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Porta para o exterior: um documentário galego sobre a nossa língua

Para todos aqueles que, como eu, gostam de falar sobre a língua portuguesa: vale muito a pena ver este documentário de José Ramom Pichel e Sabela Fernández — é extraordinário ver como a nossa língua pode ser uma porta para o exterior ao dispor dos galegos.

Já agora, nós, aqui a sul, também podemos responder abrindo um pouco as janelas e reparando no que dizem os nossos amigos a norte.

Porta para o exterior from axouxerestream on Vimeo.

Uma nota pessoal: sempre que me encontro com o José, já sei que vou ter uma conversa inesquecível, cada um na sua forma peculiar de falar a língua que chamamos nossa. Para lá das saborosas diferenças de sotaque e sintaxe, é muito bom encontrar alguém tão curioso e entusiasmado com algumas das minhas pancadas pessoais: as línguas, os países, Portugal, a Galiza, a sociolinguística (!) — mas também livros, informática, cidades e tantas outras coisas. Obrigado, José!

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10 Comentários

  1. Francisco Ferro Pessoa

    Parabéns a todos que se empenharam na realização deste documentário e ao Marco Neves por nos disponibilizá-lo. Acho muito positivo restabelecer a verdade, é um bálsamo para nossas vidas daquém e dalém mar.

  2. Ignacio

    Sou galego mas tentarei por cortesia escreber en portugues. A inmensa maioría dos galegos, agás uma minoría lusista, nao acreditamos a nossa lingua ser a portuguesa. Desde a Idade Meia ja passarao moitos seculos, e nao e possivel corrigir a Historia. O galego, sob a influencia do espanhol, evolui de tal forma que hoje o portugues da rua identifica-o com o espanhol pela pronuncia e o sotaque. Os lusistas galegos acreditam issa evolucao poder ser contrapessada so aceptando a grafia portuguesa, mas deixam fora o facto de nao podermos os galegos de hoje corrigir a nossa pronuncia e empezarmos a falar como voces. Un idioma nao é so escrita. A gente da rua, nao filologa nem activista politica, e os galegofalantes en geral rexeitam vivamente dizerem que falam portugues. Sabemos da proximidade da nossa lingua a portuguesa, mas tambem sabemos que en muitas coisas esta mais perto do espanhol, idioma que tambem consideramos nosso. Nao acho a salvacao para o galego vir da unificacao com o portugues, pois se o idioma resiste ainda, todavia ser uma lingua minorizada afectada pela urbanizacao como o resto das linguas minoritarias europeias, e´por ser considerado idioma galego, so galego, por patriotismo. Chamalo portugues levaría a moitos de nos a perdermos o interesse em el. O povo galego, confrontado a escolher entre espanhol e portugues, viraría para o primeiro, pois somos espanhois, mas nao portugueses. E assim de simples, ensohacoes de filologos e romanticos a parte ! Com tudo, este discurso nao diminue a nossa secular proximidade do povo vizinho, ao que conhecemos bem e estimamos, amando muitos de nos a cultura e a sociedade portuguesa, na que nao nos sentimos totalmente estrangeiros. Como voces nao debem se sentirem estrangeiros na Galiza. Em verdade acredito esta minha postura com respecto a lingua ser suscrita pelo noventa por cento dos galegos.

    • Paulo Arantes Barbosa

      Vou dar uma resposta amiga. Os galegos não são todos portugueses, sim é claro.
      Os portugueses não são todos galegos, sim é claro também.
      Contudo, eu sou galego e português. Cerca de 3 milhões de pessoas que nasceram e vivem a norte do Douro, em Portugal sentem, mesmo não conscientemente, que são galegos ainda.
      Por isso, todos os galegos do norte de ribaminho têm a opção legítima de serem espanhóis. Assim como os portugueses de Ribadouro têm a opção legítima de serem galegos.
      Neste estado de espírito, querendo, somos todos galegos. Falar com sotaque de Braga, Porto, Vigo ou Ourense é sempre diferente. Escrever com norma igual o galego-português é urgente e pragmático. A sintaxe não deve ser igual porque já é diferente no Brasil e deve ser diferente na Galiza “espanhola”. Porquê?
      Porque todos os portugueses entendem perfeitamente o castelhano e a sua sintaxe. Com o galego não será diferente.

    • Permita-me discordar só num aspeto básico. Afirmar que o cidadão galego fala língua portuguesa não torna esse cidadão num cidadão português.

      A nacionalidade do cidadão galego é e continuará a ser espanhola, mas a sua forma natural de se expressar é numa língua que corresponde em tudo à língua que os portugueses resolveram chamar de “língua portuguesa.”

      Como cidadão nascido e residente em Portugal, não me chocaria mesmo nada que a língua que o Rei Dinis decidiu chamar de “língua portuguesa” pudesse antes ser designada de “língua galega” caso a história tivesse sido feita dessa forma. O nome que foi decidido dar à língua que falo não me faz menos nem mais cidadão português.

      Assim, se a história tivesse decidido chamar esta língua em que escrevo de “língua galega” e eu, como cidadão português do século 21, falante dessa “língua galega” não me iria tornar automaticamente cidadão espanhol.

      Tal como os atuais cidadãos brasileiros que, com toda a naturalidade aceitam que a língua que falam se chama “língua portuguesa” mas que esse facto não os torna cidadãos portugueses, também presumo que não seria nenhum tabu para os cidadãos espanhóis nascidos e residentes na região da Galiza, afirmarem que a sua forma natural de se exprimir é, para todos os efeitos, em “língua portuguesa”.

      Mesmo que se mudem-se os termos, o conceito será o mesmo.

      O nome que se convencionou dar à língua que eu falo não altera a minha cidadania, a minha naturalidade nem a minha identidade geográfica.

    • Carlos Cao

      Son tamen galego e quero contestar que para min iste asunto non ten dubida, cando termina a ditadura do xeral Franco en España a Galiza forma unha comunidade autonoma no ano 1981, e como o galego, sempre perseguido e prohibido, non tiña unha norma común pois enton houbo que decidir que caminho tomar, un caminho era xuntarse o posibel coa nosa lingua indubidabelmente irmá, e decir o portugués e coller a sua grafía, outra era axuntarse co castelhano porque eran os que mandaban.
      O que escolleron os nosos politicos foi que o galego seguira o caminho do castelhano e asim eles sabían que a morte do galego, como esta a acontecer, non estaría moi lonxe.
      As muitas palabras e sotaques semellantes ao portugués foran esquecidos e prohibidos, e asim encontramos hoxe o galego esmorecendo e perto do esquecimento,
      E unha grande verdade que nom tendo norma ortografica houbera sido imprescindibel coller a grafía portuguesa porque e a nosa lingua mais próxima e nom o castelhano,

    • Carlos Cao

      Eu tamen son galego e non concordo co meu paisano, que o galego nom teña a grafía portuguesa foi unha decisión política tomada apos a morte do xeral Franco. Sería unha cousa normal que ao non dispor de ortografía nosa pois colleramos a da lingua mais perto da nosa, e dizer do portugués, pero os que mandaban naquel tempo estaban as ordes das autoridades de Madrid e querían afastar ao pobo galego do portugués, se había dous formas ou xeito de deciren duas palabras escolliase a mais semellante ao castelhano ou outra que fora diferente tanto do castelhano coma do portugues, Se en muitas partes da Galiza falabase da “torneira” neste caso non se puso o castelhano “grifo” mais colleuse o si galego “billa” porque era diferente do portugués e asim muitos casos.
      Foi a política e non a obxetividade o que decidiu afastar as nosas linguas.

  3. João Silva e Freitas

    Parabéns aos autores do video. Excelente apontamento. Só quem está de má-fé é que não percebe que o português e o galego são a mesma lingua com diferenças fonéticas que diferenciam a escrita. Queria só deixar uma nota de discordância quando se diz que o português nasceu na Galiza. Não é verdade. Ao se afirmar tal, está-se a excluir a região do Entre-Douro-e- Minho português. Na verdade, o português nasceu na Galécia, e não na Galiza, o que é algo diferente. Toda a Galiza e o Entre-Douro-e- Minho português fazem historicamente parte de uma unidade etno-linguistica. Essa unidade foi compreendida pelos romanos que a esse todo chamaram Galécia. Posteriormente, os suevos mantiveram essa unidade e nela fizeram seu reino. Alias, a capital galaico-suevo tinha sua capital em Bracara Augusta (Braga) no atual território português. Por isso a lingua nasce na Galécia e não na Galiza, o que é mais abrangente.

    • Excelente. Obrigado por este esclarecimento João Silva e Freitas.

    • Carlos Cao

      A referencia ao pobo dos kallaikoi ven de fontes gregas e foi mudado polos romanos a Gallaeci ou Callaeci, e verdade o que din vostede, o norte de Portugal e a Galiza actuais formaron uma unidade como pobo e cultura durante muitos séculos até o século XII. Eu sempre comento que un dos motivos principais do noso afastamento foi cando Compostela convertese en arcebispado esquecendo a primacía de Braga que sempre foi a sede relixiosa principal da Gallaecia Galecia o como quiera charmarse,
      Nascimos num mesmo berce e hoxe estamos afastados e a min e a outros galegos gostarianos de volver a estar mais perto dos nosos irmaos. Os galegos chamados espanholistas, a maioria, queren esquecer a nosa irmandade co norte de portugal e os que mandan en Portugal concordan con isto tamen.
      Saudos e parabens por iste blog.

  4. GALEGOS PELO MUNDO.
    Que curiosidade! Existe (ou existiu?) um programa de TV que é muito semelhante ao programa da RTP “Portugueses pelo mundo”, só que neste caso, chama-se “Galegos no mundo.”

    Encontrei este episódio no Youtube que trata precisamente da presença de galegos na cidade de São Paulo, no Brasil. A partir dos 11 minutos e 29 segundos do vídeo, é mesmo muito curioso ouvir estes dois senhores que vivem há mais de 50 anos por lá:
    https://youtu.be/_JiCgPqWZaM?t=11m29s

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