Não, os livros não são para sempre: dificilmente sobreviverão mais do que algumas centenas de anos — principalmente os livros pejados de químicos que temos nas nossas casas (é só ver a cor dos exemplares de há alguns anos).

As obras da Antiguidade chegaram até nós através do trabalho moroso dos copistas medievais, que foram passando os textos de papiro em papiro até chegar ao porto seguro da imprensa (e, agora, do texto digital). Livros romanos há pouquíssimos: a palavra voa, mesmo quando escrita. (Curiosamente, o trabalho dos tradutores lá vai dando um certo balão de oxigénio às obras literárias; mas isso fica para outro dia.)

Há, no entanto, uma biblioteca romana que chegou até nós: a Vila dos Papiros, na cidade romana de Herculano, destruída pelo Vesúvio no ano de 79.

Os livros estão carbonizados, mas ali estão, como uma lembrança duma civilização imensa que desapareceu, os seus livros queimados pela lava e pelo tempo. Alguns deles só agora começam a ser decifrados, apesar de terem sido descobertos no século XVIII.

Podem saber um pouco mais neste artigo.

Leio esta história e imagino: será que os livros que um qualquer de nós tem em casa serão, fruto do acaso e das catástrofes vindoras, os únicos livros da nossa civilização que restarão por volta do ano 4000?

Imaginem: o gosto particular de um de nós poderá vir a representar todo o conhecimento da nossa civilização…

O meu livro mais recente é A Baleia Que Engoliu Um Espanhol (Guerra & Paz, 2017). Sou ainda autor de A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e Doze Segredos da Língua Portuguesa. Saiba mais nesta página.