É a sina de viver num país donde sai muita gente: há famílias que convivem à distância de milhares de quilómetros.

Digo bem: «convivem». Os skypes, facetimes e hangouts desta vida lá nos deixam falar sem parar e ver os primeiros passos de uma sobrinha que vive bem lá no norte da Europa. A tão odiada tecnologia, por vezes, é uma coisa muito boa.

Claro que não é a mesma coisa. Mas há destas ironias: o meu filho e a prima estão a crescer a mais de 2000 km de distância, mas acabaram por aprender a andar na mesma casa — o Simão (já agora, ficam a saber o nome dele) deu os primeiros passos na casa do meu irmão, que tem uma muito confortável alcatifa que ajuda à confiança dos petizes. Esta semana, foi a vez da Lilah, a prima, nessa mesma casa inglesa, que eu gostava muito de visitar mais vezes.

Outra ironia: mesmo a esta distância toda, o meu irmão Diogo é dos familiares com quem mais falo. A razão é simples: estamos ambos infectados pelo vírus da geekice, embora de estirpes diferentes: ele mais tecnológico, eu um pouco mais literário. Não importa: nenhum de nós gosta dessas fronteiras artificiais entre mundos. A Zélia e a Sofia já sabem que, quando nos juntamos, têm de aturar conversas sem fim pela noite fora. Quando não estamos juntos, conversamos por escrito pela semana fora.

Há ainda os outros primos: os filhos dos nossos amigos, que uma deliciosa convenção nos leva a chamar tios dos nossos filhos. 

Quase todos os dias, o Simão vê o Quico, filho da Ana, nossa amiga que anda a ensinar nos Emirados. Talvez, daqui a uns anos, sejam amigos porque se habituaram a ver-se à distância, no Skype ou nos pequenos vídeos que enviamos uns aos outros.

Não é a mesma coisa, claro. Mas assim aliviamos a distância.