Certas Palavras

Blogue de Marco Neves

Etiqueta: Galiza

O soldado romano, a rapariga celta e outros escândalos

Vamos então viajar no tempo, à procura da origem da nossa língua. A nossa primeira paragem será nesses tempos em que ainda não havia romanos na nossa península. Já por cá tinham passado fenícios, gregos e todos os outros povos de que ouvimos falar na escola – mas romanos? Ainda não.

Nesse tempo, ali na zona noroeste da Península Ibérica, onde hoje encontramos a Galiza e o Norte de Portugal, viviam povos celtas, que falavam línguas que hoje não conseguimos reconstruir. Talvez a melhor forma de ter uma vaga ideia de como seriam esses falares seja olhar para as línguas celtas que ainda hoje existem, por exemplo na Irlanda, no País de Gales e na Escócia.

Talvez. Porque, para dizer a verdade, a única certeza que temos é que essas línguas desapareceram – não sem deixar alguns vestígios…

(Este é o primeiro capítulo do livro A Incrível História Secreta da Língua PortuguesaA primeira versão do texto foi publicada neste blogue no dia 14 de Dezembro de 2015. O livro foi publicado em Janeiro de 2017 pela Guerra e Paz, com revisão de Inês Figueiras.)

O Império Romano chega ao fim do mundo

Queria agora que imaginassem uma família celta em particular: os Kontebria – ou Contreiras.

Muitos séculos depois, alguns deles ainda vivem na mesma zona, em redor de Braga, entre Guimarães e Tui. No século antes do ano 1, esses Kontebria eram celtas, da tribo dos Galécios, em território onde o Império Romano ainda não chegara.

Ana e Rui Contreiras – perdoem-me o anacronismo dos nomes, mas é mais fácil contar a história assim – são um jovem casal, que se conheceu num mercado ao pé de Braga. Vivem em Citânia de Briteiros e são muito celtas, muito jovens e muito ruivos – como era comum entre os Galécios. Têm uma religião antiga, que os cristãos viriam a chamar pagã. Aquele casal, luminoso e um pouco malandro, prefere adorar o deus Lug, o deus do Sol, que lhes ilumina a pele enquanto se beijam, entre juras de amor na sua língua, ao pé dum riacho qualquer ali para os lados de Guimarães.

Um dia, chegam à aldeia os primeiros rumores das legiões romanas a rondar a zona. Ana está grávida do primeiro filho e, como todas as mães, fica um pouco preocupada. Ouvem-se rumores, é certo – mas será só quando, três anos depois, já têm dois filhos em casa que o brilho das armaduras imperiais surge nas ruas daquela terra. Estamos a falar do fim do mundo, dos cantos mais recônditos da Europa. O Império demorou a chegar a estes recantos – mas chegou.

A população passa por tempos duros de saques e violações: guerra é guerra, mesmo para os civilizados Romanos. Ana, Rui e os filhos escapam ao pior. Ficam escondidos uns tempos na casa duns primos, perto do que viria a ser Braga.

Quando voltam, já o Império se instalou, para não mais dali sair durante muitos séculos.

Os Romanos trazem com eles documentos escritos numa língua que os Celtas não compreendem: o latim da escrita. Ora, este é um latim que nem os soldados falam. Como sabem, o latim clássico tinha palavras como equus, enquanto o latim popular tinha palavras como caballum. Eram duas línguas próximas, mas não exactamente iguais. A verdade é que não foi o refinado latim dos escritores romanos que deu origem à nossa língua. Foi, pelo contrário, a língua dos soldados e do povo, uma língua que ninguém escrevia e muitos desprezavam.

Foi desse falar pouco sofisticado que surgiu o português – mas tenhamos calma que o caminho ainda será longo.

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A língua de casa e a língua da rua

Dois anos depois da chegada das primeiras tropas, com Ana a amamentar um terceiro filho, a população da terra já se desenrasca a comunicar com os invasores.

Os Romanos dizem umas palavras em celta só para se fazerem entender e os Galécios aprendem a falar esse latim de rua – primeiro só umas palavras, depois frases inteiras e, em breve, já conversam sem muita dificuldade.

Tudo é natural: se pensarem bem, os seres humanos comunicam com mais facilidade do que julgamos – para aprender a falar uma língua, não é preciso aulas formais e muitos anos: a melhor maneira é mesmo ter necessidade ou muita vontade. E gente com quem conversar, claro está. Vejamos, agora, o que acontecia na casa de Ana e Rui. Falam todos, entre eles, na língua de sempre, que hoje já não conhecemos: a tal língua celta sem nome.

Na rua, todos falam cada vez mais latim. Não só os soldados e os colonos, mas os próprios celtas, quando, por exemplo, compram e vendem alguma coisa. Afinal, os soldados e colonos ricos são bons clientes.

A população torna-se bilingue sem dificuldade.

*

Uma má notícia: o terceiro filho de Ana e Rui acabou por morrer, como era tão normal nesses tempos. A família junta-se toda ao pé da porta do casal. Chegam-se dois soldados romanos.

– O que é que estes querem? – pergunta o pai de Rui ao filho, que chora abraçado a Ana.

– Tem calma, pai! – O que se passa aqui? – grita Cláudio, um oficial romano que vem a liderar a ronda de três homens.

Marta, uma tia de Ana, diz-lhe: – Meu senhor, morreu um bebé, o mais lindo que já vi. O oficial romano resmunga qualquer coisa, mas sente um aperto no coração, a pensar no seu filho, que ficara na sua terra, uma aldeia perto de Roma. Como estaria ele?

– Os meus sentimentos, minha senhora. Peço apenas que não perturbem tanto a rua.

– Assim faremos. Esta conversa foi em duas línguas: os celtas falaram na sua língua entre todos, a bichanar contra esses invasores, com a hostilidade espicaçada pela tristeza do que acontecera, e Marta falou num latim esforçado ao oficial romano. Choravam em celta, explicavam-se em latim.

A tudo isto assistiam Artur e Inês, os irmãos do bebé que morreu.

Como conquistar uma celta

Estas duas crianças já aprendem as duas línguas, como acontece em qualquer família de emigrantes de hoje em dia – e, tal e qual como nas famílias de emigrantes, a língua dos pais é a menos importante socialmente: é a língua que falam em casa e não usam para mais nada.

Sim, é verdade: nesses primeiros anos depois da invasão, os celtas do Noroeste da Península são como emigrantes na sua própria terra.

Artur e Inês, a viver agora no seio maternal do Império, sabem que o latim é a língua do futuro. Ainda compreendem a língua dos pais e usam-na para falar com eles. No entanto, com os filhos que hão de nascer, já só falarão no latim popular que usam no dia-a-dia.

Ou seja, os netos de Ana e Rui serão já latinos sem tirar nem pôr.

Agora, reparem: tal como acontece quando aprendemos uma língua estrangeira, falamo-la com o sotaque da nossa língua materna. Também Ana e Rui começaram a falar latim com o sotaque próprio da sua língua celta. Foi com esse sotaque que os filhos, Artur e Inês, aprenderam latim. Ou seja, o latim foi aprendido pelas populações ibéricas, mas não sem que as línguas anteriores influenciassem a forma de falar e de aprender esse mesmo latim. Afinal, não havia escolas para todos nem professores de bom latim: havia o dia-a-dia e a língua aprendida na rua.

Artur e Inês falam, então, um latim com sotaque, mas este latim com sotaque é a língua nativa deles. Em breve, o que era uma língua estrangeira, trazida pelos soldados, passou a ser a língua nativa da população da região.

O latim popular com sotaque celta falado na Galécia, há quase 2000 anos, é a semente da nossa língua.

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*

Deixem-me agora contar uma história curiosa, que se passou com Inês Contreiras, a filha de Ana e Rui.

Durante a adolescência, sem a memória das invasões, Inês e o irmão tornaram-se muito amigos de alguns soldados e colonos romanos.

Esta proximidade não era bem-vista pelas gentes da terra – mas os jovens já não queriam saber: tinham vivido desde sempre com os Romanos e estes não lhes metiam medo.

Também os romanos já tinham perdido algum do desprezo pela população nativa, que não parece assim tão primitiva a estes colonos que mal se lembram de Roma – afinal, agora, os celtas até já falam latim.

Com mais ou menos preconceitos, viviam naturalmente uns com os outros.

Um dos amigos romanos de Inês chamava-se Pedro. Era um soldado que tinha sido destacado para a zona ainda com os seus quinze anos. Agora, já achava que aquela região era a sua terra. Uma região de cavalos selvagens a correr por entre as árvores das florestas, à beira dum mar revolto que entrava pela terra adentro nas belas rias galegas. Sim, esta era a sua terra sem tirar nem pôr – até porque estava apaixonado por Inês.

Pedro não sabia como se aproximar daquela mulher linda, de olhos azuis, e sempre um pouco distante, como todas as celtas. Sabia que não se podia precipitar. Nem os seus amigos romanos gostavam daquela situação, nem a família dela iria aceitar tudo aquilo sem pestanejar. Qualquer passo em falso e perderia todas as hipóteses.

Nas suas longas conversas ao fim do dia, o soldado brincava com o sotaque de Inês. Inês fingia-se irritada, mas não se importava. Era muito bom ter aquela atenção do romano. Falavam sempre em latim, claro, embora Inês ainda falasse em celta com os seus pais – o celta era a língua da casa, da família, dos mais próximos.

Pois, um dia, Pedro chega-se ao pé de Inês e diz-lhe:

Bore da! [1]

Ou seja, «bom dia» na língua celta. Tinha uma pronúncia um pouco difícil, mas bem perceptível.

Inês fica parada, de boca aberta. Pedro sorri e começa a conversar nessa língua desprezada pelos Romanos. Diz-lhe que esteve a aprender durante muito tempo, com uns amigos da terra, para poder saber como falar na língua em que ela sonhava.

Ela continua de boca aberta e ele fala cada vez mais depressa. Está nervoso. Não sabe se fez bem.

No fim, ela manda-o calar-se, dá-lhe um beijo e quando terminam diz-lhe:

Rwy’n dy garu di!

Casaram-se algum tempo depois, segundo a religião celta, mas respeitando também os ritos romanos.

O sotaque da Galécia nas ruas de Roma

Anos depois, Pedro levou Inês, numa viagem de meses, a visitar Roma. Depois de abraçar a mãe, que não o via há muito tempo, ouviu a senhora, ainda a olhar de lado para a estranha mulher que vinha com o filho, a dizer:

– Mas que sotaque é esse, meu filho? Ficou admiradíssimo por saber que, orgulhoso soldado do Império, já falava com sotaque galécio.

Inês riu-se muito, nesse dia – e aproveitou para dizer que estava grávida.

O primeiro filho nasceu em casa dos pais dele e a viagem de regresso foi adiada alguns meses, para que o bebé crescesse um pouco.

Voltaram, então, à Galécia. Os filhos de ambos já só aprenderam latim, embora ainda ouvissem os pais a falar celta em certas noites – para dizer a verdade, ainda aprenderam umas quantas palavras da boca dos avós – e, entre os amigos, ainda circulavam velhos palavrões, que os pais não sabiam que os filhos também conheciam.

Os primos, filhos de Artur, que se casara com uma celta como ele, também já só falavam latim. Houve famílias em que tudo isto demorou mais tempo, mas poucas gerações depois já a língua celta estava quase esquecida.

Muitos anciãos criticavam os jovens por desistirem tão facilmente da velha língua dos deuses celtas – os jovens encolhiam os ombros e brincavam em latim.

Houve ali, se virem bem, uma espécie de traição linguística. Mas todos os povos, mais tarde ou mais cedo, passam por isso. As línguas são vítimas de traição, mas não nos esqueçamos que as línguas não existem por si, fora das pessoas que as falam – e a essas pessoas, às vezes, interessa mudar de língua. Foi assim com os Celtas – e foi assim com muitos outros povos ao longo dos milénios.

Apesar dessa «traição», a língua celta do povo da Galécia não ficou totalmente esquecida. Há quem diga que foi essa língua que levou a que, em galego e em português, as palavras que, em latim, começavam por «pl», «cl» e «fl» se tenham transformado em palavras começadas por «ch». Exemplos? A «pluvia» latina deu a nossa «chuva». O verbo «clamare» deu o nosso «chamar». A «flama» latina veio a desembocar na nossa «chama».

É difícil saber quais, mas a verdade é que esses falares celtas já perdidos deixaram alguns traços e, ainda hoje, quando falamos o nosso português, bem latino e bem moderno, ouvimos ecos já muito sumidos do que diziam os celtas nesse dealbar do primeiro milénio.

Quem diria a esses jovens, a falar latim com o estranho sotaque da Galécia, sob o olhar reprovador dos velhos celtas, que a sua nova língua ainda viria a ecoar noutros continentes, mas com uns travos da língua dos seus avós?

O nascimento da nossa língua

GallaeciaSerá então que foi assim que nasceu a nossa língua? Tudo depende da forma como queremos dividir a história das línguas. Estes celtas falavam línguas anteriores, os romanos falavam latim – ninguém se lembrou um dia de inventar uma língua de raiz.

Mas julgo ser natural olhar para este encontro do latim com as florestas da Galécia como a origem distante da língua que falamos. Foi aí que o latim popular – a matéria-prima de que é feito, em grande parte, o português – deu de caras com o primeiro molde que lhe veio a esculpir as feições: as línguas dos povos que já por cá andavam.

Essa matéria-prima ainda há-de passar por muitos outros moldes e será ainda salpicada de muitas outras matérias até chegar à forma que tem hoje – forma essa que continua a mudar, pois nunca chegamos ao ponto onde podemos dizer que uma língua está acabada. Continua sempre a mudar, sempre a surpreender-nos.

Ora, mas a verdade é que, nesses primeiros séculos, por entre as rias e as florestas do Noroeste da Península, já falávamos um latim diferente, ao jeito da Galécia.

A nossa língua dava os primeiros passos.

[1] Sei que não é o ideal, mas usei o galês como substituto da língua celta desta gente ibérica de há muitos séculos. Digamos que foi o celta que tinha mais à mão.

Cenas dos próximos capítulos

A história secreta da língua mal começou: nos capítulos seguintes, veremos como um dos descendentes dos Contreiras vai levar uma mensagem de D. Afonso Henriques até um amigo perdido em Al-Uxbuna; um dos netos conhecerá D. Dinis, outro será inimigo de Gil Vicente — e ainda veremos Camões à bulha por Lisboa, um brasileiro a viver o Grande Terramoto, Eça à conversa na Póvoa… E, por fim, chegaremos a estes tempos de blogues e mensagens electrónicas, em que ainda falamos essa língua que deu os primeiros passos nessas conversas entre soldados e celtas, no início do primeiro milénio.

Tudo isto está no livro A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa (Guerra e Paz, 2017), à venda nas livrarias. Se desejar, pode preencher o formulário abaixo para encomendar o livro directamente à editora:

O português do Brasil é falso?

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No Facebook, numa partilha deste artigo em que critico a aversão aberta ao português do Brasil, alguém opta por chamar abertamente «xenofobia» a essa aversão.

Um outro comentador discorda, dizendo (negrito meu):

Talvez a pessoa que utilizou essa palavra nao a tenha aplicado com o sentido de xenofobia… talvez esteja revoltada pelo facto do português brazil estar a tomar conta do verdadeiro português… talvez porque hoje em dia vem tudo PTbr e não em PTpt….talvez a parte do acordo ortográfico que aproxima mais o português do português br…. enfim… coisas que nao deviam ser assim pois o português é de Portugal….

Parece-me ser este um caso do «erro de confirmação». A pessoa acha que hoje em dia vem tudo em português do Brasil. Ora, os programas de televisão infantis são praticamente todos dobrados em português de Portugal. Já é raro vermos produtos em português do Brasil. Nem as telenovelas são hoje brasileiras (pelo menos, na sua maioria). Quanto à língua em si, estamos cada vez mais afastados uns dos outros no que importa (com ou sem acordos). Ou seja, não estamos a ser invadidos.

Mas, claro, quem acredita nisso vai olhar apenas para o que confirma a sua crença: se encontrar um produto que seja com embalagem em «brasileiro», pronto, está o caldo entornado.

Adiante. O mais curioso do comentário é essa ideia do «verdadeiro português»… Parece ser natural aos portugueses achar que o português verdadeiro é nosso e os brasileiros falam uma língua menor, um português falso.

Por exemplo, ainda há uns dias, na TVI, ouvi dizer que Carlos do Carmo pôs uma plateia do Rio de Janeiro a cantar em português. Foi preciso um fadista para pôr os cariocas a cantar na sua própria língua? É isso? Segundos depois, a jornalista diz alto e bom som que «Carlos do Carmo ensina a cantar em bom português.» Percebi, então. Os brasileiros falam português, mas falam mal.

As coisas são um pouco menos fáceis do que pensamos. Nem os portugueses inventaram, um lindo dia, a língua portuguesa, nem os brasileiros passaram a falar uma língua estrangeira no dia em que declararam a independência.

Primeiro, a língua que Estado português adoptou já existia, embora sem nome nem identidade própria (como aprendi na aula de Fernando Venâncio de que vos falei há tempos). Da mesma forma, a língua que o Estado brasileiro adoptou já existia. Neste caso, a língua já tinha nome — nome que o Brasil decidiu manter, sem que daí viesse mal ao mundo.

Como em tudo na vida, as coisas são como são e o português de lá e o português de cá foram mudando. Nenhum deles se deturpou e nenhum deles se manteve puro e imaculado. Mudámos todos. Uma coisa parece-me certa — dificilmente as várias variantes do português se aproximarão de novo, naquilo que de facto importa: o vocabulário, as expressões, a sensação de comunidade linguística.

Dito isto, faz-me imensa confusão essa recusa mental de muitos portugueses em ler e ouvir português do Brasil. Continuamos a poder ler qualquer texto brasileiro sem grandes dificuldades, o que me parece de aproveitar — tal como também é de aproveitar a invisível proximidade com o galego. Não nos limitemos tanto. Convém ter força e ser um pouco menos tribal, mesmo que o tribalismo linguístico seja algo tão natural como a guerra.

Agora, a pergunta final: será que o português do Brasil já se distanciou tanto dos primos ibéricos (galego e português de Portugal) que merece um novo nome? É uma bela discussão e não sei o que acontecerá nas próximas décadas. Mas, para já, os brasileiros chamam à sua língua «português» e nós não nos devíamos incomodar tanto com isso. 

Sim, a língua em que a plateia de Carlos do Carmo cantou foi português: a sua própria língua, vejam lá.

Cinco curiosidades sobre a língua portuguesa

Nós, que todos os dias usamos a nossa estimada língua portuguesa, nem sempre reparamos nas curiosidades que rodeiam o nosso idioma. Vejamos cinco exemplos.

1. Há um continente onde o português é a língua mais falada

Esta não é difícil: o continente de que estou a falar é a América do Sul. (Sim, a América do Sul pode ser considerado um continente; para muitos povos, os continentes do mundo são sete e não cinco, como nos ensinavam na primária.)

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2. O português tem um avô, um pai e um ou dois filhos

O avô é o latim, nosso conhecido. Já o pai, para muita gente, será incógnito. Aliás, há por aí muitas pessoas que afirmam solenemente que o português é filho do avô. Mas, não: se virmos bem, o pai do português é o galego.

Já os filhos… Podemos começar pelo português do Brasil, que embora ainda não tenha saído da casa do pai no que toca ao nome, é já um miúdo bem crescido e com marcadas diferenças em relação ao progenitor. Veremos se um dia destes decide ir viver para outra casa (o que nos vai fazer perder a curiosidade n.º 1, mas paciência). Depois, temos outro filho: o crioulo cabo-verdiano. E há mais… A família está a crescer.

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3. O português é língua oficial de parte da China

Estou a falar de Macau, obviamente.

É território chinês e tem duas línguas oficiais: o chinês e o português.

(Já agora, para fugirmos um pouco às questões linguísticas: Macau, por não ter sido território chinês até 1999, tem o trânsito a circular ao contrário do que acontece no resto da China. O mais curioso é que o trânsito de Macau circula à inglesa e o trânsito chinês circula como em Portugal. As voltas que o mundo dá…)

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4. Não há nenhuma fronteira entre dois países de língua oficial portuguesa

Talvez seja caso único entre as línguas internacionais: dos vários países de língua oficial portuguesa, nenhum faz fronteira com um colega de língua. Fomos uns pinga-amores, a espalhar a língua pelo mundo, sem nunca parar muito tempo no mesmo lugar.

Claro que uma das principais razões para o fenómeno é o facto de o Brasil se ter mantido como território unido. Se tivesse seguido o exemplo dos territórios espanhóis, teríamos hoje imensos países de língua portuguesa na América do Sul.

(Uma outra curiosidade: talvez possamos considerar que a única fronteira entre dois territórios de língua portuguesa seja a fronteira norte de Portugal. Mas não vamos entrar por aí. Pelo menos, hoje.

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5. O português também se fala no Uruguai

Enfim, esta curiosidade contradiz flagrantemente a curiosidade anterior, mas a verdade é que estava a falar de línguas oficiais e agora estou a falar da língua como ela é mesmo falada no dia-a-dia. E, nesse caso, podemos afirmar com alguma segurança que há muita gente a falar português no Uruguai (umas 100 000 pessoas), onde também é chamado de portunhol. (Quem diria que os turistas portugueses de férias no Sul de Espanha falavam uma língua do Uruguai?)

A nossa é uma língua muito curiosa — como, aliás, são todas. Pelo menos para gente com a mania das línguas, como é o meu caso.

E, por hoje, é tudo.

UMA VERSÃO REVISTA DESTE ARTIGO FOI PUBLICADA NO LIVRO
DOZE SEGREDOS DA LÍNGUA PORTUGUESA.

LIVRO

A língua portuguesa num Portugal espanhol

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Se Portugal não tivesse recuperado a independência em 1640, o que teria acontecido à nossa língua?

É muito difícil imaginar uma história alternativa, mas, olhando para as línguas minoritárias de Espanha, teria acontecido algo do género:

  • O espanhol seria usado por grande parte da população, principalmente nas cidades.
  • O português estaria preservado nas aldeias e seria ensinado no sistema de ensino desde a recuperação da autonomia, nos anos 80, depois de anos de supressão dessa antiga língua.
  • O português rural seria considerado o mais puro e correcto e o português urbano seria considerado por muitos como uma variedade impura e espanholizada da língua.
  • O português sentiria pressão da língua espanhola em termos fonéticos e ortográficos: falaríamos com um sotaque com muitas interferências castelhanas e, quem sabe, utilizaríamos o «ñ».
  • Haveria, possivelmente, uma luta de ortografias, entre a ortografia mais espanholizada e a ortografia que iria beber ao que Camões e outros autores do Portugal independente de antanho tinham escrito. Em nenhum caso teríamos uma ortografia parecida com a ortografia modernizada de hoje em dia, criada por decreto em 1911 (e alterada várias vezes a partir daí).
  • O Brasil teria optado por deixar de lado o nome de «português» e diria alto e bom som que a sua língua é o brasileiro. O português seria uma língua menor, uma estranha mistura de espanhol e brasileiro — pelo menos na cabeça de espanhóis e brasileiros. Muitos chamá-lo-iam de «dialecto».
  • Muitos portugueses veriam a ligação ao Brasil como forma de marcar a diferença e diriam que, no fundo, os brasileiros falam português, embora os brasileiros achassem tal ideia um disparate completo. Muitos nem sequer sonhariam que em Portugal se fala uma língua com fortes ligações ao brasileiro.
  • Haveria, certamente, um movimento nacionalista português, com sectores independentistas com maior ou menor força. Esse movimento faria do português uma bandeira.
  • Socialmente, as classes urbanizadas veriam o espanhol como essencial para a vida profissional e o português como um resquício algo folclórico, que os seus filhos aprendem só por mania política dos nacionalistas.
  • Uma grande parte da população universitária olharia para o português com muita simpatia, protegendo-o como forma de afirmação identitária e ainda como sinal de recusa do centralismo cultural castelhano.
  • Por estes dias, algumas terras teriam tentado recuperar os nomes portugueses. «Oporto» já era, oficialmente, «Porto». A província de «La Guardia» já se chamaria de novo província da «Guarda». E por aí fora…
  • Em Madrid, o português seria encarado com o nariz torcido, como outra das línguas pouco espanholas que atrapalham a ideia duma nação espanhola unida.

Com pouca dificuldade podemos olhar para a Galiza e ver o reflexo desta história inventada. O Brasil da história acima descrita somos nós e o português é o galego da nossa vida real.

(Os mais atrevidos podem ainda imaginar que a Catalunha seria um país independente e olharia para Portugal sem reconhecer em nós uma outra nação. Quanto à língua, para os catalães, o português seria espanhol, ponto final.)

O que ouvem os portugueses quando ouvem galego?

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Lembro-me de estar a ver televisão com um amigo meu acabadinho de chegar da Andaluzia, onde trabalhara durante uns meses. De repente, não sei porquê, demos connosco a ouvir um galego a falar na televisão.

Disse-lhe (armado em sabichão das línguas) que aquilo era galego e ele começou a rir-se, dizendo que aquilo era, obviamente, espanhol. Para ele, nada do que lhe dizia fazia sentido.

A paisagem linguística da Península Ibérica é feita de proximidades e distâncias e uma variedade que poucos portugueses conhecem. A maioria de nós vê tudo de forma binária: o que se ouve pela Península fora só pode ser português ou espanhol.

É normalíssimo: o que aprendemos na escola não inclui as variedades linguísticas de Espanha e nem todos andámos de ouvido à escuta, interessados em perceber as subtilezas do mundo das línguas.

Quando um português ouve um galego a falar, tenta situar-se: se ouvir vogais abertas e uma certa entoação, vai arrumar a língua na gaveta do espanhol.

A lógica é simples: é algo parecido com o português e soa a espanhol. Logo, é espanhol. Mal sabem que, na realidade, estão a ouvir aquilo que muitos dizem ser (com razões muito válidas) a nossa própria língua, embora com outro nome e outro sabor.

Dito isto, certas pronúncias do galego deixam os portugueses atarantados. São as pronúncias que os galegos considerarão menos urbanas, mas que são, para um português, uma estranha forma da sua própria língua.

De repente, aquilo soa demasiado a português para ser espanhol. Imagino que perante este vídeo (que um leitor deste site deixou por aqui há uns dias), muitos portugueses fiquem surpreendidos com a forma como alguns destes jovens parecem estar a falar português:

Se o meu amigo não conseguia distinguir o galego do espanhol, ainda há uns dias, o meu sogro confessou-me ver, por vezes, a TV Galiza: havia quem falasse português por aquelas bandas.

O galego é essa língua onde nós, portugueses, sentimos a vertigem de não saber se estamos ali ou não. É como um velhinho de 100 anos que olha para uma fotografia de quando era muito novo e já não sabe bem se está a olhar para si próprio ou para um irmão…

UMA VERSÃO REVISTA DESTE ARTIGO FOI PUBLICADA NO LIVRO
DOZE SEGREDOS DA LÍNGUA PORTUGUESA.

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O português é a terceira língua europeia mais falada no mundo

Se quisermos achar um campeonato das línguas em que o português fica no pódio, é este: o campeonato das línguas europeias com mais falantes em todo o mundo.

Sim, é verdade: falamos a terceira língua europeia mais falada no mundo (as duas primeiras são o inglês e o espanhol, cuja posição relativa é controversa: é difícil saber qual das duas é mais falada).

Ficamos, assim, com o nosso orgulho um pouco mais inchado, falantes desta língua mundial só ultrapassada por duas outras línguas no mesmo continente.

O problema, claro, é que este campeonato interessa pouco: o português é muito falado no mundo, mas o centro de gravidade está bem no interior da América do Sul, onde está rodeado por territórios de língua espanhola.

Além disso, como podemos ver olhando para os dois primeiros lugares, o facto de o espanhol e o inglês estarem empatados não significa que o espanhol tenha uma importância igual à do inglês no que toca à comunicação internacional.

Ou seja: sim, somos a terceira língua europeia mais falada, mas o segundo lugar está mesmo ali ao lado a ofuscar-nos. Além disso, se o campeonato for o das línguas mais faladas na Europa, descemos por aí abaixo, até uma posição bem perto da do catalão.

Mas não desanimem: na realidade, estes campeonatos interessam pouco. Afinal, grande parte dos catalães podia dizer alto e bom som que fala espanhol e prefere sublinhar a sua língua própria, pouco falada no mundo (e na Europa), mas muito sua. O mesmo se passa com tantas línguas por esse mundo fora: os luxemburgueses falam todos alemão e francês e mesmo assim optaram por defender e tornar oficial o luxemburguês (sem perder as outras duas línguas, que dão muito jeito por aqueles lados).

E, claro, nem os espanhóis querem trocar de língua para poderem ficar em primeiro lugar num qualquer campeonato de egos linguísticos, nem nós nos passaria pela cabeça trocar o português pelo espanhol em prol da comunicação internacional. As línguas são mais do que um instrumento de comunicação.

Mas afinal a comunicação não é importante? Claro que é! Fiquemos contentes por ter oito países com os quais podemos comunicar em português (e convém não esquecer a Galiza) e, para o resto, façamos o mesmo que os outros países: aprendamos línguas, que só nos faz bem.

Qual é o nome da nossa língua? Será galego?

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Há línguas com problemas de identidade: por exemplo, o catalão é chamado de valenciano na Comunidade Valenciana — alguns valencianos consideram este outro nome como uma outra forma de nomear aquela que é a mesma língua, enquanto outros consideram o valenciano e o catalão como duas línguas separadas. O governo catalão insiste na tese da unidade, o governo valenciano vai vacilando, ao sabor do vento político. Pelas Ilhas Baleares, onde as variantes da língua são bem mais distintas do que em Valência, a questão é pacífica: a língua é o catalão e o mallorquí (falado em Maiorca), eivissenc (falado em Ibiza), etc. são os nomes dos dialectos locais.

Sem sair de Espanha, temos ainda o problema do nome da língua oficial de todo o Reino: espanhol ou castelhano? (Já falámos disso neste site.) Há que dizer que este fenómeno da multiplicação dos nomes não é um problema exclusivamente ibérico: os coreanos têm dois nomes para a sua língua, por exemplo.

Adiante. O que nunca passaria pela cabeça a um português é ver esta questão colocada em relação à sua própria língua. Gostamos, às vezes, de chamar “brasileiro” ao português além-Atlântico, mas ninguém duvida que a língua que se fala em Portugal tem um só nome e é português. Perguntar qual é o nome da nossa língua parece um disparate dos antigos.

Ora, na verdade, há quem dê outro nome à nossa língua: os reintegracionistas galegos defendem que o galego e o português são uma só língua, com dois nomes diferentes nos dois lados da fronteira. Ou seja, falamos todos galego-português, dando-lhe um nome diferente conforme o sítio onde estamos.

Para os reintegracionistas, esta união do galego e do português serve dois propósitos: não só marca a independência do galego em relação ao espanhol, como integra a sua língua num conjunto internacional que liberta o galego da apertada identidade de língua regional. (Não nos podemos esquecer que também nós sentimos esta necessidade de distinção marcada em relação aos vizinhos e, simultaneamente, de expansão da nossa identidade imaginada.)

Alguns diriam ainda que olhar para o galego e para o português como uma só língua é uma visão mais fiel à verdadeira história do nosso idioma, nascido em redor do rio Minho, sem olhar para a fronteira que divide galegos e portugueses.

E a verdade é que a língua que os reintegracionistas escrevem é indubitavelmente a nossa (usam uma ortografia do galego que se aproxima conscientemente da nossa ortografia). Se têm dúvidas, visitem a página da Associaçom Galega da Língua. As marcas que distinguem a ortografia galega da portuguesa são poucas, mas incluem este curioso “çom” que nos faz recordar a pronúncia do nosso Norte.

Alguns reintegracionistas vão mais longe: querem chamar português ao galego, sem mais. Defendem a criação da Academia Galega da Língua Portuguesa. A ortografia, neste caso, é igual à portuguesa.

Do lado oposto, o governo da Galiza defende a separação entre as duas línguas, promovendo (e ensinando) uma ortografia bem diferente, que afasta o galego do português (como podemos ver no site oficial da Xunta de Galicia). Também aqui há uma narrativa identitária a proteger: o galego é uma língua própria da Galiza, onde é co-oficial com o castelhano. Não há qualquer interesse em promover a ligação da língua galega a uma língua estrangeira como o português. Não se quer perigosas associações a identidades pouco espanholas. Temos, assim, uma língua própria, mas muitos “eñes”.

O galego vê-se assim na situação curiosa de ter um espectro de ortografias que percorre as ideias políticas de cada um… Para cada posição política, uma ortografia.

Pessoalmente, sempre tive um fraquinho pela diversidade linguística de Espanha, embora mais virado para o lado catalão da península. Nos últimos tempos, no entanto, tenho sentido um interesse crescente pelo galego e pelas implicações políticas da ortografia e do nome que se dá à (nossa?) língua na região vizinha.

Também acho muito curioso como uma questão sobre a nossa língua passe ao lado da quase totalidade dos portugueses. Para nós, a Galiza não é personagem nas narrativas que contamos sobre Portugal e o mundo. E se calhar é pena…

(Repare-se que falei apenas de ortografia — num próximo artigo, falarei do galego falado e da forma como é encarado pelos portugueses.)

Os brasileiros, os galegos e os portugueses

Nós e os brasileiros

Gostamos muito de falar dos brasileiros.

Alguns de nós, mais inclinados para a pureza, reclamamos muito por causa da suposta brasileirização da cultura portuguesa, a começar no excesso de telenovelas brasileiras (tópico na moda há uns anos, entretanto apagado por via duma dieta prolongada de novelas da TVI) e a terminar no horror ao Acordo Ortográfico, para muitos uma cedência imperdoável da nossa alma linguística ao Brasil.

Outros de nós gostamos do Brasil porque nos dá uma sensação de grandeza, chamemos-lhe lusofonia ou a tal pátria que é a língua portuguesa. Sem o Brasil, a lusofonia seria uns pedacinhos de terra europeus e africanos. Quem gosta de sentir uma identidade mais misturada em direcção ao sul gosta muito do Brasil e não se importa com miscigenações culturais e linguísticas. Fica até aliviado, que isto da pureza cansa muito.

Há ainda quem misture um pouco as coisas e goste que os brasileiros falem a nossa língua, mas gostava mais se não tivessem esse desplante de a falar doutra maneira.

Para o mal e para o bem, o Brasil é uma das balizas da nossa identidade: pelo medo ou pelo fascínio, está bem presente nas discussões sobre o que é ser português.

Ora, para os brasileiros, somos pouco mais do que um povo europeu como os outros (que por obra do mero acaso lhes deu o nome à língua e aparece nos livros de história). Enfim, também lhes demos alguns imigrantes, umas boas anedotas e, agora, alguns actores desempoeirados. Pouco mais do que isso.

Os brasileiros conhecem Portugal, até têm avós transmontanos, mas estamos longe de ser uma das balizas da identidade brasileira. Somos uma curiosidade histórica.

A língua portuguesa é parte, claro, da identidade brasileira, mas sem que por isso os brasileiros sintam uma ligação especial ao longínguo país donde a língua veio (e donde vieram os brasileiros quase todos, claro). Para os brasileiros, o nome da língua é um pormenor: o importante é não ser a mesma língua dos vizinhos.

Em suma, o que para nós é um foco de tensão identitária, para eles não aquece nem arrefece.

Os galegos e nós

Ora, curiosamente, há um povo que parece ter uma relação connosco parecida com esta nossa relação com os brasileiros: os galegos.

Sim, os galegos olham para Portugal e sabem que a relação com o vizinho do sul é significativa: seja para se afastarem e ficarem imersos na nação espanhola, seja para se afirmarem como algo diferente dos restantes espanhóis.

Mesmo na ortografia da língua, os galegos têm este foco de tensão: ou se aproximam dos espanhóis, com “ñ” e tudo o mais, ou se aproximam de nós, com os “nh” e outros que tais.

Por cá, ignoramos olimpicamente as questões existenciais dos galegos. Sim, conhecemos a Galiza, sabemos que é uma região dos nossos vizinhos, e até sabemos que há por lá uma outra língua, que mal sabemos reconhecer (na escrita até vemos algumas parecenças com o português, mas quando os galegos falam soa tudo a espanhol e pronto). Para lá desses factos soltos, a Galiza não entra no radar dos portugueses.

É assim na cabeça dos portugueses — tal como muitos brasileiros nem sabem que os portugueses têm outro sotaque, poucos portugueses sabem que o galego tem uma relação tão íntima com o português.

Talvez fosse engraçado começarmos a virar a nossa atenção também para os vizinhos de cima. A Galiza é essa curiosa região espanhola onde vemos muito de Portugal, mas com alguma distorção, o que nos dá aquela vertigem de espelho ondulado. É como se voltássemos à nossa terra muitos anos depois: reconhecemos algumas coisas, outras são-nos estranhas, mas há uma mistura de conforto e diferença que sabe bem.

Entretanto, podemos esperar, sentados, que os brasileiros descubram a cultura portuguesa — quando um dia acontecer, ganharão muito com isso, tal como ganham imenso os leitores portugueses que ultrapassam certos bloqueios mentais e começam a ler literatura brasileira, para lá dos lugares comuns dos medos e dos fascínios.

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