Certas Palavras

Blogue de Marco Neves

Os brasileiros, os galegos e os portugueses

Nós e os brasileiros

Gostamos muito de falar dos brasileiros.

Alguns de nós, mais inclinados para a pureza, reclamamos muito por causa da suposta brasileirização da cultura portuguesa, a começar no excesso de telenovelas brasileiras (tópico na moda há uns anos, entretanto apagado por via duma dieta prolongada de novelas da TVI) e a terminar no horror ao Acordo Ortográfico, para muitos uma cedência imperdoável da nossa alma linguística ao Brasil.

Outros de nós gostamos do Brasil porque nos dá uma sensação de grandeza, chamemos-lhe lusofonia ou a tal pátria que é a língua portuguesa. Sem o Brasil, a lusofonia seria uns pedacinhos de terra europeus e africanos. Quem gosta de sentir uma identidade mais misturada em direcção ao sul gosta muito do Brasil e não se importa com miscigenações culturais e linguísticas. Fica até aliviado, que isto da pureza cansa muito.

Há ainda quem misture um pouco as coisas e goste que os brasileiros falem a nossa língua, mas gostava mais se não tivessem esse desplante de a falar doutra maneira.

Para o mal e para o bem, o Brasil é uma das balizas da nossa identidade: pelo medo ou pelo fascínio, está bem presente nas discussões sobre o que é ser português.

Ora, para os brasileiros, somos pouco mais do que um povo europeu como os outros (que por obra do mero acaso lhes deu o nome à língua e aparece nos livros de história). Enfim, também lhes demos alguns imigrantes, umas boas anedotas e, agora, alguns actores desempoeirados. Pouco mais do que isso.

Os brasileiros conhecem Portugal, até têm avós transmontanos, mas estamos longe de ser uma das balizas da identidade brasileira. Somos uma curiosidade histórica.

A língua portuguesa é parte, claro, da identidade brasileira, mas sem que por isso os brasileiros sintam uma ligação especial ao longínguo país donde a língua veio (e donde vieram os brasileiros quase todos, claro). Para os brasileiros, o nome da língua é um pormenor: o importante é não ser a mesma língua dos vizinhos.

Em suma, o que para nós é um foco de tensão identitária, para eles não aquece nem arrefece.

Os galegos e nós

Ora, curiosamente, há um povo que parece ter uma relação connosco parecida com esta nossa relação com os brasileiros: os galegos.

Sim, os galegos olham para Portugal e sabem que a relação com o vizinho do sul é significativa: seja para se afastarem e ficarem imersos na nação espanhola, seja para se afirmarem como algo diferente dos restantes espanhóis.

Mesmo na ortografia da língua, os galegos têm este foco de tensão: ou se aproximam dos espanhóis, com “ñ” e tudo o mais, ou se aproximam de nós, com os “nh” e outros que tais.

Por cá, ignoramos olimpicamente as questões existenciais dos galegos. Sim, conhecemos a Galiza, sabemos que é uma região dos nossos vizinhos, e até sabemos que há por lá uma outra língua, que mal sabemos reconhecer (na escrita até vemos algumas parecenças com o português, mas quando os galegos falam soa tudo a espanhol e pronto). Para lá desses factos soltos, a Galiza não entra no radar dos portugueses.

É assim na cabeça dos portugueses — tal como muitos brasileiros nem sabem que os portugueses têm outro sotaque, poucos portugueses sabem que o galego tem uma relação tão íntima com o português.

Talvez fosse engraçado começarmos a virar a nossa atenção também para os vizinhos de cima. A Galiza é essa curiosa região espanhola onde vemos muito de Portugal, mas com alguma distorção, o que nos dá aquela vertigem de espelho ondulado. É como se voltássemos à nossa terra muitos anos depois: reconhecemos algumas coisas, outras são-nos estranhas, mas há uma mistura de conforto e diferença que sabe bem.

Entretanto, podemos esperar, sentados, que os brasileiros descubram a cultura portuguesa — quando um dia acontecer, ganharão muito com isso, tal como ganham imenso os leitores portugueses que ultrapassam certos bloqueios mentais e começam a ler literatura brasileira, para lá dos lugares comuns dos medos e dos fascínios.

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71 Comments

  1. Manel

    Curioso como eu, galego, era tomado como português no Brasil, ou como brasileiro e até “do norte” (de Portugal) no Algarve… Eu só falava, com normalidade, nunca dizia de onde era. Só quando explicava de onde era entrava em jogo o pré-conceito das fronteiras e eu virava “espanhol”. Até esse momento era um falante mais da língua comum, embora com um sotaque engraçado e algumas palavras estranhas, como qualquer outra variante dialectal 😉
    Curiosamente, também, e será por aquilo da distância e a perspectiva, os brasileiros aceitavam na boa o eu ser simplesmente “galego” (não espanhol) e falar a língua sem problema (eles continuavam falando português para mim), enquanto os portugueses… Bom, essa é uma outra história… 🙂

    • Marco Neves

      Obrigado pelo excelente comentário 🙂

    • Isa

      Sim, justo isso me pasaba a mim na Alemanha con os portuguêses e os brasileiros que conheçim.
      Eu falabalhes galego, os brasileiros continuabam a falarme en brasileiro e os portuguêses cambiaban ao castelhano.

  2. Pedro Bernardino de Sena

    Sou nascido no Brasil. Parte de minha família é galega de Pontevedra, e outra parte de Braga em Portugal.
    Me sinto como um portugalego que teve a sorte ou azar, de ter nascido no Brasil.
    Vários brasileiros conhecem sim, a importante ligação cultural portuguesa.
    Deveriam conhecer mais a fundo sobre o Brasil.

  3. Filipe

    Amigos,
    o Brasil está em um processo rápido de desgraçamento da cultura. A língua e a música são os mais atingidos, penso eu.
    Abraço.

  4. Miguel Fortes

    Meu caro! excelente matéria .
    Algumas considerações sobre ela… Nós brasileiros temos em nosso dia a dia Portugal sempre presente ,basta olharmos nossa arquitetura ,nosso gosto por uma boa bacalhoada ( não pode faltar é claro !!!! ), nossas festas tradicionais trazidas por vocês e outros fatos para não me estender……. não se pode negar estão vivas talvez mais do que imaginem.
    Considerar um cidadão português aqui no Brasil como português na concepção da palavra não é tão normal ,digo isso porque já estão tão enraizados à nossa vida que seria impossível de os considerar como tal, até o sotaque já se tornou português brasileiro.
    Com ou sem Acordo Ortográfico continuaremos nos entendendo de fa ( c ) to.
    Um abraço.

    • Marco Neves

      Muito obrigado! 🙂

    • Conrado

      Eu entendo a cordialidade e o carinho que queira demonstrar, mas, sou obrigado a concordar com a visão do autor. Há até um antropólogo (creio que norte-americano, não me lembro o nome dele) que fez uma crítica à cultura brasileira exatamente pelo “não reconhecimento” de Portugal.
      A realidade é que somos muito distantes da cultura Portuguesa e não a temos em consideração quando falamos de maneira espontânea sobre a cultura brasileira. A diferença não é o que tenha “ficado” por aqui como a arquitetura, festas tradicionais, etc, mas sim a consciência (ou falta dela) do que pertence à cultura portuguesa, de como nos relacionamos com isso, se quando nos relacionamos com algo que foi trazido de Portugal, se lembramos disso espontaneamente ou simplesmente nem nos damos conta. Pergunte as pessoas comuns de variado nível educacional, o que conhecem sobre o cenário cultural contemporâneo de Portugal, pergunte quais são os cantores portugueses, pergunte sobre algum artista plástico, cinema, sobre alguma celebridade portuguesa que não seja do futebol… Vai ver que a grande maioria não sabe absolutamente nada. Isso é tão verdade, infelizmente, que até hoje Portugal não conseguiu penetrar no cenário cultural (exceto a literatura) e de entretimento brasileiro. Quantas produções de audiovisual portuguesas temos por aqui? Quantos cantores portugueses de qualquer gênero que seja tem espaço no mercado brasileiro, mercado que rende milhões ao estrangeiros? São Paulo, por exemplo, é rota obrigatória para todos os shows internacionais que passem pela América do Sul. Quando temos algo de Portugal por aqui é dentro de um circuito muito alternativo, que não atinge a grande massa. E mesmo nas universidades, Portugal é esquecido se o assunto não for histórico social ou linguístico. Eu mesmo me pós-graduei em História da Arte aqui no Brasil em uma universidade renomada e só depois de muito tempo que me dei conta que não nos foi citado nada sobre a arte em Portugal. Não vi um artista português, a não ser os que retrataram o Brasil no início da colonização.
      Geralmente quem tem essa ligação mais forte com Portugal é porque tem um ascendente muito próximo português, como pais ou avós. E considerando que a ascendência portuguesa não é a única ascendência europeia brasileira – é muito raro por aqui alguém ser descendente (na parte europeia) somente de portugueses – e sim muitas misturas como italiana, espanhola, alemã, francesa, holandesa e de diversas outras partes, esse distanciamento, para além do “ressentimento” histórico se dá principalmente por esta multiculturalidade, com tanta mistura até na parte da sua ascendência europeia, fica mais difícil de se ter uma ligação “especial” pela ascendência portuguesa. Além, de considerarmos é claro, a questão da língua: que é a mesma mas não é a mesma.
      Mas, acho que esse distanciamento tem diminuído devido ao turismo e a globalização. As pessoas estão buscando conhecer mais( o que não significa que isso realmente vai ter alguma relevância na essência da cultura brasileira). Acho importante que esse intercâmbio cultural aumente e que os brasileiros possam conhecer a riqueza e a beleza da cultura portuguesa para além das aulas de história do Brasil.

      • Elias Ferreira

        Sou tataraneto de português , senhor Antonio Ferreira ( 1889).

        Tem que se analisar este “distanciamento” do brasileiro com relação a Portugal, levando-se em consideração a forma que esses portugueses foram enviados ao Brasil. Muitos foram degredados e perderam parte de seus entes queridos, e parece-me que ficou um ranço que passou aos descendentes.

        No geral, sentimos um “que de saudade”, da terra portuguesa, mas como se nós fôssemos os traídos nesta história.

        Nós não odiamos de nenhuma maneira, muito pelo contrário.

  5. Bruno Sanches

    Bem, digo eu que o Brasil é um pais infelizmente muito pobre de conhecimento, e bem acho que essa depravação da língua portuguesa se passa de um pais que teve e tem sua cultura destruída dia após dia, eu sou brasileiro e estou no Brasil ao digitar esse comentário, a literatura portuguesa é fascinante aos meus olhos, estou aprendendo inglês para sair deste pais, admira-me tanto a cultura medieval da Europa e penso que fazer parte gostem os portugueses de sangue puro ou não, fazemos parte dessa cultura só estamos perdidos mais infelizmente se portugueses nos abominam por termos essa ligação, devemos ao fato da “exploração” portuguesa ao Brasil, se no passado Portugal tivesse “colonizado” o Brasil tenho certeza que esse pais seria um lugar muito bom e admirável!
    Obrigado!

  6. Fai tempo que xa quixen falar algo neste lugar da lingua e cultura galegas en relazon a portugal. E un feito para min que falando en galego , do que xa pouca xente fala na minha terra por o esmagamento de 500 anos de imposición do castelan, nunca tiven nengun problema de entendimento cos portugueses, e unha lenda coma outra calquera e detras de todo isto e posibel que estean presentes motivos políticos ora ben dos gobernantes de Lisboa ou dos de Madrid, aos primeiros porque na oposición PORTUGAL-ESPAÑA fica estrano e pouco agradabel que exista um pobo, o galego, que sendo pai ou irmao do portugués con unha lingua que foi a mesma até o século XVI e muito ainda muito semellante, con nomes de ruas, apelidos, lugares, pobos, arbores iguais na maior parte dos casos pois este pobo con mais antiguedade do que ESPAÑA E PORTUGAL existe, en canto aos de MADRID que afastaron a nosa lingua da normalidade e esmagaron con crueldade a nosa cultura ate o punto de que muitos galegos non saiban o que significan muitas palabras nosas ou pensan que son portuguesas. En resumo na Galiza ainda hai muitos sotaques alguns deles muito semellantes ao portugués como na zona de Maçaricos ou Carbalho na Corunha ou zoas costeiras das rias baixas.
    Ben alguns portugueses querennos ben mais penso eu que e posibel, e podo estar equivocado, que MADRID e LISBOA ficarian ledos e alegres conque a nosa cultura e lingua, como de feito esta acontecendo, por desgraza.
    En canto a min, seguir falando na minha lingua milenaria, loitando pola minha terra e loitando por dar a conhecer aos galegos o fermoso pais irmao Portugal e a sua cultura tan desconhecida para eles.

  7. Sou brasileiro e notei algumas imprecisões no texto. A primeira é dizer que boa parte dos brasileiros descendem dos portugueses, há maior descendência de italianos, a segunda seria de portugueses. Mas já existem milhões de outros descentes de alemães, japoneses e diversos outros.
    E sabemos da nossa ligação com Portugal. Mas sabemos que o Brasil não se originou de Portugal, mas foi utilizado como Colônia por ele. Mas isso foi há muito tempo. Hoje somos nações amigas e realmente, deveriamos conversar mais em termos de cultura, ciências e outros mais.
    Grande Abraço

    • Marco Neves

      Obrigado pelo comentário. No entanto, tenho de discordar quanto à origem: o Brasil foi fundado por portugueses e os primeiros brasileiros (excepto as tribos índias) foram portugueses, tal como português era o primeiro imperador. Ou seja, não temos uma situação em que tínhamos um povo brasileiro que foi colonizado pelos portugueses. Temos antes um grupo de portugueses que foi para o Brasil e lá acabou por fundar um novo país, a que vieram juntar-se africanos (à força), italianos, japoneses, etc.

      Não tenho os números, mas parece-me pouco provável que o número de imigrantes italianos seja superior ao número de brasileiros com origem nos primeiros portugueses que criaram o seu magnífico país. (Não estou a falar de imigrantes pós-independência, mas população residente no Brasil no momento da independência que era maioritariamente portuguesa.)

      Mais uma vez, obrigado pelo comentário e espero que volte!

      • Leandro de Aguiar

        Atualmente o Brasil tem uma grande variação de descendentes. Os portugueses aparecem sim, claro! Mas muito menos intensamente do que era no país recém independente. Eu moro em Santa Catarina, a “Europa brasileira” e aqui tem decendesntes de várias nacionalidades europeias como alemães e italianos, principalmente, francesa, belga, grega, austríaca, norueguesa, espanhola, polonesa, russa, portuguesa e muitas outras. Isso também ocorre com menor intensidade em vários outros estados do Brasil. Eu mesmo tenho ascendência espanhola da parte de minha mãe.

    • Ferreira

      Precisas ler mais sobre o povo Brasileiro. Mais de 50 % dos Brasileiros tem descendência portuguesa, os milhões de Silvas e Santos, Ferreiras, Barros, Souzas, Vasconcelos, Pimenteis, Pereiras, Oliveiras, Gomes, Cordeiros, Albuquerques,Barretos e outros milhares. Brasil não se resume a São Paulo e ao Sul. Eles receberam imigrantes italianos e alemães. O Rio, Minas, Norte e o Nordeste, são mistura LUSITANA, Africana e indigena. Abraço

      • Conrado

        Não se pode quantificar pelos sobrenomes. Não se esqueça que os africanos e seus descendentes eram obrigados a adotar um sobronemo português, assim como os indígenas. Logo, há milhões de Silvas, Santos ou que seja que não tem ascendência portuguesa.

      • Anilzo F. De Souza

        Sou do Norte do Brasil, estado do Pará, e nossa população é formada por descendentes de Índios, Portugueses e Africanos. O Pará por sinal, foi o ultimo estado a aderir à independência do Brasil. Portanto, a parte Norte do Brasil, especialmente o Pará, tem muitas características que nos aproximam de Portugal. Muito de nós tem, pelo menos, um ascendente Português.
        Anilzo F. De Souza.

        • Góis

          Pode existir muitos descendentes de italianos no sul e sudeste, mas no nordeste a maioria das pessoas descendem de Portugueses , africanos e nativos americanos, também existe descendentes de holandeses em alguns estados, como Pernambuco, Paraiba, Rio Grande do Norte …

    • Medeiros

      Gustavo Bernardino,

      Em que Brasil você vive. No Brasil que vivo, se vive e respira o português por uma esmagadora quantidade de brasileiros de sangue português. Falar-se de um Brasil italiano é desconhecer o Brasil como um todo.
      Perdoe-me o comentário, mas penso que deves informar mais sobre nossa população.

  8. Kaleo mariz

    Muito bom este artigo! Bastante informativo e esclarecedor.

    Concordo muito com o autor que nós brasileiros em geral não damos a mínima para nossa herança cultural portuguesa. A herança cultural de Portugal para nós é como uma nota de rodapé dos livros de história que tendemos a ignorar devido ao fato de que os brasileiros não são um povo consciente de sua história.

    Dessa forma a gente infelizmente segue vivendo desconhecendo a riqueza cultural de onde provém grande parte da raiz da nossa história como brasileiros.

    Outra coisa: é um mistério para os linguistas a origem dos sotaques brasileiros. Sem contar que com todo respeito, o nosso sotaque é muito mais fácil de entender do que o de vocês.

    Mudando de assunto, vale ressaltar que sou do nordeste do Brasil (estado da paraíba). Aqui provavelmente houve uma colonização de gente da Galiza, devido a resquicios de ‘galeguismos’ no nosso sotaque regional, e pelo fato de que aqui costumamos a usar o nome ‘galego’ para uma pessoa que seja loira; aqui quando se diz “ele é galego” é o mesmo que dizer “ele é loiro”.

  9. Paulo Antunes Guimaraes

    Muito bom. Faltou só referir que em Portugal também há Galegos. Minhotos e Transmontanos são culturalmente (festividades, folclore, musica, dança) iguais aos irmãos a norte do rio Minho. Infelizmente, miseravelmente catequizados pelos conceitos e mentalidades impostas pelo Salazarismo, e que ainda hoje vigoram (para lá da fronteira é tudo espanhol!), e que não se apercebem dessa igualdade. O que é certo, é que temos que olhar mais uns para os outros neste espaço comum linguístico Galaico-luso-brasileiro, cultivando semelhanças, para fortalecer a nossa herança linguistica comum, e aprendendo e fomentando as diferenças para enriquecer a nossa diversidade cultural!

    • Pepe do martelo

      Saudos pra os nosos irmaos do sul, dun galego do norte..
      Somos fillos da mesma mai, criados na mesma berce, separados o nacer, non nos esquencemos de vos…

  10. António

    Galegos somos todos os que falam galego. Da Galiza a Timor.

    • Christian

      concordo. España deixou-os sem fala. É preciso aproximar a Galiza de Portugal e os brasileiros precisam deixar os esteriótipos e se envolver com a cultura galaico-portuguesa.
      Nossos jovens ouvem músicas anglo saxônica sem nem saber os que se fala. Estadunidenses ouvem os ingleses, e vice-versa, mas aqui uma barreira se criou e não ouvimos Portugal, quiça Galiza.
      A internet nos aproximou.
      Escoito case todos os días o rock galego pola son de NAO, Ruxe Ruxe, keltoi, Skandalo, Marxe Eskerda, Zenzar, Skacha, Skarmento, No Surrender entre outras bandas.
      Galiza Ceives, mas particularmente queria ver não só o Reintegracionismo no âmbito linguístico português mas como unidade geográfica, social, economica e política – Portugaliza.

  11. Milene Favarato

    Só quero dizer que os primeiros brasileitos são os indígenas, com muito orgulho. Que o fato de que o Português tenha sido modificado com o passar do tempo no Brasil não representa nada degradante para nós brasileiros. Somos índios, somos mulatos, somos italianos, somos japoneses e desaprovo nacionalismos de qualquer natureza. Nossa língua foi modificada. Para nós brasileiros, quem tem sotaque são os portugueses. Não inventamos a palavra saudades. Nós a usamos. E aí? Teremos que pedir autorização para utilizá-la? Na verdade, os comentários que lí à respeito de “saudades” nas redes sociais é um desperdício de tempo se colocarmos em discussão. Cada país tem a sua maneira de referir-se à saudades, añoranza, nostalgia, I miss you, te extraño, e não vejo para quê tanto drama. Se moro em São Paulo seria ridículo achar que os pernambucanos falam errado porque falam diferente. Para quem se sente orgulhoso da sua maneira de falar ou com a missão de proteger seu idioma das impurezas e transformações que naturalmente ocorrem, queiram ou não, pois podem patentear o idioma, as palavras, o sotaque

  12. Milene Favarato

    Para mim a grande diversidade é a maior riqueza. Amo o grande poeta português Fernando Pessoa. Minha mãe é Silva, mas não conhecemos nenhum familiar descendente de portugueses, por mais atrás que busquemos na árvore genealógica. Não sinto nem orgulho nem decepção. Acho que somos muito mais do que linhas imaginárias que nos dividem. Procuro pontos que nos tornam pertencentes à humanidade como um todo.

  13. Antonio

    Gostei do teu texto. Sou brasileiro (do Nordeste) e amo a língua portuguesa. Sou contra a separação das línguas, ou seja, não sou a favor de se criar o brasiliano. Sou a favor, sim, de mais união dos países lusófonos. E, pelo o que eu lembro da origem do português, quando o Reino de Portugal se separou do Reino de Castela, o galego falado em Portugal passou a ser chamado de português, simples assim. Então, no fundo, o galego é a língua mãe. Por isso, o galego precisa ser mais valorizado. Devemos nos esforçar para não deixá-lo morrer. Só um adendo: acho a língua galega linda. Mais bonita e fácil de entender que muitos sotaques do Brasil e de Portugal.

    • Marco Neves

      Muito obrigado pelo seu comentário. Espero que volte a este blogue. Até breve!

  14. Alexandre

    Sou um brasileiro enterrado num buraco do Brasil. A maior parte de meus antepassados são portugueses e espanhóis. Sou completamente apaixonado por nossa cultura ibérica, seja na vertente portuguesa, espanhola, galega, brasileira, enfim, qualquer ramificação que preserve a identidade em comum, também toco gaita galega, que no Brasil é algo incomum. Acho que brigas e rixas por certas diferenças são desnecessárias em certo ponto, pois nossas semelhanças são muito maiores. Procurando arduamente em nossa genealogia, sempre há um português, um galego, um espanhol, portanto, juntos somos mais.

  15. Francisco Ferro

    Acho ridículo que alguns brasileiros venham com disparates como este de dizer que os brasileiros receberam mais influência dos italianos, ou alemães, ou espanhóis. Meus caros, os italianos e outros são uma gota dágua no oceano da lusitanidade do Brasil. Vejam ao menos as estatísticas já que querem ignorar a História. Ou ao menos façam uma viagem a Portugal para sentir quanto somos semelhantes em tudo a Portugal, até mesmo na teimosia (rs) que para mim é determinação. O Brasil é um Grande Portugal e Portugal é um pequeno Brasil na Europa. Estamos apenas em margens opostas de um Tejo oceânico ou de um rio mar amazônico. Os EEUU receberam um contingente de italianos muito maior do que nós e nem por isso tem algum americano renegando a anglicidade do país por achar-se mais influenciado por aquele povo ou qualquer outro, mais que pelo povo inglês.

  16. César Castro

    Olá a todos!
    Engana-se quem acha que nós brasileiros não nos reconhecemos em Portugal.
    A questão é a distância física e cultural.
    Portugal é um país europeu, sofisticado e o Brasil é um país da América do Sul com graves problemas sociais.
    Infelizmente as pessoas focam nas muitas diferenças e deixam valer revanchismos e despeitos históricos que nada mais representam hoje em dia em termos práticos.
    Os brasileiros entendem que são descendentes (miscigenados) da pátria portuguesa da qual herdamos o idioma , gastronomia, costumes, etc, mas o Brasil tem agendas outras a seguir como sua relação com os vizinhos sul-americanos e com outros países que são parceiros comerciais mais fortes e gera intercâmbio forte.
    Além disso, vale ressaltar que a cultura norte-americana é muito presente no Brasil como ocorre em todo o mundo, isso faz com que os brasileiros se interessem muito mais por Los Angeles do que pelo Porto, apenas para citar um exemplo.
    Eu pessoalmente tenho grande admiração pela história e cultura portuguesas e pretendo em breve viajar por Portugal como turista algo que me ajudará a entender minhas raízes.
    Para finalizar, recentemente visitei o México e em um dos passeios havia um grupo de quatro portugueses enquanto eu estava sozinho. Naturalmente eu imaginei que pudéssemos interagir um pouco, mas não foi o que aconteceu. Eu estava lendo um livro em português e também entreguei uma caneta de um deles que havia caído no chão me comunicando na língua de Camões. Fui solenemente ignorado. Voltei-me para um passeio animado conversando com os demais participantes do grupo: mexicanos, peruanos e argentinos.
    Com isso, estou apenas dizendo que os laços que nos unem não garantem “interesse mútuo” sempre.
    Abraços a todos!

    • Marco Neves

      Muito obrigado pelo comentário. Espero que goste da sua viagem por Portugal. Apesar de todas as distâncias que temos, há mesmo muita coisa que nos aproxima. Até breve!

    • Francisco

      Dependendo de onde eram, mas esses Portugueses que encontrou eram por certo gente mais recatada. Na verdade os portugueses no estrangeiro quase que impõe ao constrangimento. Tenho encontrado Portugueses no estrangeiro e há como que uma atracção invertida.
      Também tenho encontrado Brasileiros e a regra também se aplica.

  17. Francisco Ferro Pessoa

    Caro Marco Neves e demais leitores, será impertinência voltar ao tema? É que revendo meu último “post” referi-me à “influência” portuguesa no Brasil e agora percebo que não expressei meu real entendimento sobre a questão da ligação Portugal/Brasil e agora quero fazer a retificação, bem como falar de outros itens relacionados ao tema maior do sítio (site). Na verdade, este não é o fulcro do teu blog, isto é, discutir História Geral, mas História da Língua Portuguesa, embora este não seja um segmento estanque daquela. De fa©to, não há que se falar em “influência” portuguesa aos brasileiros. Como sabemos, desde a fundação da Província do Brasil por Portugal, brasileiros são os portugueses que se deslocaram para este lado do Atlântico na grande e árdua tarefa de povoar e civilizar e que ceifou tantas vidas preciosas daqueles que se entregaram a atividade tão arriscada (“ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal”, Fernando Pessoa). Tantos vieram que deixou o Reino ameaçado de despovoamento, o que obrigou o Rei, na altura, a baixar edito limitando a saída de tanta gente. Falar-se em “influência dos portugueses aos brasileiros” é, portanto, o mesmo que dizer “influência dos portugueses aos portugueses”! Mas se não é correto falar em “influência” portuguesa no Brasil, o será falar em influência galega, italiana, espanhola, alemã, etc. Estes aqui chegaram quando já estava consolidada a Magnum Opus lusitana, ou seja a criação do Brasil. Para ficar só na língua, temos algumas palavras como “dixe” (disse), ó xente (ó gente), Vixe Maria (Virgem Maria), por mor de (para que), em riba (em cima). Seria isto português arcaico ou galego? Do italiano a saudação “ciao” (tchau), do alemão nenhuma palavra me consta, apenas o sobrenome de algumas pessoas do Sul/Sudeste brasileiros. Do inglês são muitas palavras enxertadas no idioma pátrio que nem ao menos nos damos ao dever de aportuguesar ou empregar as correlatas já existentes (acima usei duas) mas fica para outra ocasião. Abraço a todos.

  18. Os brasileiros, os galegos e os portugueses, são, na realidade, uma Santa Nação!

    Por exemplo, e à escala mundial – o BRASIL é o maior laboratório sócio-cultural, económico e político do mundo!

    Vejamos porque:

    Não existe um Povo Brasileiro, mas sim um “GEOpovo”, resultado de países típicos de imigração. Não existe, no frigir dos ovos, “um povo brasileiro”, mas um “Estado Brasileiro” no qual vivem diversos povos, descendentes de lusitanos, africanos, espanhóis, italianos, alemães, etc.

    O Brasil deve servir de pátria para todos os povos de sua terra e não deve assegurar privilégios, mas garantir a todos os grupos étnicos que constituem a comunidade nacional, “equivalentes e equiparados” direitos de língua, cultura, escola, etc.

    O Brasil é o único país do mundo a possuir uma língua de comunicação, cobrindo todo o território nacional, com 205 milhões de cidadãos do mundo, e deve possuir como prioridade nacional o ensino do “português”, quiçá, futura Geolíngua para TODOS!

    O Brasil, a nível mundial, possui uma característica única: a de assegurar a sobrevivência de 8 Chinas (11 bilhões de pessoas) – Esta afirmação tem como base, o fato de 1,36 bilhões de chineses viver em 15% da China (4% da água no mundo e 80% poluída) e que é a sua área agricultável. – Visto que, o Brasil possui 20% da água no mundo, com um território semelhante ao da China, é fato assente que – TODA a China poderá viver em aproximadamente 15% do Brasil, pois, é esta a área habitada pelos chineses, devido à escassez de áreas agricultáveis. – A Índia possui 1,2 bilhões de pessoas, (duas vezes e meia menor que o Brasil) com 27 línguas nacionais e mais de mil dialectos. – Portanto – o Brasil comporta toda a China e Índia, e sobra espaço.

    Portanto, e para finalizar – o Brasil & Portugal devem de ter orgulho em serem os verdadeiros Cidadãos do Mundo. – Infelizmente, ainda são se deram conta deste enorme património, mas com o tempo, melhores governos virão – para estas duas grandes nações, e que têm sua origem no grande povo Galego.

    • cristina bluemel

      ÓTIMO!! Estou na China, sou Luso-Brasileira com o maior orgulho, e assim é….

  19. Paulo

    O Google Tradutor nunca foi perfeito, mas conseguiram piora-lo, a versão que traduz paginas inteiras da internet esta traduzindo para português europeu ou mistura de ambos, antes não era assim. Quando preciso traduzir uma pagina, não quero me deparar com “facto”, “objecto”, “autocarro”, “a cantar”, etc. Quero ler na minha língua, o tradutor de legendas o YouTube apresenta o mesmo problema.

    • Alberto Nogueira

      Se algumas palavras em Português Europeu o incomodam tanto assim, presumo que, ao ponto de não entender o que está escrito, o caro amigo tem uma boa opção porque há imensos tradutores para Português exclusivamente do Brasil à venda na internet. Basta abrir os cordões à bolsa. Na minha terra diz-se que “a cavalo dado, não se olha ao dente”.
      Enfim, “presunção e água benta, cada um toma a que quer.”

    • E em que língua estám escritas essas formas? Tailandês?

  20. Rodrigo Vasconcelos

    Caro Marco Neves,

    Graduei-me em Jornalismo e em Direito numa das melhores universidades públicas do Brasil e, antes disso, cursei os Ensinos Fundamental e Médio em boas escolas privadas: tive acesso ao que de melhor a educação no Brasil pode oferecer.

    Creia-me, portanto, quando lhe digo que o ensino de História no Brasil, mesmo nas melhores escolas, é um pasticho de panfletos marxistas que metem na camisa de força da luta de classes toda a complexidade do nosso passado: os portugueses fazem as vezes da classe espoliadora enquanto os índios e negros fazem as vezes da classe espoliada, e que nem se mencione ter sido a maioria dos portugueses para cá vindos pouco menos pobre e pouco menos espoliada que os cativos, pois não há espaço para nuanças nesse tipo de “análise”.

    O resultado dessa (de)formação é que a maioria dos brasileiros, independentemente do seu nível de formação, atribui a Portugal grande parte da responsabilidade pelo nosso subdesenvolvimento, por nos ter roubado o nosso ouro, os nossos diamantes e demais riquezas. Esquece-se, todavia, de que Portugal pouco proveito fez dessas riquezas, relegado ao atraso que ficou por décadas, e de que muito mais minérios se extraíram no Brasil depois da Independência sem que nos houvéssemos desenvolvido por isso.

    Eu mesmo só me livrei dessas concepções quando comecei a estudar mais a fundo a história dos meus antepassados. Miscigenado que sou, como a maioria dos brasileiros (exceto, talvez, os da Região Sul, onde o grau de miscigenação é menor), julgava-me descendente quase em partes iguais de brancos, negros e índios, mais até de negros e índios que de brancos. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que a maior parte dos meus antepassados era portuguesa, descoberta essa que se coaduna com os estudos de genética populacional conduzidos pelo eminente geneticista Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, que descobriu ser predominante a ascendência portuguesa mesmo entre os brasileiros considerados não brancos.

    Esse conhecimento me fez perguntar a mim mesmo: como posso dizer que os brasileiros fomos espoliados pelos portugueses, se nós éramos esses portugueses, isto é, se esses portugueses são os nossos avoengos, que para cá vieram, aqui se casaram, tiveram filhos, envelheceram e morreram, sem nunca voltarem a Portugal? Como posso dizer que exploraram o Brasil, se não havia Brasil que explorar? Se o Brasil era, até 1822 e mesmo muito depois, um amontado de províncias desunidas que se rebelavam frequentemente contra o frágil poder central? Se só veio a consolidar-se como País pelas mãos do único filho varão sobrevivente do príncipe português que proclamou a sua Independência?

    Não o posso dizer, porque não faz sentido algum.

    Hoje, quando estudo a História de Portugal, ao menos até 1822, não o faço como quem estuda a História de outros, como quem visita casa alheia, mas como quem estuda a sua própria História, a dos seus antepassados, como quem visita a casa dos avós, avós que temos em comum com os portugueses de hoje.

    É bom que se frise serem avós comuns, a quem devemos a nossa existência tanto quanto os atuais portugueses lhes devem a sua, de modo que não há razão para a gratidão que alguns portugueses parecem esperar de nós: quando falamos português, quando escrevemos em português, quando professamos a fé católica ou quando comemos bacalhau à nossa moda, não temos de pedir licença a ninguém para o fazer nem temos de o fazer segundo normas que não sejam nossas, assim como também não temos de ser gratos aos portugueses, pois se trata de herança que é tão nossa quanto sua, com a qual temos o direito de fazer o que entendermos ser melhor para nós.

    Isto não implica, contudo, que seja melhor para nós ignorar que, do outro lado do Atlântico, existe, se não um povo irmão, porque já nos distanciamos um bocado mais que irmãos o teriam feito, ao menos um povo primo em primeiro grau (daí eu ter escrito que temos avós em comum), que são mais parecidos entre si do que se parecem com os anglófonos a cuja influência se têm dobrado mais do que o aceitável (vide o exemplo recente do “News Museum” em Sintra).

    Foi por pensar assim que me concedi a liberdade de falar e escrever como mais me apraz, ainda que tenha de recorrer, eventualmente, ao vocabulário e à sintaxe de uma variante do português que não é a minha. Na minha concepção idealizada do português, a pronúncia é brasileira, e a sintaxe, europeia: nem se comem as vogais, se chiam os “esses” e se pronunciam “ei” (madeira) e “oe” (coelho) como “ai” (madaira) e “oa” (coalho) nem se desmembram os períodos em anacolutos (“A Maria, que o pai dela é médico, eu gosto muito dela”).

    Encerro esta já longa mensagem com uma conclusão que contraria, parcialmente, o argumento que tenho até aqui defendido: embora ache proveitosa a aproximação a ambos os povos, acho-a mais proveitosa aos brasileiros que aos portugueses, não só porque estes já conhecem mais daqueles que o contrário, mas porque, na verdade, aos portugueses conviria desprenderem-se um bocado do seu passado e da visão que têm dele, para que se vejam a uma nova luz, para que se recriem como uma nação de inventores, de navegadores de novos mundos, sem perder tempo com ilusões de recriação de espaços que já perderam e não terão condições de reconquistar, ao passo que conviria aos brasileiros se livrarem do ranço marxista que os faz lançar nos ombros dos outros a responsabilidade que é só sua, para o que o primeiro passo seria exonerar os nossos antepassados portugueses da responsabilidade pelas más escolhas que vimos fazendo em décadas mais recentes.

    Nós temos de refazer as pazes com o nosso passado, para o que nos convém uma aproximação a Portugal; vocês têm de se livrar do peso do passado para se lançarem à empreitada da inovação que lhes poderá dar lugar de destaque no futuro, para o que lhes convém se afastarem de tudo que recenda a ilusofonias.

    Que a Galiza olhe para o Brasil, olhe para Portugal e tome o seu próprio rumo, sem repetir os erros de um e do outro.

    • Christian

      entendi: ‘Cursei os Ensinos Fundamental e Médio em boas escolas privadas: tive acesso ao que de melhor a educação no Brasil pode oferecer . Creia-me, portanto, quando lhe digo que o ensino de História no Brasil, mesmo nas melhores escolas, é um pasticho de panfletos marxistas que metem na camisa de força da luta de classes toda a complexidade do nosso passado” ????

      Ou seja, burguesa que estudou na escola privada para alcançar a Universidade Pública, e depois generaliza que todo o ensino de História é marxista !!! Enquanto isso os pobres que estudam em escolas públicas, a maioria quando chega à Faculdade é para na particular, pois as públicas estão repletas de pessoas que se beneficiaram com uma boa escola privada para chegar à Universidade Pública.

      Como Historiadora es uma boa Jornalista/Advogada .

      • Rodrigo Vasconcelos

        Caro Christian,

        Você não entendeu coisa alguma. Não entendeu nem o meu gênero, pois se referiu a mim como burguesa, historiadora, advogada. Se tivesse lido ao menos o meu nome, não teria cometido erro tão crasso.

        O seu comentário é, na verdade, bastante revelador da mentalidade que grassa entre o professorado brasileiro: chamar burguês a alguém que não se conhece só por ter dito que estudou em boas escolas privadas e teve acesso ao melhor que a educação no Brasil pode oferecer é sintomático do estado terminal do cérebro de todo aquele que, como você, o teve carcomido pela ideologia.

        Para o seu governo, eu também acho um absurdo ter estudado de graça em universidade pública: eu poderia e deveria ter pagado por isso. Mas é gente tacanha como você a primeira a gritar contra a “privatização do Ensino Superior”, que, na verdade, já é privado, pois a ele só tem acesso quem, como eu, pôde estudar em boas escolas privadas.

        E não generalizo: todo o ensino de História nos níveis fundamental e médio nas escolas brasileiras é marxista. Muda apenas a vertente do marxismo que se ensina, mas é marxista.

        Os colonizadores portugueses fazem, por exemplo, as vezes de classe dominante espoliadora, ocupando o lugar dos burgueses na luta de classes, ao passo que os brasileiros são os espoliados, aqueles cujo ouro foi “roubado”, assim como o proletariado tem roubada a maior parte do valor do seu trabalho pelo lucro do patrão.

        Mesmo os bons historiadores acadêmicos brasileiros reconhecem que o nosso ensino de História aos níveis fundamental e médio é boçal, e por culpa de gente com a sua mentalidade, capaz de chamar burguês a quem não conhece.

        • Christian

          nem vou perder meu tempo com alguém que desconhece o que é ensinado nas Universidade Públicas de História

  21. HENRIQUE ALVES MARINHO – Sou brasileiro descendentes de galegos e dentro das minha pesquisas acho que o galego deve ser valorizado não só por ser língua mãe mas pelo sangue valoroso que corre nas veias de seus descendentes .
    Por outro lado aqui na américa do sul ouve uma segunda invasão “romana “hoje descendentes de italianos já somam 25 milhões em todo país e acho que temos que levar em conta isso…. o brasil vai continua se misturando e com isso se fortalecendo ….como brasileiro vejo que estamos só no começo da formação de um povo com a matriz disso tudo” a Península Ibérica” . Somos todos ibero-americanos !

  22. Tarcízio Medeiros

    Caro Maco Neves,
    Li toda esta longa lista de comentários. Três deles me impressionaram muito bem, pelo conhecimento e a visão que têm seus autores: Francisco Ferro Pessoa, Roberto Moreno e Rodrigo Vasconcelos.
    Nordestino da Paraíba, sou descendente de portugueses, tanto pelo lado paterno como pelo materno. Estudioso da língua, da história e da arte genealógica, dou graças a Deus por minha origem portuguesa.
    Pelo lado de minha mãe, meu oitavo-avô, Domingos de Faria Castro, chegou à Paraíba em 1700; natural de Cheleiros, perto de Mafra – estive lá, para conhecer o lugarejo e visitei a igrejinha em estilo manuelino).
    Pelo lado paterno, meu sexto-avõ, Sebastião de Medeiros Matos, chegou à Paraíba no segundo quartel do século XVIII – não se sabe ano certo, provavelmente em 1737 – vindo, com um irmão, da Ilha de S. Miguel, nos Açores.
    Estudei e publiquei livros, documentados com certidões paroquiais , testamentos e inventários, e registros cartoriais, sobre a descendência desses dois antepassados, desde seus filhos até meus netos…
    Realmente, a grande maioria dos brasileiros descendem dos portugueses. Não conhecem a história quem afirma a maioria de nós ser descendente de italianos e alemães (chegaram ao leste e ao sul do Brasil já na segunda metade do século XIX) e muito menos de japoneses (chegaram aqui há pouco mais de cem anos).
    Quando eu era menino, ouvia e acreditava, se os holandeses houvessem ficado no Nordeste, a região hoje teria outro padrão de desenvolvimento.
    Mais pura sandice e balela, tal afirmação – eles ficaram na Indonésia e em Suriname até começo da segunda metade do século passado. O que são, hoje, esses dois países?
    Só para exemplificar também: os belgas ficaram no Congo Belga… os franceses, no Congo e em muitos outros países da África e da Ásia; os ingleses, idem, inclusive na nossa vizinha Guiana – o que deixaram lá?
    A própria unidade geográfica do Brasil tem um traço português – os governadores e administradores que vinham do Reino eram “todos portugueses” – os que vinham para a América Espanhola “não eram” todos espanhóis: uns eram catalães, outros asturianos, outros galegos, outros valencianos, cada qual com seu nacionalismo diferenciado – resultado, a América Espanhola se dividiu em vice-reinos e províncias diferenciadas. Simples assim.
    Quanto à língua, deixo comentário para depois.
    Tarcízio Medeiros

    • Roberto Henrique Catharino Filho

      Minha avó que nasceu em Arcozelos do Cabo – Viseu, dizia:

      A cavalo num piolho,
      Fui a Mafra pelo ar.
      Dei uma tupadela na lua,
      Quebrei a unha ao olho.
      Embarquei-me num repolho.
      Cais de sidra até Belém.
      Puis – me a ver sobre o sol posto.
      Pois lá não vi ninguém.

  23. Fernando Sousa

    Sou português e conheci o Brasil de sul para norte, desde Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e uma cidade encantadora contígua a esta, Olinda. A grandeza do Brasil é tamanha ao ponto de uma pernambucana do Recife ter-me referido que o seu maior sonho era conhecer o Rio de Janeiro. Em cada estado brasileiro sentia-me em casa, pois tudo me era familiar. Muitas das vezes, vi mais Portugalidade no Brasil do que no meu próprio país. Acreditem, o Brasil é um imenso Portugal.

  24. Pepe do martelo

    Eu nou sou brasileiro, nou sou fillo do nordeste, mais sou cabra da peste, eu gostei do Ceara…
    Eu sou estranjeiro… bagamundo, cachazeiro sou galego e atrevido.. perdido no Ceara..
    MANU CHAO.

  25. Valdano

    O Brasil foi fundado na “marra” era colônia de “sugadores” de riquezas naturais. talvez esse comentário não seja aceito por muitos, mas a verdade é que Portugal não tinha interesse algum de “fundar” uma nação forte e independente e sim de “sugar” todas as riquezas naturais e valiosas em abundancia existentes aqui e só, nada mais que isso. A língua portuguesa foi imposta por aqui pelos portugueses da época. Quando os “portugueses” chegaram aqui existiam pessoas que viviam aqui com suas próprias línguas já que não era só uma nação que vivia aqui e que foram obrigados a aprender uma nova língua e esquecer e perder seu(s) próprio(s) idioma(s). Sei que isso foi no passado, mas ao entender o início conturbado do meu País, não vejo e sinto desejo algum de me interessar pela cultura, política ou seja o que for de Portugal. Sou descendente direto dos verdadeiros donos desse território federativo que “batizaram” de Brasil.

    • Rodrigo

      Caro Valdano,

      Eu não posso senão lamentar a sua ignorância.

      Descendo, como dezenas de milhões de brasileiros, do cacique Tibiriçá, cuja filha Bartira casou-se com o português João Ramalho, formando a que talvez seja a primeira família brasileira no Sudeste (antecederam-lhe, no Nordeste, o português Diogo Álvares Correia, o Caramuru, e Catarina Álvares Paraguaçu, índia).

      Há, na minha árvore de costados, muitos outros antepassados indígenas e africanos, mas há muito mais antepassados portugueses. Todos para cá vieram e aqui ficaram, casaram-se, criaram os filhos, que lhes deram netos, os quais geraram bisnetos até que, séculos depois, eu nascesse.

      Se vieram, inicialmente, para cá, com o intuito de juntar tanto ouro quanto pudessem para depois voltar para Portugal não importa. Importa que, seja por que motivo for, ficaram. Ficaram e fizeram, juntamente com os descendentes de índios e de negros, e das uniões destes entre si e com portugueses, bem como com os descendentes de italianos, alemães, japoneses e libaneses, o Brasil que conhecemos, por muito bom ou por muito ruim que seja o nosso país.

      A História de Portugal antes de 1822 é tão sua e tão minha quanto é dos portugueses contemporâneos, porque é a História dos meus antepassados. Conheço bastante bem a minha ascendência, que tenho documentada em fontes coevas até o século XVI, e que desse século para trás segue por linhas aristocráticas tão bem documentadas quanto as de qualquer português contemporâneo que hoje se apresente como aristocrata. “Ah, mas você, Rodrigo, deve ser um brasileiro branco da elite que até hoje subjuga o povo”. Não sou branco nem sou da elite, mas pardo e de classe média.

      E, tanto quanto de nobres portugueses, descendo de pobres portugueses, de negros, de índios, de judeus, de belgas e de alemães, aqui estabelecidos ainda no século XVI. Como posso amaldiçoar uma história que é minha também, como o é a história da Europa? Goste você ou não, gostem ou não alguns portugueses e alguns europeus, o Brasil mestiço e pobre é tão bisneto da Grécia, de Roma e da Judeia, tão neto da Europa medieval e tão filho da Europa moderna, dos Descobrimentos, quanto os brancos e ricos Estados Unidos.

      Falamos uma língua de origem europeia, professamos uma fé que, se não nasceu na Europa, foi lá que vingou com toda a força, regemo-nos desde o início por um direito que se filia à tradição romano-germânica e sofremos, fortemente, os desdobramentos das revoluções europeias que marcaram a transição da Idade Moderna para a Idade Contemporânea. Não há um só sentido relevante em que não sejamos filhos da civilização europeia, gostem disto, e mesmo muitos não gostam disto nada, nada, os portugueses e os demais europeus.

      Não havia território federativo antes de o Brasil ser construído pelos portugueses, e não só por eles, é claro. Havia tribos de inúmeras etnias, muitas das quais viviam em pé de guerra umas contra as outras.

      Não quero dizer com isto que devamos a Portugal a existência do Brasil: devemo-la, sim, a portugueses que são nossos antepassados, que aqui permaneceram, constituíram famílias, ergueram casas, templos e paços, ampliaram as nossas fronteiras e se uniram a muitas outras etnias para formar aquele a que hoje chamamos povo brasileiro.

      Somos fruto de violência colonial? Sim, em parte. Mas que povo não o foi? Você conhece, por acaso, a história da formação do povo português? Não se passou, exatamente, como um daqueles romances açucarados de Hollywood. Dos lusos, por exemplo, os romanos não deixaram quase vestígio algum quando lá se instalaram.

      Enfim, se ainda assim não quer conhecer nada da cultura, da política e de seja o que for de Portugal, é você quem perde, como perde quem quer que não queira conhecer a cultura, a política e seja lá o que for de qualquer outro país, mas mais especialmente de um com quem temos tanto em comum, no passado e no presente.

      • Marco Neves

        Muito obrigado por tão extenso e bem argumentado comentário! É daqueles que valem mais do que o próprio artigo.

      • Elton

        Eu não entendo essa necessidade de cultuar uma cultura pelo simples fato de ela ter sido parte da construção da nossa identidade brasileira. Há tantos brasileiros que acham que temos que apreciar mais a cultura portuguesa do que, por exemplo, a americana só por causa da nossa descendência. Cada indivíduo deve se alimentar da cultura que lhe for mais aprazível, seja ela americana, italiana, japonesa etc. Eu não vou ouvir Beethoven só porque meu avô era alemão, mas porque aprecio sua arte.

        Eu não vejo portugueses louvando sua descendência (linguística ) galega, ou o legado cultural deixado pelos árabes, pelas tribos alemães e pelos romanos. Por que teríamos que amar os portugueses se não por interesse individual?

        Se eu puder expor uma opinião, com todo o respeito, diria que sempre achei que se a mídia audiovisual portuguesa nunca conseguia espaço no Brasil, era porque não era boa, pois na minha infância sempre tinha desenhos (animes) japoneses que fizeram sucesso. Na adolescência, um dos seriados de maior êxito na tv brasileira era mexicano (chaves). E hoje, na fase adulta, assisto a muitos filmes franceses, espanhóis e americanos e latinoamericanos. Portanto, não encarem isso como uma falta de interesse por parte dos brasileiros, mas como um fator que os motive a investir mais e mais no produto português.

        • Marco Neves

          Caro Elton, disse «Eu não vejo portugueses louvando sua descendência (linguística ) galega, ou o legado cultural deixado pelos árabes, pelas tribos alemães e pelos romanos.» Quanto aos romanos, não nos cansamos de falar disso na escola. No que toca aos árabes, também. Tenho pena que não falemos tanto da Galiza, é bem verdade… Proponho que leia este artigo neste blogue: http://www.certaspalavras.net/historia-secreta-da-lingua-portuguesa-1/

          Haverá mais! 🙂

        • Francisco Ferro Pessoa

          Eu sou daqueles que acham que temos sim que cultuar mais a cultura portuguesa que qualquer outra e não só estadunidense. Porque somos a continuidade desta cultura que está bem ali do outro lado do Atlântico e começou a transplantar-se para esta outra margem há uns belos pares de anos. A ingratidão bate à minha porta todos os dias, mas não vou deixá-la entrar. Conjugado a isto estão os 60 e tantos por cento do pool genético do povo brasileiro formado por genes de Portugal. E não só os brancos, mas índios e negros também carregam genes portugueses. Louvo as autoridades paulistas pela justa homenagem a Portugal ao instalar no Parque Ibirapuera a estátua de Pedro Álvares Cabral, o descobridor do Brasil, com o dístico: “OS BRASILEIROS DEVEM TUDO A PORTUGAL”.

          • Rodrigo

            Desculpe-me: os brasileiros não devem nada a Portugal, porque os brasileiros são os descendentes dos portugueses que para cá vieram, aqui ficaram e construíram o país, ou, dito de outro modo, os brasileiros são portugueses americanos que, a certa altura, resolveram chamar-se brasileiros. Não faz sentido, portanto, dizer que devemos algo a portugueses, a menos que se queira dizer isso no sentido de que devemos tudo o que somos aos nossos pais, avós, bisavós etc.

      • cristina bluemel

        Um verdadeiro artigo, parabéns e obrigada!

  26. Bom, mentres que nom nos unamos a Portugal. Eu prefiro unir-me ao Brasil cá Portugal.

  27. Christian

    Conheci o Galego pela música, escuto muito o seu rock. Desde então busco ouvir o Rock de Portugal.
    Nestas pesquisas descobri as variantes regionais de Portugal e da Galiza até as fronteias da Asturias em Terra Eo-Navia, O Bierzo e As Portelas ainda três comunidades da Extremadura (Val do Xálima) onde se fala uma variante do Galego.
    Sem esquecer o Mirandês, considerado recentemente o segundo idioma falado em Portugal.

  28. Mateus Abreu Almeida Prado Couto

    Eu tenho muito orgulho de ter descendência portuguesa, como Olavo de Carvalho escreve “O idioma que herdamos de Camões é uma língua de guerreiros e navegantes, não de cortesãos efeminados.” A maior parte da minha família é de portugueses, alguns também galegos que são de uma linha de teutônicos/portugueses, tenho descendência de meu avô clara de portugueses/eslavos ocidentais, claro também tenho descendência em menor grau de caboclo, francês. Mas Portugal está na raiz. Aqui no estado de São Paulo grande parte dos descendentes são italianos, japoneses, judeus, é bem legal essas influências culturais. No estado de Minas e Rio têm uma portuguesada volumosa. Só não gosto de bacalhau, acho uma bosta, e vinho também eu não gosto.

  29. Márcio Marques de Paula

    “Enfim, também lhes demos alguns imigrantes…”. Não foram alguns, mas muitos. Até hoje, na cidade de Pirenópolis, no Estado de Goiás, comemora-se, todos os anos, as Cavalhadas. É uma festa popular que celebra a expulsão dos mouros e a formação do Estado Português, a lembrar que a população é de origem de norte de Portugal e da Galícia. Aliás, o nordeste brasileiro foi colonizado, maciçamente, por imigrantes vindos do sul de Portugal. O restante do Brasil foi destinado aos “pobres” da época, quais sejam, à população do norte português e de galegos. Iniciaram o movimento em São Paulo e se dividiram para colonizar o centro/oeste/norte e a região Sul do país. Assim, o brasileiro é, maciçamente, descendentes de portugueses do norte e de galegos que para cá migraram e se misturaram. Até hoje, quando uma pessoa é muito branca, com olhos e cabelos claros, damos o apelido de “galego”. Isso é geral. Não é por acaso. Você disse: “…podemos esperar, sentados, que os brasileiros descubram a cultura portuguesa…”. Que equívoco é essa? Brasil é filho de Portugal e é assim que nos vemos. Aliás, a comida, os costumes, os vestimentos, o jeito de ser… isso é herança portuguesa. Minhas avós, cujos ancestrais portugueses saíram da Europa há mais de 300 anos, sempre faziam pratos portugueses, com os quais nos deliciávamos e cuja herança minha família herdou. O problema é que a região de São Paulo, pequena região geográfica do país onde “se fazem novelas”, tem herança italiana e pode repassar a impressão de que o Brasil não valoriza a sua parte portuguesa. Isso é um equívoco. Até o sotaque carioca veio de Lisboa. O fato é que tanto a maçonaria (que financiou a independência e a República) quanto os EUA/URSS (através dos mecanismos de subversão cultural) tolheram nossas heranças através da literatura, da cultura e, recentemente, dos meios de comunicação em massa, da mesma forma que os Galegos foram tolhidos, na Espanha, pelos governantes locais. Tudo é uma questão de poder e dominância política. Em resumo: o Brasil tem uma forte herança tanto portuguesa quanto galega e isso é uma realidade diária, não uma peça de ficção. Nem sequer nos sentimos “país irmão” (como muitos portugueses se sentem em relação ao Brasil), mas filhos de Portugal, ainda que a mídia subversiva não demonstre isso nas “novelas” televisionadas no continente europeu. Nós, brasileiros, podemos desconhecer as minúcias de nossa história, mas isso não significa que a nossa cultura “caiu do céu” ou “apareceu do nada”: vieram de vocês, portugueses e galegos, acrescida da de outros povos que acá existiam e que migraram posteriormente.

  30. Felipe Araújo

    Sou brasileiro, do Nordeste( mais precisamente de Fortaleza-CE) e digo que, infelizmente a TENDÊNCIA é para o que o autor do artigo escreveu sobre nós não reconhecermos a herança portuguesa. Claro, há brasileiros como eu que reconhecem e amam a cultura lusitana, e sabem que no fundo somos portugueses das Américas( claro que outras culturas, mormente as indígena e africana, têm influência; contudo, é inegável que a herança portuguesa é muitíssimo maior), porém, outros não o sabem.
    Creio que a maior razão disto é a educação brasileira. Instalou-se uma corja na classe acadêmica brasileiro que têm horror à lusitanidade. Contam nas escolas, o que chamo de “lenda negra portuguesa”, ou seja, contam uma lenda segundo a qual os portugueses eram uns malvados, que exploravam os brasileiros, etc. Ora, o Brasil era um território de Portugal, portanto tal exploração é um mito posto que um país não pode explorar a si próprio; eram cobrados impostos de produtores brasileiros, mas ainda hoje o governo cobra- e hoje os impostos são piores. Além disso, há de se ressaltar que o Brasil era praticamente uma terra improdutiva nos primeiros anos, e mesmo assim Portugal insistiu transformar essa terra em civilização. Sobre os indígenas, deve-se salientar o fato de que a matança também não passa de um mito. Ora, como é que os portugueses mataram todos os índios se a maior parte dos brasileiros também descendem dos indígenas? Com efeito, o que houve foi uma assimilação cultural; matança dos indígenas ocorreu nos Estados Unidos da América. E quanto aos africanos…sim, de fato a escravidão é algo horrível, e todos devemos nos envergonhar dela, sem embargo, não foram os portugueses que a inventaram; povos africanos escravizavam outros povos africanos.
    Outrossim , essa dita corja destrói o ensino de língua portuguesa. Dizem: “não importa como escreves, e quem falar em gramática é um preconceituoso!”. Ora, não é de espantar com a má qualidade de ortografia do brasileiro médio!

    • Giovanni Di Paolo Rossetti

      “não foram os portugueses que a inventaram; povos africanos escravizavam outros povos africanos.
      E os portugueses disto se beneficiaram esqueceu de dizer. Não foram portugueses ou os povos africanos que originaram este vil ato, mas sim a humanidade com sua sede em subjugar o “mais fraco”. Quanto aos indígenas creio que a questão é um tanto nebulosa, querendo ou não com o contato entre as duas populações muitos indígenas pereceram devido às doenças “alienígenas” trazidas. É fato!
      Enquanto uns tem orgulho do que pátrias alheias fizeram, outros vêm cativos em “Caridades”, “Felizes Destinos”, “Felizes dias a pobrezinhos” e “Boas Intenções”, etc.

  31. Carlos Gómez Díaz

    Soy argentino, con un abuelo gallego, estudié algo de portugués, creo es muy sencillo para quien hablé cualquiera,de las tres lenguas entenderse y más aún leerlas. Es una gracia,de Dios la diversidad que nos une

  32. jose oliveira

    Gostei do artigo de opinião, mas tenho a dizer que cada vez mais os habitantes do Norte de Portugal começam a perceber onde estão as suas raízes e a sua umbilical afinidade com os galegos, porque afinal somos um e um só poco herdeiros da Gallaecia cuja capital chegou a ser a minha amada cidade de Braga. E perdoem-me se ferir algumas susceptibilidades, mas somos cada vez vais aqueles que recusam o rótulo de lusitanos. Somos portugueses, mas nunca fomos Lusitanos, fomos sim galaicos. Como já aqui referiram irmãos de sangue separados por dois ideais de pais mas que sabem de onde vieram.

  33. Julio

    Sou do interior de Pernambuco. Vi em um site de genealogia que meus ascendentes vieram do Norte de Portugal entre os anos de 1770 a 1820 (Vieram dos municípios de Penafiel, Braga, Viana do Castelo, Santo Tirso e Porto). Descobri também que meu sobrenome (Freire) tem origem na Galícia/Galiza.

  34. Julio Freire

    Não sei nos outros estados nordestinos, mas no sertão pernambucano a contribuição europeia em termos de população foi maciçamente do Norte de Portugal.

    Porém, a maioria da população nem sabe disso. Eu só sei porque a irmã do meu bisavô foi atrás desses dados e foi elaborado um livro entitulado “Famílias da panela d’água”. Panela d’água foi a fazenda onde chegaram as primeiras famílias portuguesas que povoaram o sertão de Pernambuco. Hoje, os dados desse livro foram colocados no seguinte site: http://www.araujo.eti.br/araujo2.asp

    Algumas curiosidades:

    * No nordeste do Brasil, galego é sinônimo de pessoas de cabelos claros;
    * Expressão “Oxente”: Tudo indica que veio do Galego e significa “Ó gente!”

  35. Márlon Rodrigues

    Olá.

    Não concordo inteiramente com o teu texto. Pode parecer que Portugal esteja esquecido mas não me parece ser assim. O que acontece é que, culturalmente, os portugueses se perdem no Brasil e o mesmo dá-se com os galegos. Não fossem as várias associações de promoção da cultura lusitana, a ressaltar muito a música folclórica por exemplo, não saberíamos diferenciar o que é “brasileiro” do que é “português”. É fácil viajar no interior e identificar um polaco ou um descendente seu. Porém não é assim tão fácil identificar um português que já se tenha habituado à vida no Brasil, a menos que mantenha o sotaque da terrinha. Não quero dizer com estas palavras que todos são iguais. Não é assim. Mas aos meus olhos não chegam a ser tão diferentes. Os sotaques podem ser vários, mas a língua é uma só. Como poderia um povo nos trópicos comemorar as cavalhadas ou a festa do divino? É verdade que hoje em dia há poucos portugueses no cenário musical brasileiro, por exemplo, mas não na casa deste que vos escreve e de muitos outros. É verdade que alguns não gostam de comparar-se a portugueses, mas sabes que no torrão também há aqueles que não gostam de comparar-se a nós, para alguns soa ofensivo. Quando Portugal vai mal economicamente, vêm os portugueses pra cá, como há muito sói acontecer e o inverso também é verdadeiro, quando o Brasil vai mal. Em conversas com amigos portugueses parecem ser nostálgicos pelo Portugal do passado, grande, com terras do ocidente ao oriente. Não quero soar presunçoso. No Brasil, com a ajuda de outros povos, os índios e os negros, Portugal fez-se grande. Gozado como cá dizemos os portugueses. Não reparamos que muitas vezes nós somos seus descendentes. Ademais, diria que nós também precisamos conhecer mais a Galiza. Parabéns pela iniciativa e pelo belo trabalho. Saudações do Brasil para a linda Terrinha.

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