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Três livros para combater a fragilidade do mundo

hammer-682767_1280O mundo é difícil de prever — se há lição que este ano nos deixa é essa mesmo. Mas não é novidade, pois não? Quando olhamos para o passado, tudo parece previsível, tudo segue esta ou aquela narrativa. Mas olhando para o futuro só os tolos acham que sabemos mesmo o que vem aí — e isto aplica-se a tudo, desde a nossa vida pessoal à vida dos países e do mundo. Reparem: o mesmo acontece com o presente — parece sempre muito mais confuso e muito mais difícil do que o passado, já explicado e arrumado.

O mundo é complicado, sim. Mas isto não invalida que não tentemos melhorá-lo, sabendo no entanto que não podemos ter a certeza do verdadeiro impacto das nossas acções. Às vezes, tapamos o pescoço e destapamos os pés sem querer.

Agora, o que todos podemos fazer é tentar diminuir a fragilidade das nossas vidas. Fiquei mais atento a este ponto e a certas ilusões com que olhamos para o mundo — e para a maior ilusão de todas: a de que conseguimos compreender o mundo complexo com uma ou duas ideias feitas — ao ler um autor de discurso difícil, tom intragável, mas ideias bem importantes: Nassim Nicholas Taleb.

Não concordo com ele em muitos pontos, fico irritado ao ler certas passagens, fico fulo ao saber a forma como ele ataca os seus opositores intelectuais, que me parece muito distante do diálogo intelectual civilizado. Mas, mas… A verdade é que o que ele diz quanto à fragilidade das nossas vidas é muito importante. Tão importante que não me atrevo a tentar explicar em poucas palavras. Mas fica aqui a recomendação para três livros do autor — o primeiro já o li na totalidade, os outros dois tenho avançado devagar, tentando suprimir a vontade de os atirar à parede. Mas é essa força do que lá aparece que me leva a recomendá-los sem hesitação:

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Querem um resumo? Não há. Será qualquer coisa assim: as nossas vidas são mais aleatórias do que parecem, os eventos de grande dimensão e absolutamente imprevisíveis têm uma importância desmesurada, vivemos rodeados de perigos escondidos — e a solução passa por arranjarmos mais opções, usar a redundância como forma natural de reduzir a fragilidade e escaparmos à ilusão da segurança. Ah, e pelos vistos temos de ir a mais festas. Mas leiam, leiam e compreendam. É uma visão difícil, exigente, às vezes parece um discurso desnecessariamente opaco, mas é muito importante e muito útil para nos orientar no mundo complexo em que (sempre) vivemos.

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1 Comentário

  1. Paulo

    Já há uns anos, li o cisne negro até cerca de metade.

    Na verdade, não me interessou o suficiente para ler até ao fim e não me marcou grande coisa.

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