Não é que não o tivesse visto antes. Já estive em pelo menos duas ecografias e vi aquela imagem vagamente perturbadora dum extraterrestre a navegar em águas escuras.

Ah, mas foi uma palavra, uma palavrinha apenas que me fez sentir com a força dum estalo que está ali um novo filho.

A Zélia ontem teve de fazer uns exames e quando entrou no gabinete deixou-me cá fora — algo a ver com as regras daquele piso do hospital ou outra coisa qualquer que não percebi.

Pois, minutos depois, sai de lá, sorridente. Estava tudo bem e tinha acabado de ver outra vez o bebé cujo nome não podemos dizer (porque não sabemos).

— E então, que disse a médica?

— Nada de especial. Disse que estava tudo bem e que ele hoje está muito irrequieto.

Ah, a culpa foi dessa palavrinha simples, que estou habituado a usar para descrever crianças já crescidas aos saltos num parque infantil — ou no meio da minha sala…

Foi essa palavrinha que me fez sentir, pela primeira vez, aquela criança ali bem real, a crescer, já diferente do irmão (que, na barriga, estava sempre quietinho).

E senti muitas outras coisas, mas isso agora não cabe num simples post do Facebook, não é verdade?