Certas Palavras

Línguas, livros e outras viagens

Onde criar um blogue em português?

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Uma amiga minha perguntou-me que sítio recomendo para criar um blogue.

Ora, que melhor sítio para responder a esta pergunta do que um blogue?

Assim, aqui ficam as minhas quatro sugestões de plataformas para quem quer começar a escrever até que os dedos lhe doam:

  • Blogger.com é a plataforma clássica e muitos dos grandes blogues portugueses começaram por aqui — e continuam, alguns deles (basta pensar na famosa Pipoca). É simples, intuitivo, e tudo o mais. Quem tem conta no Gmail, no fundo, já tem conta no Blogger.
  • WordPress.com. Esta plataforma permite criar um blogue rápido e com tudo o que é preciso: sistema de assinaturas, estatísticas, botões de partilha e por aí fora. Vai ter publicidade (podemos pagar para eliminá-la), mas não faz mal.
  • O WordPress.org é, provavelmente, o sistema de blogues mais usado do mundo. No entanto, ao contrário do WordPress.com e dos restantes, é preciso instalar o blogue num qualquer servidor (real ou virtual) e tratar de todas as questões técnicas. Se isto parece muito complicado, é melhor esquecer a opção.
  • Medium.com. Esta é uma plataforma para escrever artigos um pouco maiores. É a forma mais rápida de começar um blogue e os artigos ficam com um aspecto fenomenal. É muito pouco flexível, mas para quem está a começar é uma boa opção. Tem uma desvantagem: ainda há poucos portugueses por lá.
  • Notas do Facebook. Exacto: as notas do Facebook estão a melhorar e, vai na volta, tornam-se numa boa plataforma para blogues. Mas, para já, ainda não sabem a blogue. São, no fundo, um post do Facebook, mas com negritos e títulos.
  • SAPO Blogs. Esta é a mais conhecida plataforma de blogues portuguesa. Não só tem as vantagens do Blogger, como tem também uma comunidade muito interessante. Ou seja, há bloggers interessados em ler os outros, há quem comente, há ainda uma equipa de apoio que ajuda em muita coisa — até, se pedirmos com jeitinho, nas questões técnicas. Assim de repente, é a plataforma que recomendo para quem está a começar e quer partilhar, acima de tudo, histórias e experiências pessoais.

Tudo somado, o SAPO Blogs é a minha opção para quem está a começar (mesmo que este mesmo blogue de línguas não esteja por lá — se calhar devia).

Se vier a ter tempo, hei-de escrever uma explicação sobre como criar um blogue em cada um destes sistemas. Mas, não se enganem: é fácil (excepto no WordPress.org). Tentem: todos estes sites têm páginas de ajuda muito completas.


O que todos os blogues devem ter

Já que estamos a falar do assunto, aqui fica uma lista de tudo aquilo que todos os blogues devem ter (pelo menos, se o autor do blogue quiser ter leitores):

  • Um formulário de assinatura. Ou seja, deve ser fácil aos leitores inscreverem-se para receber os artigos do blogue no e-mail. Porquê? Porque leitores são difíceis de arranjar e o e-mail ainda é a melhor forma de chegar a quem nos quer ler. O Facebook é interessante, mas cada post no Facebook só aparece a algumas pessoas. Os e-mails são entregues a todos. Vão por mim: se querem leitores a longo prazo, arranjem um sistema de assinatura para o vosso blogue.
  • Botões de partilha no Facebook, no Twitter, etc. Disse o que disse acima, mas todos sabemos que usamos as redes sociais para encontrar coisas novas. Assim, quantas mais pessoas partilharem os nossos posts, mais leitores teremos. O ideal é pôr aqueles botões de partilha por baixo dos posts (vejam o caso deste post, com quatro botões logo a seguir ao texto) — e convém ainda dizer o número de partilhas que já tivemos, porque todos tendemos a partilhar o que já foi partilhado por muitos. Cada sistema tem a sua forma particular de inserir os botões. Quem tiver dúvidas, comente este post, terei todo o gosto em ajudar.
  • Um sistema de comentários moderados — ou seja, cada comentário deve ser lido e aprovado pelo autor do blogue antes da publicação. Há quem prefira não ter comentários. Outros deixam passar tudo e mais alguma coisa. Pessoalmente, já passei por várias fases. Agora, gosto de ter comentários, mesmo que um ou outro sejam desagradáveis (por acaso, tenho muito poucos desses por aqui; sorte nos leitores, é o que é).
  • Uma forma de saber quantos leitores aparecem pelo blogue. Quase todos os sistemas referidos acima incluem um sistema de estatística, mas o ideal é mesmo investir algum tempo a aprender como configurar as Analytics do Google, que são gratuitas e poderosíssimas. Permitem saber muito mais sobre o tipo de leitor que o blogue atrai e o que funciona melhor e pior. Ideal para quem quer escrever um blogue que seja cada vez mais interessante para quem o lê.

Se um dia destes tiver tempo, hei-de criar um guia detalhado para cada um destes pontos.

Para já, fiquem com mais algumas listas úteis.


O que um autor de blogues deve ter

  1. Uma paixão que chame os leitores. Criar um blogue do estilo «As minhas opiniões» só tem interesse se a pessoa já for um chamariz por si própria (vulgo: famosa). Tirando isso, será difícil. (Já Sterne gozava com esse tipo de blogues, e eles ainda nem existiam…) Agora, claro, a paixão pode ser algo tão comum como os filhos, o cão, o companheiro, a corrida, o ensino, o que se quiser — por aqui, como sabem, o meu interesse são as línguas. É uma mania como outra qualquer…
  2. Paciência. Que isto demora. Não basta escrever e pronto. É preciso divulgar, responder a comentários (quando há tempo), pensar naquilo que interessa e não interessa, reler o que se escreve, perceber um pouco do sistema que usamos para escrever, e por aí fora. Paciência, claro — mas se o blogger tiver a paixão de que falo acima, aguenta tudo. Depois, se as coisas correrem bem, é preciso ter paciência para os trolls, que sempre aparecem, mais tarde ou mais cedo.
  3. Gosto pela escrita (e algum tempo). Como é óbvio. Este gosto pela escrita não é só «gosto de dizer umas coisas». Tem de ser também: gosto de olhar para as frases e ver se soam bem. Gosto de reler e rever e reescrever. Gosto de escrever e depois não publicar (tenho mais posts não publicados do que publicados).

Voltando atrás: sim, um blogue deve ter um tema, para que não se perca no mar indistinto dos blogues que falam de tudo e de nada. De preferência, deve ser útil — e interessante e tudo o mais. Mas é difícil dizer muito mais do que isto. Afinal, é da quantidade de blogues que sai a qualidade dos poucos de que gostamos. E tudo terá muito a ver também com a sorte — e com aquilo que não se define.

Bloguemos, então. Sem medo.


Antes de começar…

… convém pensar no tipo de letra, nas cores, e por aí fora. Quem não percebe nada disso, pode escolher um bom tema ou modelo («template»). O Sapo tem alguns modelos muito bons, mas o WordPress é o mais flexível. O que vale é que, nisto, estamos sempre a tempo de melhorar mais tarde…


Antes de publicar um artigo, o que devo fazer?

  1. Rever o texto. Por exemplo, ler o post em voz alta. Passar o corrector ortográfico. Reescrever, se for preciso. Claro que há quem goste de escrever, escrever, escrever e publicar sem pensar mais no caso. Mas não costuma ser uma boa técnica. (Já agora: «Três passos para escrever melhor em português»)
  2. Escolher uma boa imagem para ilustrar o texto. Se não sabem onde encontrar imagens gratuitas, comecem por pixabay.com. Não falhem este ponto: a imagem vai ajudar muito a chamar a atenção nas redes sociais e a dar um toque ao post que ajuda o leitor a chegar ao fim.
  3. Espaçar os parágrafos: ninguém gosta de ler um bloco imenso de texto sem espaço para os olhos descansarem. Uma linha entre cada parágrafo ajuda. Parágrafos pequenos ainda mais. E um ou outro subtítulo para ajudar o leitor a navegar o texto.
  4. Pensar um pouco no que se escreveu e ver se não nos estamos a precipitar. Às vezes, escrever no calor do momento pode ser má ideia. Ou não. Depende. Bem, escrevam e depois se vê…
  5. Ter cuidado com os excessos ortográficos. Os leitores de blogues gostam do estilo informal, de sentir que estão a participar numa conversa. Mas, ao mesmo tempo, no meio de tanto blogue, todos os pormenores contam: um blogue com muitas abreviaturas, smileys, pontos de exclamação e letras em maiúsculas costuma afastar os leitores. Um blogue divertido, bem escrito, com um ou outro smiley, com um ou outro ponto de exclamação e um ou outro grito — por aí já estamos no bom caminho.

Como arranjar leitores?

Em Portugal, dificilmente alguém vive dos blogues — há excepções, claro, mas são isso mesmo: excepções. No entanto, por uma ou outra razão, quase toda a gente que escreve gosta de ser lida.

O que será um número razoável de leitores para um blogue?

Depende, claro está.

Presumo que os blogues mais famosos (o Cocó na Fralda ou a Pipoca ou alguns desses) tenham larguíssimos milhares de leitores por dia.

Mas esses são blogues raros. Convém ter expectativas mais realistas.

Se quiserem um exemplo de blogue que não é famoso, podem pensar neste mesmo, onde estão a ler este texto.

Ao final de um ano e tal de escrita, tenho uns 20 mil leitores por mês (os blogues mais famosos têm isto e muito mais por dia). No melhor dia (em Novembro, quando escrevi um post que, ironicamente, nada tinha a ver com línguas), tive uns 5000 leitores. De todos estes números, o que acho mais importante é mesmo o número de pessoas que recebem os artigos por e-mail: neste momento, são uns 1050.

Aí têm um objectivo, que vos dou de bom grado: façam melhor em menos de um ano. Aqui estarei para ler, com muita «Gönnen» (se não sabem o que é, leiam isto).

Alguns conselhos para arranjar leitores:

  1. Partilhem o que se escrevem pelos amigos. Arranjem uma boa imagem a acompanhar.
  2. Escrevam a pensar nos interesses dos leitores (e um pouco menos na nossa vontade de desabafar).
  3. Tenham um leitor em mente. Ou seja, escrevam para um tipo de pessoas em particular: por exemplo, professores; ou pais; ou adolescentes; ou trintões; ou artistas; ou pessoal que está a preparar um casamento… Quanto mais definido o leitor, mais o blogue chama a atenção.
  4. Escrevam com regularidade; respondam aos comentários; tentem escrever como quem vai contando uma história dia após dia.
  5. Tentem várias estratégias; não desistam à primeira.

Isto são conselhos avulsos, de que me vou lembrando. Se me lembrar de mais, digo-vos. Se quiserem partilhar os vossos, têm a caixa de comentários ali em baixo.


writing-828911_1920 Isto dos blogues pode dar algum trabalho, mas acreditem que é muito bom: aprende-se muito e não deixa de ser muito, mas mesmo muito divertido.

Se avançarem com um blogue, digam-me, pode ser?

(Já agora, se for difícil desemperrar os dedos, leiam este post: «Cinco truques para desemperrar a escrita».)

Entretanto, podem fazer perguntas nos comentários a este post. Terei todo o gosto em responder, logo que possa.

Bom 2016, com muitos blogues e muita leitura!

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4 Comentários

  1. Maria João

    Olá, Marco.
    Obrigada pelo artigo, muito bom, vou seguir. Parabéns pelo seu blogue.
    Bom Ano Novo 2016, saúde e muito êxito.
    Abrazo de
    Maria João.

  2. andreia salvado

    boa tarde
    obrigada pelas dicas, andei a ler várias coisas para criar um blog e este texto foi o que me ajudou mais. Prático e sucinto.
    obrigada
    Andreia

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