Sei que custa a muitos espanhóis, mas dar a mesma dignidade institucional às várias línguas de Espanha seria um passo importante para que todos os povos de Espanha se sentissem mais confortáveis no nosso reino vizinho.

No que toca à Catalunha, o governo central de Espanha podia permitir o uso do catalão no Parlamento espanhol, incentivar a aprendizagem do catalão no resto de Espanha, não olhar para essa língua (nem para as outras línguas de Espanha) como menos correctas, menos importantes, menos dignas.

Estou em crer que não vai acontecer nada disso. Nos meios madrilenos corre a narrativa de que isto (o aumento do independentismo) deve-se a os sucessivos governos espanhóis terem dado rédea solta aos sentimentos dos catalães. Não será agora que vão olhar para a segunda língua de Espanha com bons olhos.

Mas é pena. Mais do que grandes declarações sobre a unidade da nação, haver mais espanhóis com um livro como este na mão faria muito pela convivência em Espanha:


Curiosamente, a revista The Economist disse o mesmo há já um ano (negritos meus):

As Johnson wrote in the context of Ukraine, national multilingualism is expensive, in budgetary terms and in the trade-off against other priorities—but it is cheaper than the breakup of a country. And the cheapest solution is merely an attitudinal one: all Spaniards should treat Galician, Basque and Catalan not as regional languages. They are languages of Spain, full stop. Treating them as such, and not as a bother, would go a long way.

Imagine-se só. Até o El País acha o mesmo (negritos meus):

Desde estas páginas hemos defendido una reforma constitucional en sentido federal, en la que se delimiten las competencias de cada nivel de gobernanza, se reconozcan los hechos singulares y se denomine a cada territorio según su peso y preferencias, manteniendo siempre la igualdad básica de derechos sociales para todos los ciudadanos; una reforma en la que se articulen sistemas de coordinación federales (Senado); en la que las altas instancias del Estado demuestren la riqueza del plurilingüismo incorporando progresivamente su práctica normal; y en la que se repartan elementos de capitalidad según el modelo alemán, más en sintonía con nuestro país que el francés.