Certas Palavras

Blogue de Marco Neves

As quatro línguas de Espanha

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Ah, os tovallons…

Sim, sim, eu sei. É mania. Mas gosto de reparar nestas coisas.

É raro, mas em terras bem castelhanas, há um ou outro sítio onde encontramos as quatro línguas (principais) de Espanha.

Neste caso, foi num sítio estranho. Mais propriamente, num pacote de guardanapos encontrado em terras murcianas:

TOVALLONS

Isto enviado numa máquina do tempo até aos Anos 50 era coisa para provocar muitos ataques cardíacos. O próprio do Franco teria morrido mais cedo se soubesse que este era o futuro.

Bem, nem é preciso viajar no tempo: ainda hoje há quem fique horrorizado com esta (relativa) visibilidade das outras línguas de Espanha. São almas mergulhadas num monolinguismo que só lhes limita o mundo…

Mas vão por mim: é o futuro, se o país vizinho quiser continuar inteiro.

Se a Espanha souber dar às suas línguas a mesma dignidade institucional, um dia, à porta dos edifícios oficiais, lá teremos:

REINO DE ESPAÑA (castelhano)
REGNE D’ESPANYA (catalão)
ESPAINIAKO ERRESUMA (basco)
REINO DE ESPAÑA (galego)

Claro que há muitas complicações nisto: muitos valencianos insistiriam numa quinta linha… O nosso querido galego teria ou não o «nh»?… E o aragonês, o asturiano, o aranês, etc.?… E será que esta Espanha assumidamente multilingue seria realmente confortável para todas as narrativas nacionais que vivem no nosso país vizinho?

Não sei. Tenho muitas dúvidas. Mais ainda mais dúvidas tenho sobre o futuro dum Estado que insiste numa espécie de ideal monolingue, dizendo a milhões e milhões de pessoas que as suas línguas não servem para grande coisa.

Sim, parece-me que o caminho deve mesmo ser a igualdade institucional daquelas que são as quatro línguas principais de Espanha. E mais: se ninguém vai querer perder a vantagem de aprender castelhano (e todos o aprendem!), não seria engraçado que as outras línguas fossem também ensinadas nas escolas do resto de Espanha? É isto inconcebível?

Dir-me-ão alguns: mas qual a utilidade de pôr um madrileno a aprender catalão? Bem, talvez servisse para salvar a Espanha inteira que esse madrileno defende. Perante isto, um madrileno menos dado à defesa da diversidade linguística dir-me-á (imbuído duma honestidade muito rara): «Ah, mas o que defendo é uma Espanha que fale apenas e só a bela língua espanhola!» Ora, amigo, aí digo-lhe eu: essa Espanha não existe.

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15 Comments

  1. Paulo

    Uma das razões do nascimento da ETA, foi o esmagamento que Franco (ou o seu governo) fez às lnguas regionais, neste caso específico, ao Basco.

    • Jorge

      Não encontres nem arranjes desculpas baratas para ETA…… São assassinos e ponto final !

    • ETA foi ũa vergonha e cheia d´assassinos. Nom coma os catalães, iles som um exemplo de como pedir as cousas democraticamente.
      Visca Catalunya!

  2. Há uma solução para promover o bilinguismo no mundo. – A primeira língua é a materna, incluindo todas as 10 línguas de Espanha. – E, a segunda língua passa a ser o Galego-brasileiro (mais conhecida como língua “portuguesa” do Brasil) quiçá, futura Geolíngua. – Para saber mais, veja este link – https://geolingua.wordpress.com/

  3. “É o futuro, se o país vizinho quiser continuar inteiro.”
    Essa é a verdade mais absoluta sobre este assunto.

  4. E como pensas dividilas clases? Dar tódalas línguas do mundo estaria bem, mais penso que o tempo faltaria… E as clases de ciências?

    • O que propões é impossível. Uã utopia. O mais realista seria o modelo suíço.
      Na Suíça cada zona da a sua língua + uã língua optativa doutra regiom.
      Na zona alemã: alemám + optativa (francês ou italiano)
      Na zona francesa: francês + optativa (alemám ou italiano)
      Na zona italiano: italiano + optativa (alemám ou francês)
      Mais estamos falando de três idiomas cuã importância internacional moi similar e que têm um número similar de “fablants”.

      Nota: fablants (aragonês) = falantes (galego). Daí vêm a “fabla” (a fala, no galego)

      • Marco Neves

        O modelo suíço parece-me uma boa solução, embora também difícil. O que existe hoje é que não é aceitável…

        • Tem em conta uã cousa:
          Na Galiza, dende os três anos; ensina-se o galego, o castelão e o inglês. A partir de 1º ESO (equivalente ao vosso 7º ano, se nom me trabuco) tamém se dá o francês. Som-che catro idiomas. Nom se me ocorre nengum jeito pra que se puidesse lecionar mais línguas, sem prejudicar às outras clases.
          Agora imagina a situaçom no Val d´Aran. Ali têm de estudar aranês (uã variante do occitano), catalám, castelão e inglês. Nom sei se estudam mais línguas, pero pouco mais podem.
          Em Castela, si que se poderia dar uã língua mais. Eles dam o castelão e o inglês e mais, provavelmente, o francês. Têm sítio pra lecionar uã das outras línguas da Espanha.

          • Marco Neves

            Mas aquilo que me parece mais importante seria que aqueles que só aprendem espanhol (e inglês ou francês) aprendessem outra língua de Espanha. Mas concordo que é algo quase utópico. Mas seria o ideal. Se galegos, catalães e bascos têm de aprender duas (ou três, quatro) línguas, por que razão o mesmo não pode acontecer no resto de Espanha? Faria maravilhas pelo entendimento entre os vários povos de Espanha (digo eu).

          • Essa é a conclusom a que cheguei no último parágrafo do meu comentário anterior. Há sítio pra lecionar uã língua mais. Pero cal delas? Galego? Catalám? Aragonês?
            Outro problema seriam os alunos. Por cada ano, há uns 40 alunos. Tem que haver um mínimo de 5 alunos nuã asignatura e nas cidades esse limite incrementa-se a 10. Na Espanha, há 7 línguas. As crianças vam ter que ponher-se d´acordo.
            Outra eiva é o professorado. Esta é uã questom complexa. Na Espanha, há bastante paro. Sem dúvida, esta medida ajudaria a baixalo paro. O problema é que nom haveriam professores abondo pra tódalas escolas e liceus de Castela. Ao galego, ao catalám e ao êuscaro si que lhe sobram professores; mais, mesmo assim, nom abonda pra toda Espanha. O aragonês, o aranês e o asturo-leonês têm os professores justos pra eles (e, às vezes, nem isso). Logo, está o problema económico. Quem paga os salários dos professores?
            Entom, poderia-se fazer o que propões? Poderia, mais é moi díficil. E nom vontade nem interesse dos políticos e do povo (como é o caso), é impossível.

          • Comim-me uã verba na última oraçom: E nom HAVENDO vontade nem interesse dos políticos e do povo (como é o caso), é impossível.

        • Nota: ESO = Educación Secundaria Obligatoria

  5. Efetivamente, nom existe uã Espanha monolingue no castelão. Pra isso, já está Castela. Ou quiçais nom.
    Espanha pode dividir-se em catro nações: Galiza, Castela, Euskadi e Aragón.
    A língua da Galiza é o galego.
    A língua da Castela é o castelão e o asturo-leonês (asturiano, leonês ou mirandês).
    A língua d´Euskadi é o êuscaro.
    A língua d´Aragón é o aragonês, catalám e aranês.

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