O Estado não regula a forma como pronunciamos as palavras (e ainda bem). Não regula que vocábulos devemos escolher em cada ocasião. Não regula a sintaxe. Nem a semântica. Por que razão tem de regular a ortografia? Há muitas línguas cujas ortografias não são reguladas por lei e ninguém parece importar-se muito (e não deixa de ser possível escrever correctamente).

Olhando para o caso extremo da Noruega, em que a intervenção do Estado ao longo do tempo criou uma situação absurda, com várias ortografias e duas normas separadas, e ainda para o caso extremo do inglês, que ninguém regula e não se pode dizer que esteja por aí a sofrer, não sei se não prefiro caminhar para uma ortografia regulada, não pelo Parlamento, mas antes por academias, por universidades e, no fundo, por quem fala e escrever português.

O meu livro mais recente é A Baleia Que Engoliu Um Espanhol (Guerra & Paz, 2017). Sou ainda autor de A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e Doze Segredos da Língua Portuguesa. Saiba mais nesta página.