Certas Palavras

Línguas, livros e outras viagens

Sete palavras que me lembram o Algarve

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1. Algaraviada

Entre tantas línguas, claro que o termo para designar a confusão linguística tinha de ter a ver com o Algarve. Para uns, é uma ameaça: a impureza das línguas estrangeiras a estragar a paisagem tão pura do Portugal de antanho. Para mim, quando era muito novo, era uma delícia ouvir outras línguas, mesmo que nem tivesse passado a fronteira. Comprei por lá os primeiros livros em inglês. Sim, o mundo também começa aqui, nesta mistura estranha de línguas a cheirar a protector solar.

2. Água

Do mar, a reflectir o sol como confetti de prata. A água a rodear-nos enquanto nadamos ou em gotas por cima da pele a brilhar ao sol. Água, muita água. Apetece, não é?

3. Albufeira

Para muitos, será a parte mais feia do Algarve. É bem possível. Mas, enfim, foi ali que passei muitas férias de infância e adolescência. O nome continua a fazer lembrar dias de felicidade com muita luz.

4. Açoteias (Aldeia das)

Tinha eu três anos e fui de férias com os meus avós maternos e os meus pais para esse empreendimento. Só por causa disso, passei a gostar muito do som da palavra “açoteias”. Tem qualquer coisa de açucar e de chaminé a fumegar numa casa confortável. Ou de um recanto com plantas e mar ao fundo, onde se fica a olhar a paisagem. Lembro-me de ir a Espanha pela primeira vez e comprar uma grua de brincar (e voltar de barco de Ayamonte). No filme muito pessoal que levo na cabeça, foi antes do princípio do mundo.

5. Auto-estrada

Tantos anos a ouvir falar da falta que fazia a auto-estrada para o Algarve. Era um suplício, claro, mas no fim chegar era um prazer. Era, não… É um prazer. Isto das nostalgias tem muito que se lhe diga.

6. Amigos

Há muitos anos, aí pelos dezassete mais coisa menos coisa, fiz uma viagem de autocarro com muitos algarvios. Uma viagem de muitos dias, vejam só. Pois foi o primeiro grupo de amigos fora da minha terra (que não deixa de ser uma espécie de Algarve mais a norte, mas isso fica para outros textos). Ainda hoje sorrio ao pensar nesses dias em que descobri novos amigos com a sensação, aos 17 anos, de que a vida estava a começar.

7. Azul

Talvez a outros seja mais o branco das casas e das chaminés, mas para mim, mero turista acidental, a cor do Algarve é o azul: o azul do mar, do céu e dos reflexos da piscina nas paredes dos apartamentos brancos. Banal? Talvez. Mas muito bom. Dá para viver um pouco mais nesses dias um pouco mais livres, como se estivéssemos num outro mundo. (E nem sequer saímos do país.)

(E estas são só as palavras começadas por A… O Algarve é imenso.)

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1 Comentário

  1. Conto com 42 voltas em torno do Sol e nunca saí do Algarve (vá, em férias e viagens sim, mas nunca vivi fora daqui).

    Recordo no início da minha adolescência (há coisa de uns belos 30 anos atrás) de ‘blasfemar’ contra a minha região (porque era um fim de mundo, nunca nada por aqui ocorria, etc…), mas a maturidade, a visita a outros locais e sobretudo a chegada dos filhos mostram a qualquer algarvio que isto por aqui ainda é uma espécie de cantinho do paraíso, não haja a mínima sombra de dúvidas.

    Claro que quando chega o mês de Agosto, o que mais queremos é ir daqui para fora porque a confusão aumenta em proporções astronómicas, mas mesmo assim, só de pensar que bastam 5 a 15 minutos para chegarmos à praia quando uma grande parte dos portugueses pagam um décimo do seu vencimento anual só para pagar o alojamento de uma semana de permanência por aqui, digamos que… Dá que pensar!

    Embora eu seja de Portimão, considero que os responsáveis pelo município de Albufeira têm conseguido fazer um trabalho positivo na tentativa de dar a volta e melhorar todo o envolvimento urbano, pelo menos, quando comparando com o que por aqui temos (ou com o caso aberrante de Quarteira).

    E sobre a temperatura da água deste ano, o que dizer? 😉

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