

  4. José Júlio da Costa-Pereira

    Este problema de frios,quanto a mim,relaciona-se muito com a humidade ,no meu caso,que passo muitas temporadas por ano,quer em Lisboa,quer em Bruxelas,onde hoje,por acaso me encontro,sinto muito tanto o frio dos 6 graus de hoje aqui,como sinto muito mais os 13 ou 14 de Lisboa.Mas é isso mesmo, o frio de Bruxelas é seco e o de Lisboa húmido.Também o tipo de construções nem sempre é o mais adequado.
    Mas.por exemplo.o calor de Moçambique,eu suporto melhor porque é húmido em relação ao de Lisboa ,este extremamente seco.
    Não tomo mais o seu tempo e aproveito o ensejo para lhe desejar um Feliz Natal e um magnifico Novo Ano,repleto de vivências positivas.Obrigado também,por tudo o que nos ensina ou recorda.Abraço fraterno.
    COSTA-PEREIRA,

  5. Daniel Martineschen

    Caro Marco,

    morando no Brasil percebo que há o mesmo pensamento, de que “vivemos um verão eterno” e que portanto as casas não precisam de qualquer preparo maior para o inverno. Passo muitíssimo mais frio aqui no outono do sul do Brasil do que quando estive no sul da Alemanha no alto inverno, a temperaturas de -10°C diárias. Aqui qualquer geadinha faz congelar tudo, e dá-lhe cobertas para tentar se proteger. Está certo, neve aqui só em cidades serranas de maior altitude, mas que temos frio, temos! O eterno verão pode ser no Rio de Janeiro ou na Bahia, mas pra sul do Trópico de Capricórnio o verão é curtinho…. Por isso casas do sul se enchem de fogões a lenha, para tentar combater um pouco a friaca daqui…

    abraços natalinos e silvestrinos!

  6. Paulo

    Lê o livro “Como não morrer de fome em Portugal” da Lucy Pepper.
    Ela concorda contigo (ou tu com ela), relativamente à nossa noção de pensar que ‘vivermos’ num eterno verão.

    Em termos da minha opinião e referindo um anterior comentário de que seria relativamente barato incluir um sistema de aquecimento central aquando da construção, refiro que sim.
    Seria “barato” essa inclusão (eu construi uma vivenda e tem tudo preparado para isso -tubagens-), mas os custos da sua utilização são (para os nossos ordenados) extremamente elevados.
    Sai muito mais barato os normais aquecedores eléctricos a oleo, colocados judiciosamente quarto a quarto e ignorando as partes comuns.

    • Marco Neves

      Ofereci esse livro no Natal, mas ainda não comprei para mim. Vou ver se não passa desta semana! 🙂

Deixe uma resposta

Powered by WordPress & Autor do grafismo: Anders Norén

By continuing to use the site, you agree to the use of cookies. more information

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close