Sei que há quem ande pelo mundo convencido que foi o Facebook que estragou o português escrito. Ora, meus caros, não é que a escrita amalucada já existia antes? Na imagem acima podem ver Camilo a gozar com a pontuação hiperbólica do homem mais feio da literatura portuguesa (falo-vos dele entretanto). Cá está um sinal de que sempre houve muita gente que escrevia às três pancadas — mesmo entre os poucos que sabiam escrever. Mas — dizia eu — se não caio nesse pessimismo ingénuo, também tenho as minhas irritações. E uma delas é mesmo esse uso excessivo dos pontos de exclamação. É pá, guardem-nos para as conversas privadas. E para quando são mesmo mesmo mesmo precisos (o que não será todos os dias). Bem, foi por isso que achei por bem dar o nome Ponto & Vírgula a este blogue. É que — se muitos abusam das vírgulas, outros dos pontos, muitos das exclamações e interrogações — quase todos se esquecem do pobre ponto e vírgula. Aliás, serei dos muitos que quase nem usam tal sinal. Enfim: aqui fica a minha homenagem ao casal mais antigo da pontuação portuguesa.

Imagem da página 143 do livro O Que Fazem Mulheres, de Camilo Castelo Branco. Publicado originalmente em 1858. Publicado pela Guerra e Paz em 2016. Fixação do texto e prefácio de Helder Guégués

(Este texto foi publicado primeiro no blogue Ponto & Vírgula.)

O meu livro mais recente é A Baleia Que Engoliu Um Espanhol (Guerra & Paz, 2017). Sou ainda autor de A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e Doze Segredos da Língua Portuguesa. Saiba mais nesta página.